28.3.06

Argh.

Senta aí que baixou a véia reclamona aqui.

Tava passeando pelos fotologs hoje, e sempre acabo caindo naquela manezice que e' o Frito_Passa_Mal. Engraçado como o mundo dá voltas. Nas antigas, o povo underground sonhava que "o movimento" se popularizasse. Daí se popularizou, e hoje em dia rave e música eletrônica em geral é coisa de descabeçado, gente que passa mal todo fim de semana, gente que fica 24 horas por dia planejando a próxima balada, em outras palavras, gente chata. Posso estar generalizando, mas e' MUITO raro encontrar gente legal e interessante envolvida nesse meio - ou o povo parou no tempo e fica repetindo a mesma ladainha ano após ano, ou o povo e' deslumbrado. Gente brainless, como diz a minha amiga Isa.

Me fez lembrar que essa semana a comunidade brazuca aqui ainda em polvorosa: pelo menos uns 10 vieram me perguntar se eu não vou me jogar "no INFEQUITÉDGI na Brixton" - traduzindo: Infected Mushroom vão tocar na Brixton Academy, os ídolos-mor do psy e referência máxima do típico brasileiro que vem passar um tempo em Londres atrás de balada. Isso quando não vai parar na Heaven , que costumava ser uma noite tradicional gay, e hoje é templo verde-amarelo. Eu não entendo como esse tipo de coisa acontece, como um monte de mané descobre uma balada, vira febre e estraga. A própria Nag Nag Nag, que antes era referência cool no mundo electro, hoje só dá pirulito-óculosescuro-nikeshocks-gentesuada-e-semcamisa-semordendo, gente que não fala uma palavra de inglês a não se "váibe" e "fullon". You get the picture.

Se eu frequentasse esses lugares ia ter fotos suficiente pra abrir um fotolog concorrente.

26.3.06

More music, less talk

Agora que não tenho mais nada a fazer pra faculdade a não ser a monografia, resolvi ser mais ativa no lado cultural. Tanta coisa acontecendo de bom nessa cidade, e a preguiçosa aqui nunca vai em nada. Mas ontem botei duas coisas importantíssimas na agenda: comprei ingressos pro show do Radiohead , em maio, e do ,Massive Attack , em junho. E sem apelar pro Ebay ou os cambistas de Tottenham Court Road - acordei cedo e lutei na frente do computador assim que deram a largada. Aqui tem horário certo pra começar a vender ingressos na internet, normalmente ás 9 da manhã. A batalha é tão grande ás vezes que os sites não deixam comprar mais que dois e ainda assim, tem que comprar um de cada vez. E é questão de minutos pros ingressos esgotarem, ainda mais quando são shows mais exclusivos como esse do Radiohead, onde a banda vai road-test as músicas do álbum novo .

A do Massive Attack já vai ser parte de um festival no Hyde Park. Vai ser a primeira vez que vou num festival desde que cheguei - logo aqui, terra dos festivais. Parece que no dia também vão tocar Flaming Lips e Pharell, nada muito apetitoso - mas ver Massive Attack já vai ser uma realização, igual quando vi o último show do Orbital, uma das bandas da minha adolescência.

Tô pensando também em ir pra Love Parade em julho , outro sonho teenager. Foda é que com esse meu "desapego eletrônico" não vai ter muita graça como teria 5 anos atrás.

Dancinha da pizza, da impunidade, mensalista


Aposto que você também viu a cena que a deputada Ângela Guadagnin protagonizou no plenário essa semana, quando o colega João Magno foi absolvido no caso do mensalão. O foda não é saber que ela vai pagar caro por ter feito essa dancinha - foda é saber que ela certamente vai ser punida muito mais do que se tivesse sido uma dos deputados que receberam o dinheiro de Marcos Valério. Tem alguma coisa muita errada com o senso de julgamento dos brasileiros...

Se não viu ainda, vai lá .

24.3.06

Midia e democracia

Sou super fã do blog da Soninha . Acho o máximo que ela usa um blog pra cobrir assuntos e polêmicas que volta e meia acontecem dentro do plenário (e ela conta tudo que é bafón na íntegra), e ainda consegue gerar uma discussão em torno do assunto através do sistema de comentários. Muita gente que talvez não se interessaria por política acaba entrando no meio pelo tom acessível que ela usa - e claro, pela imagem jovem. Isso é o que eu chamo de mídia democrática.

(by the way, o que ela faz é exatamente o tema do minha monografia - por isso o interesse.)

Falando em mídia e democracia, Soninha anda defendo a idéia de que a mídia brasileira devia ser mais caruda e tomar suas devidas posições , em vez de deixar mensagens embutidas e confundir o público. Disse ela:

"Sim, eu sou do PT. E dou aos que me lêem a chance de avaliar o que escrevo sabendo disso. Dentro dos corretíssimos apelos por transparência nas próximas eleições, eu incluiria um: que a mídia explicitasse suas preferências, como a Carta Capital fez em 2002. Ou como a Folha fez, quando defendeu a cassação de José Dirceu. Que Roberto Civita, por exemplo, declarasse em editorial na Veja: “Alckmin é meu candidato a presidente, e José Serra ao governo do estado”. Não estou deduzindo, não. Eu sei. Fontes seguríssimas. "

Eu também sou super a favor de uma mídia mais partidária. Não tem nada de errado saber de que lado certas pessoas estão, desde que aja espaço pra todo mundo dar opinião de maneira justa (aqui na Inglaterra, as coisas acontecem assim: todo jornal é assumidamente de direita ou esquerda). O problema é que enquanto o sistema de educação no Brasil não ensinar os alunos a questionar o que são servidos - quase sempre empurrados - nunca vai existir democracia. Decorar pra passar na prova não ajuda ninguém, só faz com a que as pessoas tenham preguiça de pensar. A grande maioria dos brasileiros confia cegamente na grande mídia, e ainda tem aquela idéia de que "se saiu na Globo ou na Veja, só pode ser verdade." Nem sempre, meus caros, nem sempre. Se existisse mais diversificação, mais vozes com o mesmo tipo de projeção que certas companhias conseguem, talvez o Brasil fosse um lugar melhor pra se viver.

23.3.06

Vai ficar pra historia :P

Diario da Campanha - Resultado

Well, obviamente não fui eleita. Inocente da minha parte pensar que qualquer tentativa de falar sobre política numa universidade de artes, aonde o egocentrismo prevalece acima de tudo, ia fazer alguma diferença. No fim das contas, os candidatos mais populares (leia-se que estavam a mais tempo na universidade, e do sexo masculino), e menos qualificados, levaram a maioria dos votos.

Mesmo eu tendo passado o dia de ontem inteiro no café da minha faculdade tirando vantagem da conexão wireless pra conseguir votos na hora (e mesmo eu tendo comprado uma porrada de votos com chocolate :P) , não funcionou. Rolou até agressão por parte das amigas do meu adversário maior, me chamando de "fucking foreigner." Oh, well. Eu sabia que, sendo uma estrangeira tentando roubar emprego de britânico, ia dar nisso.

Na verdade, eu já tinha noção de que minhas chances eram pequenas, e eu fiquei de boa na hora que saiu os resultado - fui até dar um abraço no vencedor, que quase se debulhou em lágrimas pedindo desculpas pela agressão. Segundo ele, eu já era uma vencedora por ter aparecido do nada (quando todos os candidatos estavam envolvidos com o grêmio de alguma maneira no passado), feito uma campanha enorme e dado minha cara pra bater num país que não é o meu. Ok, aceito suas desculpas.

Mas por mais que eu esteja satisfeita comigo mesma por ter batalhado até o último minuto, mesmo não tendo vencido, eu ainda fiquei com a pulga atrás da orelha com um fator que contribuiu pra definir quem venceu: foram todos homens (a não ser nas posições onde só tinha mulher concorrendo). Meu pai disse no telefone 'Thais, pode ter certeza que mulher nenhuma vai votar em você." Meu namorado disse "Claro que eles ganharam, universidade de artes só tem mulher." No caso da posição pra presidente, foi até ridículo: as duas meninas concorrendo junto com o menino tinha um portfolio muito mais impressionante, uma tendo estudado política e a outra tendo trabalhando pra união desde o começo da faculdade. Não, mas quem ganhou foi o "dude", o bonitón descerebrado que faz a recepção das calouras todo ano uma experiência inesquecível. Na minha categoria foi ridículo: o menino estava claramente atrás do dinheiro, e na equipe dele só tinha mulheres - e foram elas as barraqueiras, as que vieram comprar briga comigo como se eu tivesse querendo "roubar o homem" delas. Medo.

Chega a ser revoltante. Quando contei isso pro meu pai ontem, ele disse: "Thais, não existe nenhuma mulher em cargo de diretoria aonde eu trabalho - por mais que elas sejam qualificadas. Homens tendem a ser mais solidários um com o outro e a gente acaba se ajudando, mulher não. Elas tem ciúme umas das outras, preferem criar obstáculos e dar suporte prum homem na mesma posição."

No fim, todo mundo sai perdendo. As mulheres mais do que homens - como sempre. Triste isso.

20.3.06

Diario da Campanha - continua...


E eu achando que ter espalhado cartazes pela universidade foi suficiente. Foi nada. Hoje, primeiro dia da eleição, a competição foi tão fierce que teve até bate-boca. Entre eu e uma amiga de um adversário, que até então estava fazendo campanha de maneira justa. Mas no fim do dia, o meu campus (nosso, na verdade - três dos meus concorrentes estudam no meu campus), estava entupido de cartazes, banners, balões, camisetas... e tudo da concorrência! Sem contar a paródia que fizeram do meu próprio cartaz, colando a cabeça de uma candidata no meu corpo e escrevendo coisas esquisitas em volta.

Minha tática de enviar email usando a database da universidade também não funcionou da melhor maneira: recebi pelo menos meia-dúzia de hate mails mandando eu praquele lugar (o que segundo meu pai é um ótimo resultado, considerando que eu enviei mais de 3 mil emails).

A pressão é absurda, mais do que eu esperava que fosse ser. O negócio vai ser mudar de tática, sair do meu campus e tentar conseguir votos nos outros.

Tem ainda mais dois dias de votação, e eu sinceramente, não vejo a hora disso tudo acabar.

19.3.06

To colaborando...

com o Vida Eletronika, o blog do IFI sobre, ahm, vida no mundo da música eletrônica. Vai lá depois.

que emprego o que...


Esse tipo de coisa só acontece no Primeiro Mundo: essa semana estudantes franceses organizaram uma série de protestos violentos contra uma lei que vai garantir o primeiro emprego a jovens de 18 a 26 anos. A lei não garante estabilidade, o que significa que o empregador pode despedir o contratado a qualquer momento dentro de um período de dois anos - e foi isso que pegou no calo dos estudantes. Por mais que ande super difícil arrumar emprego nessa faixa etária, pra eles é melhor ficar desempregado do que viver dois anos com a perspectiva de ser demitido a qualquer minuto.

Imagine se num país sub-desenvolvido o povo ia reclamar.

Uma semana depois...

Oxi. Essa semana achei que eu ia ter um colapso. Mental, físico, psicológico. É sempre assim nessa época do ano, uma correria fenomenal durante os primeiros meses do ano. Aí passa meu aniversário final de abril e bam!, 4 meses de férias. Na verdade, férias não né, que eu acabo trabalhando full-time o verão todo, dando uma viajadinha ou outra no final de semana pra relaxar.

Anyway, missão cumprida. Minha cara está pendurada nas paredes da universidade inteira, sem excessão. Todos os 14 campus/sedes. Não consegui mandar os 10 mil emails que eu estava planejando, mas consegui enviar pelo menos uns 100 pros alunos que eu conheci pessoalmente pedindo votos (e eu nem tinha percebido como eu conheco bastantinho de gente até... logo eu que fui anti-social por quase todo os dois primeiros anos).

Não consegui dormir direito pelas quatro noites desde que Nick, meu gato mais velho, ficou doente. Foram três idas ao veterinário, várias libras deixadas por lá e muito choro de madrugada por parte do Quincas, meu gato mais novo que sentia falta do irmão mais velho. Uma experiência que me fez lembrar porque eu vou continuar adiando ter filhos o máximo que eu puder.

Não consegui também planejar o aniversário do namorido de maneira decente na terça-feira. Não consegui nem comprar um presente, o que deixou o moço deveras chateado. Mas consegui bookar uma mesa num bar de jazz no soho, em cima da hora, e como não tinha quase ninguém no lugar, a banda acabou tocando quase que exclusivamente pro aniversariante.

Não consegui também aumentar o número de palavras na minha monografia de maneira considerável. Mas pelo menos consegui marcar uma reunião com meu orientador em cima da hora, e pela primeira vez desde que começamos a discutir o assunto, ele conseguiu me dar um conselho que prestasse. Uma conquista vindo de um professor que não usa email e não sabe mexer num celular - e a minha monografia é sobre tecnologia.

No fim das contas, não consegui fazer uma dezena de coisas, mas consegui dar um jeitenho e chegar no final da semana quebrada mas com sensação de dever cumprido.

Agora dá licença que eu vou ali curtir o começo do meu domingo. Eu avisei que domingo era o meu dia favorito da semana.

12.3.06

Marisa de volta!


Finalmente! Essa foi a melhor notícia do domingo: depois de 6 anos sem lançar nada, a minha diva brazuca favorita, Marisa Monte, voltou ! E compensando o atraso, esta' lançando não um, mas DOIS discos: "Universo ao meu Redor" e "Infinito Particular" um mais focado em samba de raiz e outro em bossa nova.

Bah, vou até dormir feliz depois dessa. As músicas dessa mulher serviram de trilha sonora pra alguns dos momentos mais felizes e marcantes da minha vida. Não ouvi nada dos discos novos ainda, mas tenho certeza que ela não vai me decepcionar. Nunca decepcionou.

Relendo...

o meu outro blog antigo, o Clouds , (ando com mania de reler coisas antigas), encontrei esse post no dia 22 de Janeiro de 2005:

"esses dias tinha um anúncio espalhado pela universidade procurando voluntárias que topassem ser fotografadas durante o orgasmo para um projeto do curso de fotografia. Sei. No mínimo a idéia foi criada por um bando de geeks que não conseguem comer ninguém. Fiquei imaginando quem seria a ingênua que ia topar uma dessas, e de graça. Seria mais fácil contratar uma profissional."

No fim das contas, nenhuma menina topou participar do projeto, mas o tal aluno (Derek Mossop) acabou conseguindo reunir um número considerável de homens interessados em ser fotografados no auge do prazer. Eu até cobri o show pro jornal quando eu fui correspondente de arte.


O mais legal do show e' que se você não conhece o background das fotos, você não associa diretamente a imagem com sexo.

***

Aliás, ter sido correspondente/editora de arte do jornal foi um trabalho muito divertido, parando pra pensar. Eu que nunca fui muito próxima das artes visuais, tive oportunidade de conversar com muita gente criativa e interessante, gente apaixonada pelo que faz. Ta' certo que a maioria não batia bem da cabeça, mas hey, todo bom artista e' meio esquisitão também.

Mais cinema politico...


... essa semana. Sexta assisti Syriana , o segundo ataque ao governo americano vindo do bonitón George Clooney. Filme meio complicado pelo número grande de personagens envolvidos na história e pela edição, mas interessante all the same por expôr a corrupção dos gigantes do petróleo nos Estados Unidos e no Oriente Médio. Nada que todos nós já não sabemos, mas é ótimo saber que algum poderoso de Hollywood tem balls pra usar a própria influência e fazer alguma diferença.

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Falando em fazer diferença, tá virando moda por aqui virar Green: reciclar, usar energia renovável, comer comida orgânica produzida localmente, andar de bike em vez de carro. Coisas que qualquer um adotaria se o preço de tudo isso não fosse alto demais. Pra salvar o planeta hoje em dia precisa ter tempo e dinheiro.

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Domingo virou o meu dia favorito da semana. O único dia que eu posso fazer companhia pros gatos no sofá o dia todo, e sem culpa.

9.3.06

Diário da Campanha

Nossa. Tô absolutamente e-xaus-ta. Passada. Dois dias sem comer ou dormir direito porque acumulou tudo. Além de ter que preparar a publicidade da campanha (nada sofisticado, óbvio - campanha de estudante é tosquera, na base do xerox), ainda tive uns últimos trabalhos pra entregar e assuntos da casa pra resolver. Aí hoje foi o primeiro dia rodando a universidade colando cartaz. Pendurei mais de 100 pôsters e 200 flyers em 4 das 14 sedes. Foi cansativo pra caralho, mas o legal foi andar de mini-bus pelo lado oeste da cidade - o lado chic, em outras palavras - um lado que eu frequento muito raramente. É incrível como andando de trem e metrô, fazendo sempre o mesmo caminho, você acaba esquencendo como a cidade é incrivelmente grande e interessante.

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Aí passando na frente do Buckingham Palace, levo um susto: tinha dezenas de bandeiras do Brasil hasteadas junto com as Britânicas na avenida que leva ao palácio. Soltei uns "oh my god!" no meio do ônibus e assustei metade do grupo até lembrar que o Lula estava visitando o país essa semana. Incrível como o verdão da bandeira é capaz de despertar até o mais alienado dos patriotas.

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O mais engraçado é os jornais chamarem Lula de "President Luís da Silva". Quem?

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Hoje passou na canal 4 o documentário-drama novo do Michael Winterbottom, The Road to Guantanamo - a primeira vez que vejo um filme sair antes na TV pra sair nos cinemas um dia depois. É a história do famoso Tipton Three, os três britânicos azarados que foram ao um casamento no Pakitstão e acabaram enjaulados pelos Americanos na prisão mais polêmica do mundo em Guantanamo Bay, Cuba. Eu estava cansada demais pra assistir qualquer coisa, mas catatônica no sofá, comecei a assistir por preguiça de mudar o canal. Terminei o filme de pé na frente da TV, revoltada, xingando o governo Americano de aberração pra baixo. É óbvio que a visão do Winterbottom é super partidária, esquerdista, michael moore style - mas não deixa de ser persuasivo e humano o apelo que ele faz pra que fechem imediatamente aquela prisão.

Tem que fechar.

Aliás, Winterbottom está mesmo revolucionando a distribuição cinematográfica. O filme também está disponível pra baixar na internet a partir de hoje .

7.3.06

Turismo realidade

Turista gringo que quiser conhecer o Rio e vivenciar a experiência completa agora vai poder se hospedar em hotéis dentro das favelas. Além de vista pro mar, o quarto na pensão da Tia Alzenira inclui vista pro lixo acumulando nas calçadas, pra tiazinha lavando roupa no tanque e para os moleques vendendo cocaína. Com o bônus de traficantes de chinelo Havaiana cumprimentando o "hóspede" na subida do morro.

Tudo por apenas 13 libras!

Vai ser *duro*

A coisa, no fim das contas, vai ser bem maior e mais trabalhosa do que eu imaginava. Quatro pessoas, contando comigo, estão se canditatando pra vaga de acessor de mídia, e vamos ter duas semanas pra fazer uma campanha massiva. E quando eu digo massiva, eu ainda não tinha noção do tamanho até a hora da reunião. São 5 campus e 14 sedes de cada College. 17 mil alunos. Um mini-ônibus vai nos carregar durante 4 dias por todas as sedes da Universidade, pelos quatro cantos de Londres. Vão ter os temíveis question times, onde os alunos vão poder questionar nossas políticas e perguntar porque diabos eles precisam votar na gente. E em meio a essas duas semanas, eu ainda vou ter que achar tempo pra continuar a escrever a monografia. De madrugada, quem sabe. Se no final do mês eu não estiver arrancando os cabelos de cansaço, vai ser o maior achievement. E se eu for eleita, prometo a mim mesma que vou tirar pelo menos duas semanas de férias. Na Tailândia.

***

Mas eu ainda arrumo tempo pra ler bobagens por aí. Sabe aquelas máquinas que se compra refrigerante e salgadinhos nos corredores de empresas, escolas, e estações? Pois a partir desse mês aqui em Londres vai ser possível comprar acessórios e brinquedos sexuais nessas máquinas. Aham, vibradores e géléias térmicas, coisas do tipo. Mas pra privacidade do cliente, as máquinas vão ser instaladas nos banheiros de clubs, bares e até (juro) academias e salões de beleza.

Fiquei imaginando o tal do "cliente", juntando moedas no fim da noite depois de não ter pegado ninguém. E depois dizem que os britânicos são conservadores.

6.3.06

Governo Chines...

...proibe canais de tv de falar sobre o Oscar do diretor taiwanes Ang Lee. Aparentemente, a sociedade chinesa ainda nao esta' preparada pra lidar com homossexualidade e nenhum dos 1.300 cinemas no pais vao exibir o filme. Surreal.

Oscars e Eleições

Pela primeira vez em anos eu tive vontade de assistir a cerimonia da Academia, e acabou que nenhuma canal aberto britanico cobriu a premiacao live. Eu nao tenho tv a cabo, e nos canais freeview (BBC NEWS 24, Sky News) so' ia passar a cobertura as 9.30 da manha de hoje. Larguei de mao. Entrei no IMDB mesmo. Pra variar, decepção. Crash e Reese Witherspoon eram as ultimas das minhas apostas, e nao mereciam ganhar. Pelo menos George Clooney, Ang Lee e Phillip Seymour garantiram que um cinema mais 'cabeca' esta' prevalecendo sobre blockbusters endinheirados como War of the Worlds e King Kong.

Os Britanicos e' que tem motivo pra comemorar, pelo menos. Wallace & Grommit, The Chronicles of Narnia e Rachel Weisz eram favoritos nas categorias que concorriam, e se deram bem.

Agora, em fashion, que raios se passou pela cabeca da Charlize Theron pra usar aquele laço e-nor-me no ombro? This is the Oscars, my friend! Your pictures are gonna be remembered forever! E a frequentadora de carteirinha J-Lo parece que exagerou nas injecoes de Botox e no fake-tan esse ano. Que nem a Joan Rivers, a apresentadora do E!: ta' tao repuxada que se ela piscar e' capaz de abrir um rombo na testa.

Impecaveis mesmo estavam a Uma Thurman, Naomi Watts e Diane Kruger. Tao impecaveis que pareciam que estavam usando as tres o mesmo vestido em tom pastel. E a pobre Jennifer Aniston, boring como sempre, apareceu sozinha com a mesma cara, mesmo cabelo, mesmo vestido pretinho de anos. O maximo que ela ja' fez pra mudar foi deixar o cabelo sem escova. Nao e' a toa que Mr Pitt se jogou nos bracos do furacao Jolie. Devia ta' morrendo de tedio, o coitado.


***


Mas chega de fofoca. To nervosa. Hoje fecham as nomeações dos candidatos nas eleições da Universidade, e as 5.30pm vai ter um reuniao onde vao ser dadas as direções das campanhas. To curiosissima pra saber quantos se candidataram a minha posicao, e se tem algum outro concorrente estrangeiro como eu. Vao ser duas semanas de guerra. Deus, dai-me forças.

***


Ja' reparou que metade das palavras aqui tem acento e a outra metade nao, ne'? E' que eu fui descobrir esses dias que usando a tecla alt no mac os acentos aparecem, mas a verdade e' que depois de tanto tempo escrevendo assim fico na maior preguica de acentuar. I'll try to get used to it.

5.3.06

Corinne


Achei a trilha perfeita pra uma tarde de domingo como hoje, de ressaca e melancolia: Corinne Bailey Rae. Her voice is just adorable. To ouvindo pela oitava vez consecutiva "Like a Star." Pra ficar na cama ate' anoitecer de volta.

Vou ter que arrumar tickets pro show dela em abril.

Nas antigas..

andei relendo meus posts antigos no Vida em Pauta, meu primeiro blog, e achei esse post no dia 25.06.02 sobre um trabalho que eu estava fazendo sobre democratização da comunicação pra faculdade (na época, tava no primeiro ano de jornalismo numa particular de Curitiba):

"Eu podia falar que depois do advento dos blogues a comunicação passou a se tornar definitivamente democrática, pois todos agora tem o direito de escrever o que querem e todos tem o direito de ler o que querem. Mas é lógico que vai aparecer uma interrogação em cima da cabeça do meu professor no momento que ele ler o artigo, porque ele não deve ter a mais ínfima noção do que é um weblog. E aí ele vai escrever um comentário dizendo que o assunto é muito mais amplo do que a internet sequer imagina e que eu deveria me aprofundar mais, afinal, nem 1/3 da população mundial tem internet. (esse dado eu chutei. Não sei quantas pessoas no mundo acessam a internet)."

quem diria que 4 anos mais tarde, eu estaria escrevendo uma monografia sobre isso. E em inglês.

***

naquela época eu escrevia melhor em português. Eu era até engraçadinha.

4.3.06

Balneario = Ibiza ?



Eu tinha escrito em janeiro uma materia pra Jungle (que acabou engavetada por "falta de tempo pra revisar" :/) sobre como Balneario Camboriu estava virando uma especie de Ibiza brazuca, nao so' por causa dos clubs e do aparecimento em massa de djs gringos, mas por causa do Kiwi (foto) e do Galeras, quiosque-bares com DJs tocando a beira-mar na vizinha Praia Brava. So' que parece que esse foi o ultimo verao pra eles. A Justica Federal de Itajai' resolveu tirar todos os estabelecimentos comerciais da Praia Brava. Sera' que isso vai afetar o Warung, o tal do terceiro melhor club do planeta?

Technology Updates





Olha que lame que eu sou. Ano passado deve ter sido o ano que eu passei menos tempo na internet - entrava uma horinha por dia pra checar email, ler um ou outro jornal, e uma vez ou outra postar uma foto no fotolog. O que aconteceu foi que agora eu to percebendo o quanto alienada eu fiquei. Por exemplo, faz tempo que eu ouço falar das maravilhas da tecnologia RSS, que e' uma mao na roda pra jornalistas e bloggers em geral, e que nao da' pra viver sem hoje em dia. Mas eu nunca fui atras. E so' essa semana (!) eu li sobre isso num livro (!!) pra monografia, e instalei um RSS reader pra entender como funciona (!!!). E fiquei maravilhada! It's a TIME SAVER! TODOS os links que eu passei a visitar diariamente ficam ali arrumadinhos por categorias, e so' preciso clicar uma vez em cada pra checar os updates de cada um. Fiquei ate' emocionada. Informação mais rapido que isso nao deve existir. Ou existe?


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Outra descoberta foi esse programinha que eu posso usar pra postar no blog sem precisar entrar no site em si. Nao e' assim A descoberta, mas e' interessante - ate' porque dependendo do browser que se usa pra acessar o blog, as ferramentas mudam.


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Agora tambem to querendo me atualizar em tudo. Proximos planos inclui aprender a fazer filminhos pra postar por aqui, e produzir um podcast.

1.3.06

mais politica, menos tempo

Entao fica assim: por enquanto, esse blog vai ter (pelo menos a maioria dos) posts em portugues. Vou criar outro blog pra postar em ingles, porque fica trabalhoso demais traduzir o tempo todo - apesar de que manter dois blogs tambem nao e' mamata. Mas vou continuar fazendo o possivel pra encaixar esse em algum tipo de comunidade, pra gerar o tal do debate.

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Falando em debate, fellow blogger Renan escreveu um post a favor do jornalismo opinativo bem interessante, parecido com coisas que tenho lido pra minha tese final. Sou a favor de menos objetividade, mais opiniao. Pelo menos as pessoas saem da inercia e abrem a boca, nem que seja pra mandar o outro parar de falar merda.

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E falando em nao dar tempo, alem de estar atrasada com a minha monografia, com textos pro jornal da faculdade e com o unico freelance pago que eu faco (uma newsletter corporativa pra staff da universidade), ainda inventei mais uma: vou me candidatar pro posto de acessora de midia e comunicacao do gremio estudantil. Vou ter que fazer campanha, com poster, santinho, e tudo. Viu que que da' comecar a estudar politica?

27.2.06

Ideias Novas

Faz algum tempo ja' que eu ando em cima do muro entre qual lingua usar pra escrever aqui. Alias, conversando com uma colega jornalista que tambem mora aqui, manter a fluencia nas duas linguas e' MUITO dificil. Nao e' so' conversar - escrever requer sofisticacao, ironia, apuro, sharpness. Desde que eu parei de ler em portugues regularmente, e meu idioma nativo passou a entrar em declinio - ao mesmo tempo que passei a desenvolver uma escrita mais apurada em ingles por causa da faculdade - varias vezes me veio a vontade de passar a escrever posts somente em ingles. Me parece mais rapido e facil - as vezes, em portugues tenho que pensar mais (e perder mais tempo) pra tentar achar a frase ou a palavra certa, e no fim o resultado deixa a desejar. A outra vantagem e' aumentar o trafego por essas bandas: posts em ingles aumentam as chances de trazer uma audiencia mais variada e internacional, e quem sabe, ate' criar debates (quem sabe? Blogs nao servem so' como diarios!). Por outro lado, quase 100% do povo que passa por aqui (de vez em quando) e' Brasileiro e nao fala ou le em ingles, e ai' as chances sao e' de que eu acabaria excluindo essa parte dos leitores. E tem outra: esse aqui por enquanto tem sido meu unico contato com a lingua-mae em termos de escrita, e se eu largar de mao, e' possivel que a coisa piore ainda mais. E sendo sincera, eu amo o som e a variedade da lingua dos colonizadores (oh god), e espero muito poder em breve recuperar a fluencia danificada. Mas por enquanto, a coisa nao vai funcionar direito enquanto eu nao me concentrar em um foco.


Alias, explico o tal do foco: desde que me enfiei numa pesquisa pra minha monografia (baseada no poder dos blogs), ando namorando a possibilidade de transformar esse blog numa ferramenta de comunicacao entre pessoas interessadas tanto no Brasil como no Reino Unido. A principio, o blog serviria como uma fonte de informacao pra ambos os lados, com curiosidades, ideias e assuntos que estao na midia de ambos e sao de interesse do publico. Sei que ainda nao tenho tempo suficiente pra manter o blog mais regularmente com posts diarios, mas aos poucos, dependendo do trafego , o projeto ganharia mais prioridade e variedade (podcasts, videoblogs, e galeria de imagens estao nos planos).

Tudo isso vem de uma vontade enorme de criar aquele senso de comunidade que o comeco da minha paixao pela internet trouxe: conheci muita gente legal atraves de listas de emails, salas de IRCs e forums, e era otimo ver todo mundo debatendo ideias e conversando em geral. Tem muita gente que mora fora do pais e sente vontade de discutir a experiencia de estar vendo o Brasil de outro angulo, ao mesmo tempo que tem muito estrangeiro interessado em saber como funciona a cabeca e o universo do Brasileiro. O blog viria como mais uma maneira de comecar uma conversa entre ambos,e o ingles serviria como uma lingua democratica pra ambos terem acesso a informacao.

E' isso. Aguardem cenas do proximo capitulo. E se alguem tem alguma coisa a dizer, por favor, sintam-se em casa e comentem.

25.2.06

Ambition?



Acho que anda faltando um pouco de ambição na redação da Veja. Não esperaram nem a matéria da Time entrar no esquecimento coletivo e já botaram os tradutores da revista em ação. Sera' que e' a época de carnaval que faz os repórteres ter preguiça de trabalhar? Ou sera' que eles acham que Brasileiro nao lê em inglês?

23.2.06

books and languages

"Adora Svitak loves to read and write. Over the past 18 months she has had a 296-page book published and written 400 short stories and nearly 100 poems. Typing at 80 words a minute, she has produced 370,000 words while reading up to three books a day. The last novel she finished was Voltaire's Candide. Not bad for an eight-year-old."

Gosh. And I thought I was an avid reader. But hey, I had a huge pile of comic books when I was 6.

***


"Almost two in three Britons are unable to speak a language other than English, in effect the worst record in Europe."

Right. Like this is even news. Wouldn't want to know what the results of a research in America would be. From all my British colleagues (I don't think I actually have proper British friends), none of them ever thought about learning another language. It's always the same: "English is the most spoken language in the world! Why should I bother?" Funnily enough, most of my foreign friends are in the grips of learning a third or fourth language now. Yes, people, learning another language is fun!

ps: nevermind that I just dropped out of my weekly French class. Too many things in my head at the moment. But i promise I will compensate as soon as I hand in my bloody dissertation.

21.2.06

we've got culture


As they say, you've got to be distant to understand the value of what belongs to you. Or that is how my life has been characterised so far. I've said that on my MA personal statement, and I see even better now how true this is after the Barbican decided to bring the Tropicália movement to its headquarters. Only by being away from home that I came to understand how rich and groundbreaking my own culture is. LCC News recently sent me there to review the exhibition, and frankly, I've felt ashamed that I, as a Brazilian citizen, born and bred in the tropical land itself, don't know much about my own culture. It took the British to teach me the importance of it. And I'm truly amazed at the artwork, the music, the philosophy behind it, the films. Last week I download the album Tropicália ou Panis et Circenses, and even though I practically know all the songs, for the first time I've enjoyed it and understood why they were important. I was wrong when I said Brazilians don't have any culture. We do. We just don't appreciate it.

15.2.06

2+1

Ontem, dois motivos pra comemorar:

1- Era Valentine's Day, o dia dos namorados, e esse coisinha fofinha ai' da foto foi o meu presente. O nome dele e' Quincas Borba. Desde o colegial que eu quero dar esse nome pra um bichinho de estimacao, e veio a oportunidade.

2- Foi aprovada a lei banindo o cigarro em qualquer espaco publico fechado, inclusive pubs, bares e clubs. Por mais que eu seja uma esporadica fumante social - e olhe la': do ano passado pra ca' consegui parar de fumar no bar da faculdade e no trampo, e ate' quando tomo uma ou outra taca de vinho - to achando o maximo poder entrar em um pub e nao sair no minuto seguinte com o cabelo fedendo. Lembro quando baixou a lei nos Estados Unidos; era surreal ir pra balada sem fumar e voltar com o o cheiro do perfume intacto. Aqui, so' vai entrar em vigor no verao de 2007, mas ate' la', aposto que muita gente vai estar se preparando pra largar o vicio. Vai ser uma mudanca enorme no comportamento do britanico, acostumado a tomar uma pint e fumar um ciggie nas horas de folga. Quero ver quem vai ter coragem de ficar saindo no frio toda hora pra acender um.


E um motivo pra se preocupar: enviei meus papeis pra graduate admissions da LSE. Agora e' sentar e rezar.

11.2.06

The Graduate

Acho que nao comentei aqui, mas esse ta' sendo o ano da decisao. Eu me formo em julho e a pergunta que nao quer calar - e que todo mundo na face da terra resolveu ou ainda vai me perguntar - e' "e ai, o que voce vai fazer quando se formar?"

A resposta ainda e': nao sei.

Sao varias as possibilidades, e a ordem, por enquanto, ta' assim:

1. Fazer um mestrado direto na sequencia.

2. Tentar arrumar um emprego na area por aqui.

3. Ir pra Franca me aprofundar no idioma por um tempo.

4. Ir de volta pros USA acompanhar o namorado em uma possibilidade de emprego.

4. Voltar pro Brasil e tentar arrumar um emprego na area em SP.

5. Dar um jeito de arrumar o tal do passaporte europeu e assim ficar livre pra ir e vir.

Dentro de cada uma dessas possibilidades, tem outras tantas, mas e' melhor nao discutir os detalhes porque e' burocracia demais. No momento, to botando fe' mesmo e' nesse mestrado. So' falta escrever o tal do personal statement - que nao e' dificil, mas ter que analisar tua vida de tras pra frente pra justificar tua escolha e' algo que requer no minimo disposicao mental. E aja cabeca pra fazer uma retrospectiva a essa altura do campeonato...

10.2.06

Esse Caetano e' hilario...

Tava dando uma rodada pelos blogs do povo do Globo (um exercicio de paciencia, mas tudo bem), quando achei isso no blog do Jorge Bastos Moreno: diz que o Caetano Veloso ficou furiosA quando saiu na IstoE' Gente que ele tava em Salvadore de mao dada com uma mina e ainda por cima, tomando banho no mar de cueca. Tanto foi a indignacao do cantor com a falta de cuidado da impressa colunista brasileira que ele foi la' e botou toda a raiva num email. Olha so' o que saiu:

"Fiquei chocado com a falsidade das
informações. Ali é dito que apareci de mãos dadas
com uma nova namorada no ensaio do Cortejo Afro, em
Salvador, que tomei banho de mar de cueca e que fui
levar presente para Iemanjá.[...]Não cheguei de mãos
dadas com ninguém àquele local. [...]Se eu tivesse uma
nova namorada e fosse com ela a um lugar público,
vocês teriam oportunidade de reunir evidências.

No dia seguinte, fui a uma praia
distante, com um grupo de amigos que não incluía a
moça em questão, usando uma sunga de jérsei
azul-rei, de marca Blue Man, com etiqueta na parte interna e
um bordado da marca no lado esquerdo da parte da
frente. É um sungão, não é uma cueca. Já fui à praia de
cueca centenas de vezes, nos anos 70. Iria de novo se
quisesse. Mas não o fiz em Salvador agora e detesto
ler que fiz o que não fiz. [...]

Tudo bem, eu sei que vocês vivem de entreter seus
leitores com histórias sobre pessoas famosas. E eu
sou famoso (e estava com alguns amigos célebres naquela
praia). Mas ao menos esperem histórias acontecerem.
Tenham respeito por mim. Tenho 63 anos e uma longa vida de
trabalho com música popular.


Caetano Veloso
"


Que isso hein, colegas? Chequem seus fatos com mais exatidao.

:D

Bollocks, but it's fun

Saiu uns reviews meus no site do jornal da facul. E uma materia sobre estudantes com filhos. So' pra quem le em ingles. :)


*

Outra indulgencia da minha parte: tem um revistinha em Balneario Camboriu chamada Up Pocket, que e' na verdade um mistura de coluna social dos modernos da area, mais materinhas de moda, musica e entretenimento. Eu, bem metida (e pensando na minha amiga Isa com quem eu vivo trocando fofoquinhas do mundo futil londrino), fui la' e perguntei se o dono, Coninck Jr, nao queria uma coluninha de moda direto de Londres. Topou. Tai' a minha primeira correspondencia internacional :PPPP

pena que a revista nao tem versao online. Mas quem sabe eu nao boto aqui o besteirol todo.

9.2.06

the sun shines...

Tem feitos dias maravilhosos de sol, acreditem ou nao. E o melhor, ja' ta' anoitecendo uma hora mais tarde, la pelas 5 e pouco. Incrivel como parece que a produtividade aumenta quando o sol nao so' brilha, como brilha por mais tempo.

Dai' tenho aproveitado pra tirar da gaveta um dos planos que eu tinha pra 2006: acordar mais cedo e caminhar. Eu moro num condominio de frente pro rio tamisa, cheio de espacos enormes pra se exercitar, parques, um pier, e uma vista linda (pro centro financeiro da cidade, mas ja' e' alguma coisa). Com o sol brilhando a toda, apesar do vento gelado, consegui ate' arrancar o maridon mais cedo da cama e arrastar ele pra caminhada. Ja' estamos no segundo dia e os planos sao comecar a correr. Vamos ver ate' quando isso vai durar.

***

Quando acho que as coisas na faculdade estao indo bem, aparece uma reuniao pra estragar todo meu entusiasmo. Parece que tenho escrito horrores, e nao vejo o menor resultado. Nao ter feedback e' uma merda. Como eu vou poder melhorar se eu nao sei o que os outros pensam do que eu escrevo?

***

Tem dias que eu estou super otimista em relacao a essa coisa toda de jornalismo. Tem dias que eu so' quero me enfiar num buraco e sumir.

***

Vi ontem The New World, o fime sobre a Pocahontas com o Colin Farel. Nao sei direito ainda o que eu achei. A falta de dialogos, o excesso de voiceovers, e a edicao meio jumpy fez o filme ser muito dificil de acompanhar. A sala apertada e a tela minuscula do Odeon em Wardour Street tambem nao ajudaram. Pelo menos umas 6 pessoas levantaram no meio do filme e sairam da sala. Mas o mais interessante e' que, por mais que eu quase tenha dormido half way through (eu tava tao cansada), certas partes do filme nao saem da minha cabeca. Foram varias as sequencias enigmaticas, onde nao ha' demostracoes tipicas de paixao entre os protagonistas (nao ha' uma cena de sexo, ou mesmo um beijo, entre Farel e Q'Orianka Kilcher - o nominho dificil) e apesar de eu gostar quando as coisas ficam subtendidas, achei que aqui ficou subtendido talvez um pouco demais, a ponto de as coisas ficarem meio sem sentido. Ou talvez eu deva assistir o filme de novo pra conseguir absorver todo o leque nao-transparente de emocoes que existem nesse filme.

Ponto positivo pra trilha sonora, though. Intrigante e por isso mesmo, excellente.

***

Tenho que voltar a pensar mais na minha monografia. Ou melhor, deixar de pensar, e comecar a escrever.

7.2.06

vai virar guerra

E diz que sabado vai rolar duplo protesto em Trafalgar Square: de um lado, muculmanos em suporte do movimento Unite Against Islamophobia, e do outro, o que parece ser um grupo de aliados ao BNP, o partido britanico "branco", famoso pelas demosntracoes de xenofobia.

Claro, se e' que a policia metropolitana vai permitir isso.

No minimo, vai dar pra tirar otimas fotos.

Ops



Looks like fellow Brazilian journo Rinat got herself into trouble. Her blog just became the target of flame comments after she made the unfortunate mistake of posting a picture of herself wearing a Hamas scarf, while covering the Palestinian elections. It wouldn't be so weird if she wasn't an Israeli jewish journalist...

Flags



O jornal The Guardian levantou uma questao bastante relevante a respeito da causa dos Cartoons Muculmanos: com todos esses protestos acontecendo nos paises do Oriente Medio, voce ja' se perguntou daonde e' que eles conseguiram tantas bandeiras da Dinamarca pra queimar em tao pouco tempo?

Nao e' possivel que as lojas de bandeiras em Jakarta tivessem centenas em estoque, so' em caso de a Dinamarca virar o foco de atencao dos protetos.

Mas e' possivel que os protestos nao tenham sido nada espontaneos, uh?

1.2.06

films, films, films




So far, so good.

Voltei super ativa pro jornal da facul, escrevendo horrores. O forte desse termo vao film reviews, pelo visto, porque tenho agendado uma serie de screenings de filmes coming up, com direito a comes e bebes e super soundsystem so' pra jornalista. Ah se eu ainda fosse remunerada... bom demais pra ser verdade.

Mas pelo menos tenho ido ao cinema 4 vezes por semana, e ate' agora, janeiro e fevereiro tiveram uma safra bastante decente. Jarhead, Brokeback Mountain, Proof (sou so' eu, ou parece que esse ano todos os filmes tem o boniton do Jake Gyllenhaal no casting?), Hidden, Good Night and Good Luck, Lady Vengeance.

Logico que sempre existem os lowlights: Shopgirl e Casanova poderiam ter passado despercebido.

Vou comecar a postar por aqui mesmo o que eu tiver escrito, ou pelo menos o link dos textos. Porque escrever duas resenhas do mesmo filme, uma em cada lingua, fica cansativo demais.

30.1.06

Back to Reality 200.6

Demorei ne'. Pra variar. E' que as ferias no Brasil foram taaao relax, tao brainless, que nem com a minha monografia eu me preocupei. Foi so' alegria: pai, mae, amigos queridos, praia, cerveja gelada, pescaria, dormidas na rede, pouca balada, e uma ida historica ao motel :) Passou voando, como sempre passa tudo que e' gostoso demais pra ser verdade, e here I am, de volta ao frio caotico de Londres.

Talvez tenha sido as ferias, talvez tenha sido a consciencia repentina de que esse talvez seja meu ultimo ano residindo na capital inglesa, mas voltei com a cabeca limpa e com vontade de fazer as coisas da maneira certa. Os ultimos meses de 2005 foram absolutamente shitty, e eu fiz uma promessa secreta pra mim mesma de que esse ano eu iria ficar de bem com a vida. Chega de mal-humor. To viajando de nao achar que essa e' a melhor epoca da minha vida.

Afinal, so' nessa cidade acontecem coisas que te fazem rir. Por exemplo, agora mesmo, sentadas aqui do lado na Borders, estao duas fans de meia-idade do A-HA, de camiseta, buque de flores e tudo, esperando nervosamente pela chance de chegar perto de seus idolos as 5 da tarde na HMV, a super loja de cds na Oxford Street. E elas desceram de la' da Escocia, hoje mesmo, so' pra ver a banda que elas amam desde os anos 80. Eu sei porque elas vieram falar comigo quando eu olhei de canto de olho. Mal podiam conter a propria excitacao.

30.11.05

Life is About Constant Longing

Ainda no assunto do livro abaixo, semana passada no trem li isso na pagina 81:

"As far as friendships and relationships go, I've never gone in for visits and constant phone calls. The daily emotional weather report makes everything bland and cheap. Your feelings can seem so fragile and unlikely, why not keep them strange and beautiful instead of sharing them with anyone who'll listen. I think people should learn to spend more time in their heads, they should come to their own terms."

Eu sou bastante assim. Escritinho do jeito que ta' ali em cima. Eu nao sou de fazer ligacoes diarias, de comprar presentinhos, de narrar minha rotina detalhe por detalhe constantemente. Eu nao consigo dar atencao ou receber atencao demais. Eu tenho reservas de energias muito limitadas e que se esgotam em minutos de uma conversa sem sentido. Eu costumo esperar as pessoas me contatarem ou me convidarem, e dependendo de onde vem o convite, recebo e me jogo de bracos abertos. Mas depois eu preciso engatinhar de volta pra toca, ficar quietinha com meus livros, minhas trilhas sonoras, minhas peliculas, reconstruir minha reserva energetica.

Tem uma palavra pra isso: anti-social.

Obviamente, existem consequencias, e a maior de todas e' quando as pessoas simplesmente cansam de esperar e param de vir atras. Ninguem gosta de pedir o tempo todo. O resultado acaba sendo mais ou menos o que virou a paisagem da minha vida: povoada de pessoas conhecidas e muito interessantes, mas que nao possuem o menor dos lacos emocionais comigo.

Tenho sentido bastante isso nos ultimos tempos. Algumas semanas atras mesmo reconheco que fiquei chocada quando de repente ela comecou a gritar e dar tapas numa mesa (talvez pra reafirmar a forca das acusacoes), dedo em riste e lagrimas borrando a maquiagem.

"Voce nao sabe manter amizades!"

A maioria das pessoas nao reagem dessa maneira 'a minha distancia, mas algumas nao conseguem conter a frustracao. Eu, sendo anti-social, sempre consigo. Nao existe a menor possibilidade de eu fazer uma cena publica, se no final quem vai acabar me ridicularizando sou eu mesmo. Eu tenho um cinismo solido embutido e engatilhado dentro de mim, um mecanismo anti-cliche.

Lembro de ter sido acusada da mesma coisa la' pelos meus 13 anos, quando uma amiga que sempre fazia festinhas em casa e viajava horrores reclamou que eu nunca convidava ela pra um jantar sequer na minha casa ou respondia os cartoes postais que ela enviava. Eu achava que nao tinha necessidade, se a gente ja se via e se falava tantas vezes na escola, na casa dela, na aula de ballet, nas festinhas. Eu ficava grata pelos momentos que passavamos separadas, porque eu podia me desvincular e procurar conhecer um pouco mais sobre mim mesma. Eu, como um ser individual.

Eu nunca achei que as pessoas precisassem estar permanentemente em contato, respirando o mesmo ar, vendo, ouvindo, trocando incessantemente as mesmas informacoes. Certos momentos, em meio a uma festa ou um bate-papo, eu entraria num estado tao profundo de tedio que eu sentia minha garganta dar um no' e meu cranio rachar, liberando minha mente pra um lugar longe, onde felicidade deveria ser inversamente proporcional 'a falta de tedio.

Obviamente, minha amizade com aquela menina nao durou tanto como quase todas as outras nao duraram ao longo dos anos, assim como descobri que mesmo nas capitais mais movimentadas do mundo existe a possibilidade do tedio. So' que agora, ironicamente, ele e' resultado do excesso de momentos de isolamento.

Faltam amigos.

Your Time is Now



Sao poucos os livros que eu tive vontade de reler na vida. Sao tantos os que eu quero ler que eu normalmente acho que vou morrer antes de dar tempo de ler tudo e por isso prefiro nao repetir. Mas uma vez ou outra, rarissimas excecoes cruzam meu caminho - eu diria que em 23 anos, 3 ou 4 desses apareceram - e ai' de-lhe escarafunchar o tal do livro, memorizar paragrafos, sublinhar paginas inteiras, reler, reler, reler. Cold Water, dessa menina Gwendoline Riley, e' um desses. A prosa dessa mina e' tao maravilhosamente minimalista e incisiva, tao contemporanea, que eu tenho vontade de imitar tudo o que ela escreve. Mas o melhor de tudo e' a maneira romantica e apaixonada com que ela representa a frieza e o tedio de Manchester, atraves da rotina repetitiva de uma barmaid que vive de frequentar gigs depois do expediente vende livros e discos nos sebos quando o salario acaba antes do tempo, e cria lacos com os excentricos que frequentam o bar que ela trabalha. E tudo isso faz com que eu me lembre o quao potencialmente romantica e inspiradora a minha rotina cinzenta em Londres pode tambem ser.

29.11.05

blog depression


Ha'. Achei a resposta pro problema da falta de posts por aqui. Alem de S.A.D., ando sofrendo de Blog Depression. E' uma sindrome de humor que afeta blogueiros de todos tipos e idades. Segundo o panfleto, os sintomas sao:

-Perda do tesao pela internet

-Sentimentos de decepcao e auto-critica

-Reclamacoes passivo-agressivas e extensao cada vez maior do intervalo entre posts.

Entre os mais afetados, estao gente como eu - the journalers - ou escrevedores de diarios que de repente se questionam se realmente alguem nesse mundo se importa com questionamentos egocentricos sem sentido. Em alguns casos extremos, a pressao de postar e' tao grande que chega a causar ansiedade severa e resistencia bioquimica (ou esquecer que o blog existe atraves do uso de substancias alteradoras de consciencia.)

A cura? Tirar um break, ignorar estatisticas que revelam um numero cada vez maior de blogs, e largar de ser tao metido a ponto de achar que o mundo sente falta de um diarinho mane' que nem esse.

4.11.05

Winter Blues

Entra ano, sai ano, e eu nunca consigo evitar a crise do inverno. Ando suspeitando de que sofro de S.A.D. ( Seasonal Affective Disorder), ou em bom portugues, "Essa Merda De Inverno Acaba Com Qualquer Humor." Acordar todo dia com ceu cinzento (isso quando nao esta' completamente escuro as 8 da manha), tomar chuva porque a ventania destroi o terceiro guarda-chuva da semana, e ver o dia acabar as 4 da tarde enquanto vc ainda tem zilhoes de coisas pra fazer e nao pode voltar pra casa, deixa qualquer um depre. Ou pelo menos, deixa a minha normalmente bem-humorada pessoa depre.

E nao e' so' isso. Essa epoca do ano e' a mais busy de todas, quando alem de passar frio e tomar chuva, vc anda espremido dentro de trens na ida e na volta, passa o dia inteiro levando bronca e discutindo com os outros porque tem zilhoes de prazos acumulando, fica sem comer direito porque nao da' tempo ou a comida da cantina/area em volta fede, e chega em casa 10 da noite arrasado porque nem tempo da' de sair ou fazer alguma coisa pra se divertir porque no outro dia tem que acordar cedo pra repetir toda a rotina.

Nao e' a toa que a minha vida social e' quase nula. E nao e' a toa que hoje em dia eu venero o sol.

***

Essa semana andei repensando por que em 4 anos "on the move" eu ainda nao consegui achar um canto que eu seja feliz. Uma coisa que eu nunca tinha me dado em conta ate' entao foi que o padrao das cidades que eu morei coincidem. Curitiba, Boston, Londres. As tres tem invernos matadores, sao povoadas de gente fria e esnobe, e sao enormes. Uma mais que a outra, mas ainda assim, pra quem cresceu num vilarejo que nem Balneario Camboriu, todas sao imensas. Por outro lado, as tres sao cheias de atracoes culturais, cheias de gente inteligente e inovadoras, cheias de festas pra tudo que e' gosto, e sou eternamente grata por ter tudo isso ao meu alcance. Mas falta interacao. Falta calor humano. Falta... nao sei o que falta. Talvez seja eu que ando me isolando, que sou fria e esnobe e cinica, que me recuso a ir nas tais festas encontrar gente inteligente e inovadora. Ou talvez seja a falta do sol que me faz querer me enfiar embaixo das cobertas e nao sair mais de la ate' o proximo verao... Nao sei.

So' sei que inverno que vem nao quero mais ter crise nenhuma. Talvez seja a hora de mudar de novo. Dessa vez sem repetir padrao.


***


Por outro lado, so' em Londres vc esbarra na mesma semana com duas lendas do cinema britanico, Mike Leigh e Terry Gilliam, e consegue dedicatorias em livros de dois artistas mundialmente famosos que nem Tracey Emin e Neil Gaiman sao.

So' em Londres vc consegue falar numa conversa que esta' planejando escrever um roteiro / bolar um desenho animado / criar um coletivo artistico, sem parecer pedante/estupido/metido ou sem receber olhares de pena ou choque em troca.

So' em Londres voce chuta paparazzis no meio do caminho pra conseguir ver a Madonna ou o Mickey Rourke entrando no cinema de Leicester Square.


Londres e' RUBBISH, mas ate' que tem seus momentos...

12.10.05

She's Hearing Voices

Ando apaixonada por Jeff Buckley. "Everybody Here Wants You" deve ser umas das musicas mais lindas que eu ja' ouvi na vida.

Ando questionando seriamente minha escolha por jornalismo.

Ando questionando seriamente minhas amizades. Ou melhor, a falta delas. Falta gente com ideias, vontades, visoes, gostos parecidos. Ou pelo menos, gente com tolerancia e com coisas pra ensinar. Gente que me ajude a crescer, que cresca junto, que veja a vida com mais leveza e mais entusiasmo.

Ando mais interessada em rock do que qualquer outra coisa.

Ando interessada em psicologia.

Ando interessada em teatro.

Ando com vontade de produzir alguma coisa artistica. Duas ideias amadurecendo, so' nao sei ainda o formato.

Nao estou interessada em assumir que estou passando por uma mid-20's crisis. Eu ja' passei pela crise dos 12, dos 15, dos 17 e dos 21. Achei que depois dos 21 eu so' ia ter crise de identidade la' pelos 40. It's not fair.

Preciso viajar mais.

Quero ir embora. O problema e', pra onde?

3.10.05

You gotta have Balls.

Alrighty. Back. Juro que dessa vez eu demorei nao porque eu estava me escondendo propositalmente como ja' aconteceu em incontaveis fases desse blog, mas porque a vida de repente deu um rush e o tempo voou. Faz o que, dois meses? Aconteceram coisas legais nessas ultimas semanas.

Fui pra Berlin. Obviamente me apaixonei pela cidade, como sempre acontece toda a vez que eu viajo pra uma cidade europeia. Da' vontade de aprender a lingua e ficar imaginando como seria a minha vida se eu morasse la'. Segundo o que eu vi, seria fantastica: os berlinenses sao tao laid-back, tao relax, de dar inveja em qualquer londrino metido a besta. Saem de jeans e tenis pra balada, leem o jornal no boteco a 1 da manha no domingo, andam de bike pra cima e pra baixo. E sao tao rodeados de historia que chega a ser opressivo pra quem nao esta' acostumado. Um dia vou morar la'.

Antes disso preciso morar em Amsterdam, em Paris, numa praia do sul da Franca e em Verona na Italia. E preciso emprestar algumas das 9 vidas do meu gato Nicholas pra dar tempo de fazer tudo isso.

Que mais... Depois consegui estagio no South London Press, um jornal local. Acho que aprendi mais sobre noticias e a rotina de um jornalista comum do que em todos esses anos estudando a profissao. Foi bom, publiquei coisas, fiz contatos, e questionei seriamente a minha escolha por essa carreira. Talvez eu nunca va' ser realmente feliz sendo uma journo, mas pelo menos essa profissao tem me ensinado licoes de vida que eu jamais aprenderia em outra... acho. Eu tenho mais balls, hoje em dia. Nossa, em comparacao com a menina que nao abria a boca por medo de parecer estupida, eu agora virei um des-bocada. Ta' certo que agora devo passar por estupida mais vezes do que nunca, mas pelo menos eu nao fico na duvida - e nem deixo os outros na duvida, obvio.

Ta'. Voltei a estudar Frances. Serio agora.

Ja' contei que eu sai' da academia? Resolvi comprar um saco de pancadas em vez disso, pra chegar em casa e descontar a ansiedade. Nada como dar umas porradas pra aliviar a tensao.

Ando fazendo amizades legais. Uma amiga nova me apresentou Jeff Buckley e me mostrou o que e' ser uma pessoa livre de verdade, em carne e osso, e so' por isso sou eternamente grata a ela. Ela vive o meu ideal de vida, ainda que em termos diferentes. Ela, sim, tem balls.

Volto pra universidade semana que vem.

Ah, e vou pro Brasil em dezembro, pra ficar uns 20 dias. Viajo no dia 25, propositalmente, pra deixar a data passar em branco. Ainda nao e' esse ano que eu faco as pazes com o Natal.

9.8.05

GRRRR!

Argh! Tinha escrito um post enorme, e o firefox fechou sem aviso previo. Po, ja' larguei de mao de usar windows/pc por causa da instabilidade. Macs are not allowed to fail!.

***

Anyway, era pra dizer que eu estava lendo um livro que anda me deixando fisicamente abalada: We Need To Talk About Kevin, de Lionel Shriver.

Que eu fui num bar de jazz fantastico ontem a noite, o Ronnie Scott's no Soho. Um dos lugares mais famosos e antigos do jazz & blues mundial.

Que eu achei a peca do David Schwimmer, aka Ross do Friends, meia boca. O cara vai sempre ser o Ross.

Que eu acheio blog dessa mina aqui e quero ser ela quando crescer: jornalista brazuca escrevendo direto da Faixa de Gaza em um momento historico.

Que ontem saiu a foto do Menezes caido e ensaguentado no chao de um trem em todas as capas de jornais. A casa vai cair pro lado da MET.


Volto depois com mais detalhes.

8.8.05

It can always be better

So far, o plano "Revamped Social Life" tem ido bem. O jantar de sexta foi gorgeous, com 1/3 da mesa chegando ao restaurante ja' bebada. Ontem a programacao "cultural" que devia ter sido o carnaval latino era mais uma festa de povao, e tirando a sujeira do parque e as colombianas mostrando partes do corpo que deviam permanecer escondidas (oh, god), ate' que foi interessante comer arroz e bife com a mao e tomar cerveja jamaicana quente.

Teve um minuto de silencio em homenagem ao Menezes com todo mundo de guardanapo branco na mao, uma imagem que passou na maioria dos jornais do mundo. Minha mae pelo menos disse que viu, ai' no Brasil.

***

Agora, o plano da semana e' "Revamp Career: Urgent". Acordei atacada hoje e mandei meu cv pra tres lugares diferentes: um nacional, um local e uma revista. Alguma coisa tem que sair.

E nao foi so' isso. Meu senso de organizacao acordou gritando e me fez escrever 5 listas e botar pendencias em dia: pagar contas, mandar documentacao (council e driving license) e organizar o proximo holiday. Porque que eu nao acordo todo dia assim, hein.

***

To lendo um livrinho danado de bom: The Finishing School, da Muriel Spark, sobre um professor de Creative Writing que se deixa consumir de inveja pelo aluno de 17 anos que esta' escrevendo um romance. Pequeno, conciso e engracado no sentido mais sofisticado da palavra. Recomendo.

***

To indo assistir hoje a noite "Some Girls", a peca de teatro do David Schwimmer, o Ross do Friends. Vai ser meio surreal ver de perto um cara que eu cresci vendo na tv.
Comentarios, mais tarde.

5.8.05

The "Yes" Girl

Nao sei se voces sao assim, mas eu funciono da seguinte maneira: quanto mais coisas eu tenho pra fazer, mais eu arrumo espaco na agenda pra fazer outras tantas. Fico podre, irritada com a falta de descanso, mas no fim das contas fico feliz com o numero de itens riscado nas minhas TO DO lists em pouco tempo. Dai', alguns meses depois, preciso de ferias e resolvo parar tudo e fazer o minimo possivel em slow motion. O problema e' que, enquanto uma semana nesse ritmo parado e' otemo, se passar pra segunda semana ja' comeco a ficar levemente culpada, achando que enquanto todo mundo esta' on the move, eu ainda estou deitada no sofa' lendo Vogue e assistindo reality shows na tv. Se chegar a entrar na terceira semana entao, a leve culpa vira um bloco de cimento em cima dos ombros e o a energia toda que o tempo descansando trouxe vira ansiedade de suar as maos.

Entao, tu ja' imagina em que situacao eu me encontro.

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Pelo menos, agora sou oficialmente membro de uma academia. Indo 4 vezes por semana e tudo.

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Nao e' que eu estou parada, paraaaada. E' que eu devia estar fazendo mais coisas em relacao ao jornalismo. Mais estagios, por exemplo. Eu continuo escrevendo os reviews pra Time Out (mandei um quarta passada sobre o ultimo livro do excelente David Grossman), mas that's about it. Perdi de ir cobrir o corpo do Menezes saindo do Heathrow pro Brasil semana passada por um motivo absolutamente besta (ter que trabalhar) e fiquei ultra, hiper, overwhelmingly culpada. Ainda mais que segundo ela O Globo tava pagando. Fora que a minha a pesquisa que eu devia estar a meio caminho andado de terminar nem sequer comecou direito. Coisas assim me fazem pensar que eu estou e' perdendo tempo, que eu ja' devia estar a passos de comecar a minha carreira DE VERDADE.

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Ate' ontem a noite, quando depois de eu soltar um suspiro desanimado e comentar "queria taaanto ja' estar trabalhando na minha area, ter uma carreira e tudo", Junior franze as sobrancelhas e diz: "quando voce tiver empregada voce vai estar dizendo "queria taaanto voltar a minha epoca de estudante".

Eu sou besta mesmo. Continuo com aquela mania de ficar sonhando com o futuro, e quando o futuro vira presente, nao aproveito nada porque fico sonhando com o "proximo" futuro. E assim vai.

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Outra coisa: preciso reativar minha praticamente morta vida social. Anos de dedicacao a arte de evitar contatos e rejeitar convites resultou na tragica (porem nao instantanea) morte da minha antes agitada vida social (tinha uma epoca que eu era mais conhecida pelas festas que frequentava do que pelos jornais que eu lia). Li uma coluna esses dias de um cara que depois de se encontrar na minha situacao (enfurnado dentro de casa todo fim de semana na frente da tv), ele resolveu passar um ano dizendo "sim" pra tudo. Tudo. Desde spams oferecendo equipamentos pra aumentar o penis ate' convites pra noites de swing. O veredito final foi "minha vida nunca foi tao espontanea e cheia de aventuras". Fiquei pensando que talvez eu devesse fazer a mesma coisa. No minimo eu teria boas historias pra contar.

+++

Sendo assim, eu disse "sim" pra um jantar hoje a noite num restaurante belga com amigos de amigos. E sim pra um festival de salsa no domingo no sul da cidade. E agora ou nunca que eu saio da toca.

28.7.05

We're (still) not afraid

Entao, passou o rebulico todo. De novo, outro ataque, esse mais perto, mais mortal, mas nem por isso mais efetivo. Aconteceu 10 minutos de distancia do nosso resort, numa area cheia de nightclubs, onde a gente tinha pensado em ir naquela mesma noite. Mas a gente tava cansado do sol o dia todo e largamos de mao.

Mesmo com todo o drama, o que ficou na cabeca foram mesmo os dias longuissimos de sol, 42 graus sequinhos, o Mar Vermelho transparente cheio de peixes de aquario e corais ate' na beira, a staff egipcia super amigavel que falava italiano melhor que ingles e que ficava fascinada quando diziamos que a gente vinha do pais do futebol, a sorte de ter uma lua cheia gigante refletindo no mar, o bar da piscina, comida e alcool o dia inteiro, o passeio de moto no deserto, o cha' da tarde com os beduinos, o mergulho nos riffs no meio do mar, os shows ultra-cliche de danca do ventre na hora do jantar, os turistas russos querendo mostrar a afluencia se vestindo de Dior do oculos ao chinelo de dedo, a mulherada tomando sol nos peitos sem a menor vergonha, o sol, o sol, o sol.

Porque foi so' chegar em Londres pra o tempo mostrar toda a sua miseria, e agora ta' que nao para de chover.

+++

E chegando, o drama recomeca: ja' na porta do aviao, a policia esperava querendo depoimentos dos passageiros. Nos corredores, homens armados ate' os dentes, de metralhadora pronta, observando todos os nossos movimentos. Na segunda de manha, o rosto do Brasileiro figurava na capa de todos, TODOS os jornais. A comunidade brazuca se indigna, entra em panico, xinga a policia - pra no fim descobrirem que quem tava errado era o Menezes tambem, por estar ilegal por essas bandas ha' mais de dois anos, motivo pelo qual ele deve ter botado o pe' na tabua. E ontem, aparece uma oportunidade de cobrir a ida do corpo do Brasileiro de volta pra casa, pro Globo, e nao pude ir. Peso na consciencia gritando nos ouvidos, preciso correr mais atras. A hora e' agora, ne' nao?

Mas a verdade e' que eu queria tirar outra semana de ferias.

23.7.05

Escapamos, parte 2.

Eu nao estava planejando voltar aqui antes de chegar em Londres, mas depois dos eventos de ontem a noite, fui obrigada a deixar pelo menos um post.

Ontem de madrugada rolou outro ataque terrorista, aqui em Sharm El-Sheikh. Parece que tres carros bombas explodiram em resorts e no centro noturno do balneario, nao longe aqui do resort onde estamos. Ate' agora o numero de mortos esta' por volta dos 50.

Felizmente estavamos na seguranca dos nossos quartos e so' ficamos sabendo dos atentados porque a tv estava ligada na CNN e acabei acordando sem querer com as imagens da explosao. A staff do hotel se recusa a comentar o que aconteceu, tentando manter os hospedes na ignorancia, com medo de perder business.

Lembro de ter brincado ainda no aviao com o meu namorado: "Fica longe desses britanicos vestindo a camiseta da selecao inglesa que e' capaz de a gente virar alvo!"

Espero que eles nao estejam entre as vitimas.

Volto pra Londres amanha, e conto o resto.

17.7.05

See Ya Later!

To de saida pro Egito. Diz que ta' 38 graus la'. Y-ha! Volto em uma semana. Beijos!

15.7.05

Ironias

Shakespeare ficaria orgulhoso se soubesse que hoje em dia, nao importa o tamanho da tragedia, sempre tem espaco pra uma piadinha. So' hoje, lendo os jornais daqui e do Brasil, achei tres.

Diz que depois que o trem da Picadilly line explodiu, os passageiros do terceiro vagao entraram em panico por uns 5 minutos e depois resolveram sentar e esperar quietos, nao se sabia pela morte ou pela ajuda. Quando a ajuda chegou e as portas se abriram, tinha gente esperando a vez de sair, dizendo educadamente "After you, sir." Mais Britanico impossivel.

E a dona da Daslu, o maior simbolo de desigualdade no Brasil, foi detida pela Policia Federal, acusada de "sonegação fiscal, formação de quadrilha, contrabando, falsidade ideológica e crime contra a ordem tributária." Como se no Brasil fosse possivel subir na vida sem apelar.

Agora o Caetano ser acusado de apologia ao terrorismo foi a melhor de todas. O jornal colombiano El Tiempo afirma que a musica "A Luz de Tieta" faz referencia ao grupo terrorista basco ETA, quando Caetano canta no refrao "eta, eta, eta, é a lua, é o sol, é a luz de Tieta, eta, eta". Fazer musicas nos anos 70 com mensagens anti-ditadura embutidas nas letras e' no minimo ambicioso de Caetano, mas apelar pra terrorismo internacional ja' e' ser fominha.

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Falta dois dias pra eu me mandar pro Egito. E logo agora descobriram que o mastermind das bombas em Londres e' egipcio e foi preso hoje em Cairo. Eu nao podia ter escolhido uma epoca melhor pra ir pra la'.

12.7.05

Frieza ou Maturidade?

Diz que os espanhois estao indignados com a maneira como os Britanicos reagiram aos ataques. Enquanto em Madri rolou demonstracoes, vigilia e abracos coletivos depois do atentado que matou 190 pessoas, aqui os mortos foram enterrados com indiferenca. Segundo um colunista do jornal El Correo, "a ideia de que as pessoas reagiram de maneira civilizada e ordenada foi motivo de orgulho nas conversas, em um pais onde a palavra 'emotivo' e' visto como um defeito de personalidade."

Outro colunista ja'discordou, elogiando o comportamento Britanico como "maduro e democraticamente responsavel", a razao pelo qual Britania jamais teve contato com facismo e comunismo.

Concordo com os dois pontos de vista. Como eu ja' disse aqui antes, tive uma sensacao de estar errada por ter continuado a levar a vida como se nada tivesse acontecido, ainda no proprio dia dos atentados. Mas ate' ai', eu tambem compartilho com os espanhois a ascendencia latina. Nao tem como pedir que os Britanicos chorem e se descabelem quando nem beijar na boca em publico eles fazem. Cada cultura reage a sua maneira.


http://www.guardian.co.uk/attackonlondon/story/0,16132,1526599,00.html

Blogs and Ipods

No fim das contas, eu ainda sai' lucrando com a historia toda dos atentados. O fenomeno da participacao do publico na cobertura em tempo real dos acontecimentos apareceu na hora certa e tem absolutamente tudo a ver com a minha dissertacao final do meu curso. Com a ajuda de "reporteres-cidadaos" e blogueiros, munidos de celulares com cameras e broadband internet, a midia teve acesso a imagens e versoes dos fatos que nao teria se dependesse apenas de seus proprios jornalistas. Esse blog inclusive passou por uma experiencia parecida e vai ser incluida na versao final da tese. Ta' feita minha pesquisa de verao.

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Alias, achei que essa pesquisa ia ser o projeto mais trabalhoso que eu me engajaria durante as ferias de verao, mas outro projeto tem me dado mais dor de cabeca: organizar o Ipod. Meses entochando mp3s no brinquedinho resultou numa bagunca musical sem precedentes. Quando me dei conta, eram mais de 5,000 arquivos numa sequencia sem sentido, fazendo com que eu acabasse escutando menos de 200 e olhe la'. Fora os gazilhoes de artistas que eu nao tinha a menor nocao de quem eram e como diabos eles foram parar ali. Ai' nao tem como fugir mesmo: o negocio e' escutar tudo, eliminar tudo o que ta' sobrando e organizar tudo em playlists detalhados, desde "Sounds to Wake-Up To" ate' "Guilty Pleasures". Esse ultimo, alias, vai acabar sendo o mais longo dos playlists.

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Time Out mandou livro novo pra fazer resenha. Duas novela num livro so', chamado Lovers and Strangers, de um israelense chamado David Grossman. Continuo sendo nao-paga, o que provavelmente me inclui no time de FREE-lances da revista. Ai se o Sindicato descobre que eu estou me deixando ser explorada...

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Nao deve existir um filme de comedia mais original e engracado que Napoleon Dynamite nos ultimos tempos. Ja' assisti umas trocentas vezes e sempre passo mal de rir do comeco ao fim. Jeez!

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Faltam cinco dias pra eu esquecer que Londres existe e largatear no sol Egipcio por 7 longos e interminaveis dias. Can't wait.

11.7.05

Ain't No Sunshine...

Nao so' o seu Primeiro Ministro disse, mas a vossa majestade Elizabeth II tambem declarou pra quem quiser ouvir que terrorista nenhuma ia mudar o estilo de vida britanico, quanto mais o Londrino. E quer maior prova disso do que hoje? Mais importante do que anuncios de pacotes suspeitos sendo encontrados em estacoes aleatorias, e' a noticia de que o sol, entidade venerada por essas bandas, planeja dar as caras no dia mais preguicoso da semana. Foi com gosto que todo mundo fugiu do sistema de transporte e bateu perna pelas ruas de Londres, nao por medo, mas por prazer de sentir o calor queimando a pele branca esquecida por meses embaixo de camadas de tecidos.

Eu fui dar as caras naquele bairro (?) com cara de vilarejo do interior que e' Greenwich. Tudo entupido de gente. Os mercadinhos, as feiras, o parque, tudo bombando. Por breves minutos eu senti uma leve irritacao quando os garcons do restaurante mexicano se recusavam a olhar na direcao da nossa mesa, mas passou depois de sentir o burrito digerir vagarosamente no meu estomago enquanto eu lia a ultima Marie Claire deitada na grama. Se nao fosse pelo telefonema da minha mae horas depois perguntando se eu sabia da ultima bomba em Kingston, eu nem teria lembrado que a tres dias atras a cidade sofreu atentados terroristas. Assim como eu, certamente a grande maioria dos londrinos desligou a TV, ignorou os jornais e em vez disso foi jogar freesbie com os amigos, ou levar o cachorro pra correr, ou tomar um sorvete ou uma pint sentado na calcada.

Ninguem esqueceu e jamais vai esquecer que ainda tem gente sofrendo enquanto procura por seus entes queridos desaparecidos nas explosoes, e meu coracao aperta toda vez que vejo a foto de alguem emoldurada por um "Missing" presa em algum poste. Mas como o proprio Tupac cantava antes de desaparecer, "Life Goes On..."


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Pessoas que entraram aqui via Globo.com, podem me dar uma luz por favor? Aonde que esse blog foi citado?

By the way, obrigada pelos comentarios. Much appreciated. :)

9.7.05

O dia seguinte.

O dia seguinte comecou normal, a nao ser pelos noticiarios na TV repetindo as cenas dos ataques exaustivamente. O underground voltou a funcionar, mas ninguem quis arriscar e arrumou outras maneiras de se transportar: a pe', de onibus, de bike, de taxi. Se nao fosse pelos inumeros policiais nas estacoes e pelas manchetes dos jornais mostrando as fotos dos desaparecidos, um turista qualquer iria achar que a cidade nem saiu dos eixos. Mas alguma coisa ainda para no ar. Um clima estranho, meio pesado, de medo. Ou talvez deve ser eu, que nao consegui evitar uma certa depre batendo depois dos eventos de ontem. Parece que nao deu tempo de absorver o choque, nao deu tempo de lamentar os (ate' agora) mais de 50 mortos. Tony Blair foi firme ao declarar que terrorismo nenhum ia mudar a vida dos Britanicos, que ninguem ia parar pra entrar em panico porque a vida tinha que continuar. Mas me pareceu errado sair pra trabalhar, encher a cara, ignorar o quanto a vida e' fragil. Dai' sai' de casa hoje com uma nuvenzinha negra em cima da cabeca, observando as expressoes das pessoas nas ruas, nos trens, nos bares. Pode parecer que todo mundo estava com a mesma cara, mas eu tenho certeza que cada Londrino, de qualquer nacionalidade ou fe', tem agora um cicatriz no coracao. Eu, pelo menos, to sentindo a minha.

8.7.05

Londres, Sete de Julho.

Tudo comecou com um telefonema confuso as 9 da manha. Junior, meu namorado de quase 5 anos, reclama no celular por ter acordado atrasado pro trabalho e pra piorar, os trens estao todos atrasados.

"Amor, da' pra voce ver na internet uma rota diferente pra mim? A Jubilee line ta parada."

"O que aconteceu?"

"Nao sei, os tiozinhos nao querem falar, mas ouvi alguem comentar sobre uma explosao no underground. Aproveita e ja' ve se saiu alguma noticia sobre isso."

E assim comecou o furor. No site do Guardian e da BBC, duas breves notas diziam que o metro estava criando confusao na cidade depois de uma corte na energia ter acionado uma explosao em uma das linhas. Cinco minutos depois, clico no botao de atualizar e a nota ja' e' maior: uma linha nao, duas. Parece ate' que dois trens acabaram batendo.

Ligo de volta pro meu namorado. "Acho melhor voce pegar um onibus. Ta' dizendo aqui que o underground esta' todo parado."

Mais alguns minutos depois e todo o sistema de metro e' suspenso. Resolvo ligar a tv, a BBC provavelmente deve soltar comentario nas noticias entre os programas de decoracao e reformas de casas.

E la' estava. Bombas no underground. Oh, nao. O dia fatal, tao esperado, tinha chegado. Em questao de minutos, os numeros foram aumentando. Nao foram duas explosoes. Foram sete.

Ligo de volta. "Aonde voce ta'? Tem bombas nos trens, pelamordedeus, cuidado!"

"Eu to sabendo. Sai do onibus, to no DLR. Mas acho que vou andando, to me cagando de medo de ficar aqui dentro."

Nao era a toa. Meia hora depois, todos os canais entram em plantao, fazendo cobertura das estacoes atingidas. Meu coracao vem parar na boca quando o apresentador anuncia que tres onibus no centro explodiram. Parece que um teve o teto completamente arrebentado.

Pego no celular e tento contatar os amigos mais proximos e a familia no Brasil. La' tambem, as noticias voam. "Pelamordedeus filha, nao saia de casa!" Eu nao estava planejando sair ate' a noite. Ia passar o dia ali, na frente da televisao, com o Powerbook no colo, checando minuto a minuto os acontecimentos do dia mais antecipado e mais temido de Londres.

Ligo no trabalho. "Ta todo mundo aqui, todo mundo bem. Tudo isso ta sendo devastador, mas a vida continua e nos vamos trabalhar normal ate' fechar." Nao e' possivel. Sera' que voces nao veem que Londres esta' sofrendo ataques terroristas??

Pouco antes da policia cortar os celulares pra deixar as linhas livres pros servicos de emergencia, Junior liga de volta. "To num pub aqui em Canary Wharf. Ta' lotado, todo mundo bebendo cerveja e assistindo a tv. Ninguem ta' em panico."

Era verdade. As imagens na TV mostravam pessoas cobertas em sangue e fuligem dando a propria versao das explosoes de maneira absolutamente calma. Alguns fazendo piadinhas ainda, entre risadas meio nervosas. Horas depois, quando sai' pra trabalhar, as ruas estavam cheias de pedrestes, parecendo mais confusos do que em panico. De repente, o mapa dos trens e onibus nao servia pra nada, o importante era saber como chegar nos lugares andando.

A noite, uma sensacao esquisita me dominava. Uma mistura de tristeza pelas quase 40 pessoas que morreram ali do lado de onde eu morava e trabalho, alivio por ter sido um ataque relativamente pequeno comparado com os de Madrid e de USA, e curiosidade pela maneira como os Londrinos enfrentaram a crise. As onze da noite, a vida parecia ter voltado ao que era antes com pessoas saindo aos tropecos dos pubs e bares, black cabs e night buses trafegando em normalidade surreal.

Chego em casa na madrugada do dia 8 e fico aliviada de ver Nick, meu gato. Me peguei com inveja dele, que mesmo depois de tudo, permaneceu assim, preguicosamente ignorante do mundo la' fora.

5.7.05

Lost

As vezes me bate uma ansiedade quando eu me dou conta do tanto de coisa que acontece por essas bandas e eu nao consigo ir em quase nenhuma delas. Festivais, por exemplo. Ano entra, ano sai, e nada de eu ir em nenhum deles. Glastonbury passou com alagamento, Coldplay e tudo e eu perdi. Lembro ainda na minha epoca de teenager clubber quando eu sonhava em ir pro Homelands. Nossa, era uma coisa tao fora do alcance que eu imaginava que o dia que eu conseguisse ir eu poderia morrer feliz no outro dia. Line-ups gigantescos so' de mega-stars da musica eletronica. Agora, hoje em dia, acontece aqui do lado, e sinceramente, nao tenho a m-e-n-o-r vontade de ir. Aquela energia teen de passar horas e mais horas pulando ao som de batidas repetidas ja' nao tem o menor apelo pra mim. Se for pra se cansar, que seja por uma mega gig. Um U2 ou um Coldplay ou uma Madonna da vida. Ou todo mundo junto, de preferencia. Como no Live8, que aconteceu sabado passado, no centro da cidade onde eu moro. O maior show da Terra, os maiores artistas vivos tocando junto, e por uma causa historica. Agora, quem disse que eu consegui ir? Nao consegui entrar nem Hide Park, que estava todinho cercado e so' os corajosos que pularam a cerca conseguiram chegar pelo menos perto dos teloes. Eu, fui dar o meu suporte ao povo Africano checando as liquidacoes da Harrods, ali do lado. Ironico, mas a verdade e' em Londres voce tem que ter espirito competitivo. As melhores oportunidades do mundo estao aqui, mas aja persistencia pra brigar com os outros milhares de fominhas que tambem querem aproveitar essas oportunidades. E da-lhe acordar cedo pra ligar pra comprar ticket, reservar mesas/poltronas/lugares com meses de antecedencia, aja planejamento e olho no calendario. E se nao for na batalha, voce fica assim, que nem eu, evitando ler os jornais pra nao saber o que se acabou de perder. Um momento historico atras do outro.

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E falando em momento historico, outro que esta' acontecendo e' a reuniao do G8 ali em cima, na Escocia. Quarta-feira vai ter milhoes protestando em Gleneagles, pressionando os homens mais poderosos do mundo a fazer alguma coisa pra mudar o a situacao do planeta. Enquanto eu estava estudando pros exames, todos os aqueles assuntos sobre globalizacao, world trade, subsidios e o caralho, tava empolgadissima pra ir la', marchar e fazer minha voz ser ouvida. Um mes depois, e' so' eu entrar de ferias, e eu me rendo aos prazeres cheios de culpa do capitalismo. Shame on me.

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Dai' eu tenho momentos assim, de enlouquecer com fashion. De comprar todas as revistas pra saber qual o ultimo trend, o label do momento, a bargain de cair o queixo. Dou uma reformadinha no armario, e posso passar o resto do ano sem lembrar que fashion jamais virou um foco de atencao.

Mas equanto estou enfervecida, ai' vai: SKINNY JEANS e' tudo na vida. Quero 15 pares.

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Eu quase nunca falo de filmes ne? E eles sao tao importantes pra mim. Na ultima contagem, segundo a Delicious Library, o delicioso programinha da Apple que cataloga todos aqueles deliciosos items na sua estante, eram 110 dvds. Preciso dedicar mais meu tempo a eles. Enquanto posso.

26.6.05

Here comes the sun

ta' dificil viu. cada vez que eu penso em voltar a escrever aqui, bate um desanimo, um 'sei-la-por-onde-comecar', que acabo desistindo. E' que tantas coisas acontecem e aconteceram que dar update em tudo fica impossivel. Ou se eu der update em uma ou outra coisa, parece que elas perdem a importancia depois de postadas - e me arrependo de nao ter falado sobre o que ficou de fora. Va' entender. Eu nao tenho mania de perfeicao, mas tenho pavor de deixar coisas pendentes. Da' ansiedade.

***

Ta', entao ja' que nao da' tempo ou da' preguica, uma breve resumo do mais legal:

1. Estou indo pro Egito passar uma semana de M-E-R-E-C-I-D-A-S ferias.

2. A Time Out publicou semana passada o meu segundo review, o meu melhor, modestia a parte.

3. Fui apontada Editora de Artes do jornal da universidade. Nao era uma das posicoes que eu estava de olho, e confesso ter ficado levemente decepcionada, mas ja' era de se esperar. Queria que essa fosse uma oportunidade pra ganhar experiencia em uma area nova - e mais seria, talvez - mas nao foi dessa vez.

O mais ironico e' que eu sempre quis entrar no meio de cultura e arte, e agora que o negocio ta' se materializando, to meio que perdendo o tesao. Va' entender.

4. Fui no show do Marcelo D2 ontem a noite num clubinho em Leceister Square. Segunda vez que eu vejo o cara, meio que na sorte (ou seria azar?), so' porque coincide de rolar free tickets e free time. Engracado que eu raramente vou em shows, por falta de tempo ou grana, e quando consigo, e' pra ver o mesmo cara cantando os mesmo hinos maconheiros de desde quando eu tinha 13 anos.

5. Tava um calor infernal ate' ontem, e domingo passado rolou ate' de botar um bikini e se jogar num trem pra Brighton. Fazia decadas que eu nao tomava sol numa praia (sem deitar na areia, porque a praia de Brighton nao tem areia, so' pedrinhas), e mesmo eu pegando o sol das 6 tarde - sim, porque agora anoitece 10 e meia e amanhece 3 e meia - foi otimo pra dar uma energizada. Mal posso esperar pelo sol egipcio.

6.6.05

Back, for good.

Faz alguns dias ja' (ou semanas) que ando ensaiando uma volta ao mundo blogger, em vao. Mas desde que decidi o tema da minha dissertacao final, senti que era minha obrigacao voltar a escrever em formato RSS. Entao, here I am.

O tema da minha tese e' (adivinha) blogs. Ou o impacto dos blogs no jornalismo, principalmente no Americano e Britanico. Esses diarios online tem virado motivo de muito bafafa' na midia do lado de ca' do hemisferio, e eu resolvi investigar. So far, me parece que essa tese vai ser a primeira conduzida dentro da minha universidade, se nao for a primeira na maioria das universidades britanicas.

Ando pensando em fazer um experimento com o blog, e ver se posso usar como base pra minha tese. Talvez desenvolver outro, menos diario e mais voltado pra noticias e materias - e ver se que tipo de publico isso atrai. Ando sem ideias no momento, mas qualquer sugestao sera' bem vinda.

Ambicioso, I know. Mas isso nao e' nada perto da minha ultima empreitada - ou tentativa de empreitada. As posicoes do LCC News, o jornal da universidade, foram anunciadas semana passada, e eu, do alto da minha pretensao, resolvi me candidatar a Editora. De mais ou menos 80 alunos de jornalismo, 4 se candidataram pra esse emprego. A responsabilidade e' grande e ninguem ta' muito afim de assumir, muito menos perder horas preciosas no bar pra ficar numa redacao trabalhando de graca. Mas no ultimo minuto, resolvi tentar. Nao sei quais sao as minhas chances ainda. Eu diria poucas, ja' que nunca se ouviu de algum editor que tenha o comandado o jornal tendo o ingles como segunda lingua. Mas veremos o resultado a partir do dia 20.

As outras decisoes tambem sao deveras ambiciosas, pra quem tava pensando em voltar pro Brasil com o rabo entre as pernas. Resolvi ficar por aqui mesmo (se a imigracao tiver compaixao, e' claro) e tentar construir uma carreira competindo com os meus colegas britanicos. E pra isso, vou tentar me jogar direto num mestrado ano que vem depois de terminar o bacharelado. Vou estudar algo em torno de business ou relacoes internacionais, porque ultimamente ando me interessando bastante por politica e economia. A gente ve quando os estudos comecam a dar resultado quando comprar o Financial Times no final de semana em vez do Guardian comeca a ser prioridade.

That's it, for now. Voltamos com mais novidades no proximo post.

11.4.05

Too Busy, mate

a mesma velha historia: ando busy demais pra pensar em posts poeticos sobre minha vida nada poetica. Mas felizmente as coisas andam dando certo, por caminhos tortuosos (nao tinha um ditado assim?)

Voltei da Italia cheia de planos, com o coracao cheio e feliz. Eita paisinho inspirador viu? Primeiro foi Veneza, que estava atopetada de gente, mas que tem os becos e corredores mais romanticos do mundo. Depois foi Milao, que apesar de ser feia, suja e desorganizada, tem a catedral mais linda que eu ja vi (o Duomo) e que por incrivel que pareca, inspirou minha espiritualidade. E depois, Verona. AH, Verona. Linda, linda, linda. Pequena, charmosa, cheia de construcoes medievais e cafes com mesas na calcada. Me deu a maior vontade do mundo de morar la'. O que provavelmente vai acontecer, assim que os meus objetivos nessa terra cinzenta tenham se completado.

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Vamos nos mudar em breve, pouco depois do meu aniversario, dia 26. Vida aqui e' assim, always on the run.

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Um book review meu foi publicado na Time Out. Fiquei rindo a toa no meio da rua quando abri a revista da semana passada e tava la, um quarto de pagina, com meu nome embaixo. Agora assim, tenho alguma coisa decente pra mostrar.

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Mil prazos se acumulando na faculdade, provavelmente vou ficar sem dormir pelas proximas 8 semanas. Nada que eu ja nao esteja acostumada.