... porque meus dias estão contados. Estou com a sensação de que a vida como ela é agora, do jeito que eu estabeleci, vai mudar. "Sensação" é um... como se fala mesmo quando a palavra que se usa ameniza o sentido forte que uma expressão tem? Eufemismo! Isso, "sensação" é um eufemismo, porque meus dias estão realmente contados, de acordo com o Home Office. Tenho 3 meses e meio, mais ou menos, até meu visto vencer e eu ter que desmanchar meu mundinho por aqui. Eu quase não tenho móveis, mas vou ter que arrumar uma casa nova pras centenas de livros e dvds e quadros e sapatos que acumulei em quatro anos de vida fora. Provavelmente, a casa nova desses companheiros vai ser um amontoado de caixas de papelão, dentro de um depósito úmido e frio - e isso me corta o coração só de pensar. Uma parte da minha história aqui na Europa encaixotada, a outra parte arquivada dentro de hard-drives e servidores. Milhares de fotos, músicas, arquivos .doc, blogs-fotologs-sites. Porque eu deixei de escrever diários de papel quando eu descobri que internet servia pra documentar minha vida de uma maneira mais interativa.
Meu gatos, Nick e Quincas, também vão ter que esquecer por um tempo a vidinha aconchegante que levam. Não, não vou botar eles dentro de uma caixa de papelão e guardar num depósito, mas vou enfiar os dois dentro de uma caixa transportadora e vou carregar eles comigo. Pra onde? Boa pergunta. Depois de tanta peregrinação, impossível ficar num lugar só pra sempre. Voltar pro Brasil é uma opção, assim como continuar na Europa é outra. As opções são muitas, mas todas vagas, incertas, flutuantes. Daqui a três meses e meio vou ter que engolir o choro, olhar pra trás com orgulho de ter terminado mais uma fase da vida, e botar o pé na estrada mais uma vez, dessa vez, e pela primeira vez, sem planos concretos, sem saber aonde vai dar. Eu, meus bichanos, e aquele que eu escolhi (me escolheu?) pra se aventurar juntos pelo mundo.
***
Enquanto isso, dedico meu tempo a aproveitar a melhor estação do ano na terra da neblina. Com a minha mãe aqui, tenho desculpa de sobra pra ver de volta cada um dos monumentos, das praças, dos parques, dos bairros boêmios, dos pubs enfumaçados, das praias de pedra e água gelada, da fauna que se veste de acordo com a área que frequenta (moderninhos em Shoreditch, punks e góticos em Camdem, white trash em Essex, madames em Chelsea, engravatados em Canary Wharf, manos em Brixton, brasileiros... em tudo que é lugar). Tenho assistido muitos filmes, lido muitos livros, tirado muitas fotos, entornado muito alcóol, e conversado por horas e horas e horas sobre futebol, moda, cirurgia plástica e a situação política na China, dentro dos trens, dos bares, na frente do rio. E eu queria estar falando em detalhes de cada uma dessas pequenas experiências, indicado tudo o que eu tenho visto/comido/experimentado, mas tenho medo de olhar pro calendário e ver que os dias ensolarados do meu possivelmente último verão em Londres passaram rápido demais, na frente do computador.
Mas eu volto aqui. Eu sempre vou voltar.
3.7.06
26.6.06
By the way...
... a greve dos professores terminou duas semanas atrás e meu resultado final saiu. Me formei com 2.1, a segunda nota máxima (algo como ter tirado B, numa escala de A a F). Tô satisfeita. Agora só falta a cerimônia de graduação, mês que vem.
Falando em acabar a palhaçada...
...minha mãe chega amanhã. heh. Estou preparando pra acordar a turista dentro de mim, porque vai rolar some serious sightseeing na capital.
"Sleeping Giant" :P
Tô pensando em parar de assistir os jogos da Inglaterra. Não só porque o futebol é entediante, mas porque não deve existir uma torcida mais xarope do que a inglesa. Por que diabos eles precisam cantar o hino nacional de 10 em 10 minutos, e tão alto que chega a apagar a voz do narrador? E por que raios o narrador tenta amenizar a situação quando o time inglês faz uma cagada atrás da outra com "that's a lovely kick"? Tomara que Portugal mande logo Beckham e companhia pra casa semana que vem, assim já acaba essa palhaçada.
Salmonela em chocolate?
Saiu nos jornais de domingo que a marca de chocolates Cadbury, a maior de UK, teve que tirar mais de um milhão de chocolates das prateleiras depois que foi detectado resíduos de salmonela nos chocolates, uma bactéria que ataca o estômago e causa febre, vomito, diarréia e dores no corpo. Mais de 50 pessoas foram parar no hospital por causa do bug. Fiquei encucada. Lembrei que semana passada ganhei dois bombons da marca, e lembro de ter comido meio a contra gosto, porque nem gosto muito desses chocolates. Será que eu fui uma vítimas?
24.6.06
O show do Massive Attack...

... ontem foi tudo o que eu esperava que fosse ser, e melhor, foi tudo o que eu queria que fosse. Chegamos no festival meio tarde já, 6 pm, e pegamos o final do show do rapper (e sexy de plantão) Pharell Williams. A sorte era que a cada show que terminava, a multidão se deslocava em direção aos banheiros e bares e ia abrindo espaço. Foi assim que fomos chegando cada vez mais perto do palco e depois do show do Flaming Lips - que foi uma loucura completa, com direito a super-heróis e papai-noéis no palco, mega balões voando pra tudo que é canto e uma entrada fenomenal do vocalista Wayne Coyne dentro de uma bola de plástico - a gente foi parar na fila do gargarejo e viu o Massive Attack de frente pro palco. Depois de lançar uma coletânea de greatest hits, era óbvio que eles iam acabar tocando exatamente isso, o que me deixou bastante feliz. 'Angel', 'Teardrop', 'Unfinished Sympathy', a maravilhosa 'Safe From Harm', 'Karmakoma', 'Inertia Creeps', todas as músicas com seus vocalistas originais (Elizabeth Fraser na foto acima, Shara Nelson, o magnificente Horacy Andy), incluindo Terry Callier cantando o novo single 'Live With Me'. Mas a surpresa maior foi o fato de não só Robert Del Naja e Daddy G abrirem o show juntos com "Risingson" , ambos estavam na maior das amizades, dando apertos de mão e hi-fives, e trocando olhares de aprovação. Pra quem tem uma história de brigas e desentendimentos bem documentada pela mídia, foi uma revelação que consagrou um dos melhores shows que eu já vi na vida.
Pra ver algum dos melhores momentos, vai clicando nos links. Aquela coisa, resolução e técnica shite (filmar com máquina fotográfica dá nisso), mas o que vale é a intenção né?
23.6.06
Thank god for the internet.
O que seria da gente sem a internet (e conexão broadband). Graças a ela, hoje assistimos o jogo do Brasil com narração do Galvão Bueno... via skype! Ligamos pelo skype pro meu sogro no Brasil, que botou o microfone grudado na caixa de som da TV enquanto a gente botava o laptop aqui no sound system de frente pra tv. Ficou perfeito, sincronizadissimo, e finalmente matamos a vontade de ouvir um grito de gol decente (4 deles!), com músiquinha da copa e tudo. Porque vocês não sabem o que a gente passa aqui com a sem-gracera da narração inglesa.
21.6.06
Sergio Mendes: Timeless
Eu citei o Sérgio Mendes no post anterior, e acabei lembrando que fazia semanas que eu queria baixar o novo álbum dele e sempre esquecia. Baixei ontem e achei uma maravilha: virou a trilha sonora de verão da semana. Eu tinha lido uma entrevista com o cara num jornal de domingo a tempos e tinha ficado curiosa pra saber o resultado da união de uma lenda da música brasileira com o Will I Am do Black Eye Peas, que é um grupinho mestre em fazer hits pop grudentos e enjoativos. E diz que foi simples assim: um dia Will bateu na porta do brasileiro carregando uma penca de vinis velhos do músico, disse que ele era a maior influência musical dele e que adoraria fazer uma colaboração com o velho. Deu certíssimo: Will chamou uma constelação de colaboradores do hip hop e soul, incluindo Stevie Wonder, Erikah Baduh, India Aire e John Legend, e juntos deram uma cara novíssima pra clássicos como Mas Que Nada, Bananeira, Surfboard e Samba da Benção. O resultado virou uma salada mista de forró e hip hop (fo-hop!), samba e rap, bossa nova e R&B – uma combinação deliciosa das culturas africanas que influenciaram tanto a música americana quanto a brasileira. Genial.
19.6.06
To de molho...
... pela primeira vez em anos. Peguei um daqueles vírus gástricos, que a gente nunca acha que pega até, bom, pegar. E por ignorância, por não lavar a mão antes de comer quando num dia se passa a mão nos mesmos corrimãos, maçaneta de porta, etc etc que milhões de londrinos passam também. E foi no meio do jogo do Brasil que uma febre absurda começou, um frio descontrolado, tremedeira, uma dor insuportável nas pernas e na cabeça, e todo mundo achando que as lágrimas nos olhos e o arrepio na pele eram de emoção. Como dizia o Sérgio Mendes, mas que nada. Saí carregada, e fui parar no walk-in centre pra tomar soro. Agora tô em casa de molho pelos próximos três dias.
+++
Daí com tempo sobrando resolvi finalmente criar minha conta no YouTube. É tão mais legal poder mostrar videozinhos pros amigos do que fotos! Postei dois pra inaugurar: um da comemoração do primeiro gol do Brasil contra a Austrália, e um dos meus gatos Nick & Quincas em uma de suas lutinhas diárias.
+++
Continuo assistindo as três partidas de futebol diárias - ou pelo menos parte delas, enquanto faço outras coisas. Pelo menos uma coisa importante até agora eu aprendi a entender (além de agora saber explicar impedimento, corta-luz, bola invertida na intermediária, e saber quem joga no Chelsea/Barcelona/Lyon/Real Madrid), e a verdade é que o cérebro feminino se difere do masculino por ser o que se chama de multi-tasking: mulher fica entediada com futebol porque não consegue manter a atenção por muito tempo nos jogos. Tem que fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Mulher fala no telefone, escreve email, cozinha no fogão e lê o jornal enquanto corre atrás do filho pequeno, tudo ao mesmo tempo. Homem, em geral, tem uma visão mais simplista das coisas: concentra numa atividade e só naquilo.
Tirando a copa do mundo, onde a qualidade do futebol faz com que qualquer desatento vire fã de jogadas memoráveis (e talvez a Champions League, e a European Cup), normalmente tem que ser bastante "concentrado" pra sacar daonde está vindo o talento, quem é que consegue dominar a bola com sabedoria e raça. E mulher, bom, mulher gosta de se dividir em 10 e prestar atenção em tudo um pouco (isso é uma generalização enoooorme, mas ando vendo que funciona na maioria dos casos).
Dito isso, futebol é um esporte, como já disse antes, deveras interessante, e se eu não virar fã de verdade, pelo menos vou ter desmistificado essa idéia de que mulher não entende de futebol.
+++
Aliás, lendo a revista Men's Health do namorado (tô falando que eu entrei numas de entender o universo masculino), uma pesquisa feita por uma rede de sport pubs revelou que 59% das mulheres sabiam explicar a regra do impedimento, comparado com só 54% dos homens. E depois falam que futebol é coisa de macho...
+++
Daí com tempo sobrando resolvi finalmente criar minha conta no YouTube. É tão mais legal poder mostrar videozinhos pros amigos do que fotos! Postei dois pra inaugurar: um da comemoração do primeiro gol do Brasil contra a Austrália, e um dos meus gatos Nick & Quincas em uma de suas lutinhas diárias.
+++
Continuo assistindo as três partidas de futebol diárias - ou pelo menos parte delas, enquanto faço outras coisas. Pelo menos uma coisa importante até agora eu aprendi a entender (além de agora saber explicar impedimento, corta-luz, bola invertida na intermediária, e saber quem joga no Chelsea/Barcelona/Lyon/Real Madrid), e a verdade é que o cérebro feminino se difere do masculino por ser o que se chama de multi-tasking: mulher fica entediada com futebol porque não consegue manter a atenção por muito tempo nos jogos. Tem que fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Mulher fala no telefone, escreve email, cozinha no fogão e lê o jornal enquanto corre atrás do filho pequeno, tudo ao mesmo tempo. Homem, em geral, tem uma visão mais simplista das coisas: concentra numa atividade e só naquilo.
Tirando a copa do mundo, onde a qualidade do futebol faz com que qualquer desatento vire fã de jogadas memoráveis (e talvez a Champions League, e a European Cup), normalmente tem que ser bastante "concentrado" pra sacar daonde está vindo o talento, quem é que consegue dominar a bola com sabedoria e raça. E mulher, bom, mulher gosta de se dividir em 10 e prestar atenção em tudo um pouco (isso é uma generalização enoooorme, mas ando vendo que funciona na maioria dos casos).
Dito isso, futebol é um esporte, como já disse antes, deveras interessante, e se eu não virar fã de verdade, pelo menos vou ter desmistificado essa idéia de que mulher não entende de futebol.
+++
Aliás, lendo a revista Men's Health do namorado (tô falando que eu entrei numas de entender o universo masculino), uma pesquisa feita por uma rede de sport pubs revelou que 59% das mulheres sabiam explicar a regra do impedimento, comparado com só 54% dos homens. E depois falam que futebol é coisa de macho...
11.6.06
Fever Pitch
Football Craze Mode: On.
Começou a febre. Aqui, menos que no Brasil claro, a Copa é um evento de fazer parar a rotina de todo mundo - ou melhor, de fazer parar a rotina dos homem ingleses, porque inglesas se interessam no máximo pelos modelitos fashion das esposas dos jogadores. Os ingleses são obcecados com futebol, só que diferente do Brasil onde o esporte une a nação num patriotismo de fazer inveja aos americanos em época de guerra, aqui futebol transforma os ingleses num bando de animais enjaulados, prontos pra destruir o primeiro infeliz que cruzar o caminho deles. Parece que é só o Beckham tentar encostar na bola que a testosterona dos machões ingleses explodem - e aí misture uma dose cavalar de hormônios com inúmeras pints de cerveja, e pronto: aí que você vê daonde que surgem os Hooligans. Tô tentando acompanhar os jogos de casa (quando a inglaterra joga) e o resto em pubs menores onde a concentração de grupos de homens vestindo a camisa da cruz vermelha é menor. Nos jogos do Brasil vou me unir á comunidade mesmo. Tá cheio de festa/bar/pubs brazucas com comida, bebida e bateria de escola de samba, e não vejo a hora da Seleção entrar em campo na terça.
**
E pela primeira vez EVER, tô assistindo TODOS os jogos. Três por dia, o namorado tá adorando. É agora ou nunca que eu aprendo a entender de futebol.
**
Incrível como andar com a camisa canarinha pela cidade, principalmente nessa época, faz as pessoas arregalar os olhos. As pessoas te abordam, com o sorriso aberto, te respeitam.
**
Na falta do que comemorar, os ingleses ficam reprisando na TV o gol contra do Gamarra - atribuindo ao Beckham, of course. Uns com muito, outros com tão pouco...
**
O blog da soninha está imbatível na cobertura da copa. Não só porque ela faz análise de primeira, mas porque ela conta todas as curiosidades e faz observações ótimas de quem saiu do Brasil faz pouco tempo e tudo é novidade. Fora os bastidores da cobertura que eu sempre quis saber e ninguém nunca fala. Vai lá depois.
Começou a febre. Aqui, menos que no Brasil claro, a Copa é um evento de fazer parar a rotina de todo mundo - ou melhor, de fazer parar a rotina dos homem ingleses, porque inglesas se interessam no máximo pelos modelitos fashion das esposas dos jogadores. Os ingleses são obcecados com futebol, só que diferente do Brasil onde o esporte une a nação num patriotismo de fazer inveja aos americanos em época de guerra, aqui futebol transforma os ingleses num bando de animais enjaulados, prontos pra destruir o primeiro infeliz que cruzar o caminho deles. Parece que é só o Beckham tentar encostar na bola que a testosterona dos machões ingleses explodem - e aí misture uma dose cavalar de hormônios com inúmeras pints de cerveja, e pronto: aí que você vê daonde que surgem os Hooligans. Tô tentando acompanhar os jogos de casa (quando a inglaterra joga) e o resto em pubs menores onde a concentração de grupos de homens vestindo a camisa da cruz vermelha é menor. Nos jogos do Brasil vou me unir á comunidade mesmo. Tá cheio de festa/bar/pubs brazucas com comida, bebida e bateria de escola de samba, e não vejo a hora da Seleção entrar em campo na terça.
**
E pela primeira vez EVER, tô assistindo TODOS os jogos. Três por dia, o namorado tá adorando. É agora ou nunca que eu aprendo a entender de futebol.
**
Incrível como andar com a camisa canarinha pela cidade, principalmente nessa época, faz as pessoas arregalar os olhos. As pessoas te abordam, com o sorriso aberto, te respeitam.
**
Na falta do que comemorar, os ingleses ficam reprisando na TV o gol contra do Gamarra - atribuindo ao Beckham, of course. Uns com muito, outros com tão pouco...
**
O blog da soninha está imbatível na cobertura da copa. Não só porque ela faz análise de primeira, mas porque ela conta todas as curiosidades e faz observações ótimas de quem saiu do Brasil faz pouco tempo e tudo é novidade. Fora os bastidores da cobertura que eu sempre quis saber e ninguém nunca fala. Vai lá depois.
5.6.06
I'm On Stand By.
Semana de muita reflexão. Nada tem acontecido de concreto, nothing exciting anyway. Casa->Trabalho->Casa, com uma saidinha ou outra pra tomar um drink a noite, ou uma espreguiçada no gramado de um parque se o tempo ajuda. Tenho lido o jornal de cabo a rabo, incluindo o caderno de esportes, que eu nunca antes tinha sequer pensado em abrir. E sabe de uma coisa? Futebol é um esporte invariavelmente interessante. E agora, em época de Copa do Mundo, esse hábito novo tem transformado pra melhor meus bate-papos com seres do sexo masculino, que ficam meio surpresos quando eu saio com uma frase tipo: "você viu aquele drible brilhante que o Ronaldinho fez em cima do John Terry aos 34 minutos do segundo tempo no jogo do Barcelona contra o Chelsea na Champions League?" É bom ter assuntos diferentes, principalmente quando o tema central das minhas conversas com os outros é: "E aí, o que você pretende fazer de agora em diante?"
Aquela preguiça/cansaço/tédio tem começado a se enraizar com força e enquanto me deixo levar, tento entender os motivos. Não precisa de nenhuma sessão de terapia freudiana pra entender o que está acontecendo. Simplesmente, o meu senso de objetivo acabou com a entrega da monografia. Enquanto eu estava fazendo essa faculdade, eu tinha o tempo ao meu favor: falta três anos ainda, falta dois, falta 10 meses, tenho tempo pra decidir o que vai acontecer quando eu terminar. Terminou e ainda não acendeu nenhuma lâmpadazinha em cima da minha cabeça, não tive nenhum momento "Eureka!". Eu ainda não abandonei aquela idéia adolescente de que só vale a pena viver/fazer as coisas se tiver paixão.
O problema é que eu não tenho paixão por nada em particular. Eu gosto MUITO MUITO de várias coisas. Tenho paixão talvez por encontrar uma paixão. Conta?
Não paixão no sentido romântico, you silly. Essa parte, graças a deus, tá resolvida e acertada, até que enfim. A paixão que eu falo tem a ver com objetivos, com idealismo, com a urgência de abraçar o mundo e escalar paredões, de sentir que vale a pena suar e se entregar. A paixão que eu senti quando eu aprendi a ler aos 5 anos, quando descobri o ballet aos 12, quando descobri o mundo clubber aos 16, quando resolvi sair do Brasil aos 20. Foi tudo em nome do coração que batia mais forte no peito, da adrenalina de saber que desafios e novidades requerem um fervor quase religioso pra serem conquistados.
Costumo pensar que tenho sorte, mais do que determinação. Se conquistei alguma coisa nessa vida, foi por entusiasmo por algo novo e interessante, invés de trabalhar duro. Eu nunca trabalhei duro por algo que eu não acreditei que valesse a pena. E o que me deprime mais é saber que a vida até pode ser feita de paixões, mas as paixões secam o tempo todo - e se não viram amor, não vão a lugar algum. Parece imaturo pensar assim a essa altura do campeonato, parece que ouço a eterna frase "Minha filha, se preocupe em assegurar o seu futuro e depois você faz o que gosta" ressoando em repeat mode no background. Mas não consigo me mover direito sem esse combustível.
Na minha cabeça não tenho planos no momento, mas como as pessoas precisam o tempo todo que você demonstre que sabe o que vai fazer no futuro, os "planos" são o seguinte: juntar o máximo de dinheiro que eu conseguir e conhecer o resto do mundo, ajudar pessoas em situações menos privilegiadas, aprender outra língua, escrever um livro/um filme, estudar mais um degree, e quem sabe, no final de tudo isso, voltar pra casa que eu ainda não tenho e arrumar um emprego fixo que satisfaça minhas carências financeiras e emocionais, construir um ninho e uma família, e viver em paz comigo mesma.
Bonito né? Isso pra mim é que é ter planos concretos.
Aquela preguiça/cansaço/tédio tem começado a se enraizar com força e enquanto me deixo levar, tento entender os motivos. Não precisa de nenhuma sessão de terapia freudiana pra entender o que está acontecendo. Simplesmente, o meu senso de objetivo acabou com a entrega da monografia. Enquanto eu estava fazendo essa faculdade, eu tinha o tempo ao meu favor: falta três anos ainda, falta dois, falta 10 meses, tenho tempo pra decidir o que vai acontecer quando eu terminar. Terminou e ainda não acendeu nenhuma lâmpadazinha em cima da minha cabeça, não tive nenhum momento "Eureka!". Eu ainda não abandonei aquela idéia adolescente de que só vale a pena viver/fazer as coisas se tiver paixão.
O problema é que eu não tenho paixão por nada em particular. Eu gosto MUITO MUITO de várias coisas. Tenho paixão talvez por encontrar uma paixão. Conta?
Não paixão no sentido romântico, you silly. Essa parte, graças a deus, tá resolvida e acertada, até que enfim. A paixão que eu falo tem a ver com objetivos, com idealismo, com a urgência de abraçar o mundo e escalar paredões, de sentir que vale a pena suar e se entregar. A paixão que eu senti quando eu aprendi a ler aos 5 anos, quando descobri o ballet aos 12, quando descobri o mundo clubber aos 16, quando resolvi sair do Brasil aos 20. Foi tudo em nome do coração que batia mais forte no peito, da adrenalina de saber que desafios e novidades requerem um fervor quase religioso pra serem conquistados.
Costumo pensar que tenho sorte, mais do que determinação. Se conquistei alguma coisa nessa vida, foi por entusiasmo por algo novo e interessante, invés de trabalhar duro. Eu nunca trabalhei duro por algo que eu não acreditei que valesse a pena. E o que me deprime mais é saber que a vida até pode ser feita de paixões, mas as paixões secam o tempo todo - e se não viram amor, não vão a lugar algum. Parece imaturo pensar assim a essa altura do campeonato, parece que ouço a eterna frase "Minha filha, se preocupe em assegurar o seu futuro e depois você faz o que gosta" ressoando em repeat mode no background. Mas não consigo me mover direito sem esse combustível.
Na minha cabeça não tenho planos no momento, mas como as pessoas precisam o tempo todo que você demonstre que sabe o que vai fazer no futuro, os "planos" são o seguinte: juntar o máximo de dinheiro que eu conseguir e conhecer o resto do mundo, ajudar pessoas em situações menos privilegiadas, aprender outra língua, escrever um livro/um filme, estudar mais um degree, e quem sabe, no final de tudo isso, voltar pra casa que eu ainda não tenho e arrumar um emprego fixo que satisfaça minhas carências financeiras e emocionais, construir um ninho e uma família, e viver em paz comigo mesma.
Bonito né? Isso pra mim é que é ter planos concretos.
29.5.06
Barcelona
Ok, então vamos lá.
Barcelona é uma cidade apaixonante. Mais apaixonante do que todas as que eu já visitei ou morei (e até que posso dizer isso com uma certa autoridade, afinal já morei/visitei 12 metrópoles/cidades fora do Brasil nos últimos 4 anos). É lógico que o fato de eu ter ido passar 4 dias fazendo festa com duas amigas influenciou muito, mas a cidade em si tem vários aspectos que eu procuro: sol, calor, praia, cultura forte, povo cabeça aberta, educado e gente fina, noite que ferve até altas horas, comida fresca e temperada, arquitetura deslumbrante, e um time de futebol de dar orgulho (muito graças aos brasileiros, mas vá lá). A imagem que eu tive foi a de um Brasil melhorado - apesar de que andar sem prestar atenção na bolsa não é costume como em outras cidades da Europa, mas nada que brasileiro não esteja preparado e acostumado.
Ficamos em dois albergues durante a viagem, minha primeira vez. Absolutamente recomendável: os dois albergues eram pequenos, mas limpos e aconchegantes, pareciam mais a casa de alguém do que um hotel. Todo mundo se reunia na sala fim de tarde pra se conhecer, abrir a geladeira e fazer um snack, ou usar os computadores. E todo dia tinha gente nova. Nos dois consegui bookar quartos private pra três, o que ajudou muito na hora de se arrumar pra sair, de ficar batendo papo depois da balada, de dormir sem ter gente entrando e saindo do quarto.
E as baladas foram o melhor de tudo. Os espanhóis começam tarde como os brasileiros, e por ordem passam por barzinho, lounge, clubinho, club, clubão, after - tudo na mesma noite. Todo mundo vai seguindo o roteiro, vai se encontrando depois nos mesmos lugares, e quem não quer ir o resto do povo arrasta. Depois a gente se tocou que o fato de sermos três mulheres ajudou a conhecer outras pessoas (não foram só homens, tá), e ajudou a conseguir privilégios, mas prefiro também pensar que os espanhóis são abertos a gente nova e querem incluir todo mundo na diversão. Aí também me lembrou da época boa das festas no Brasil, quando o que importava era conhecer mais gente interessada na mesma coisa, não excluir - como parece que está acontecendo hoje em dia.
De dia era praia. De novo, mais gente cabeça aberta e, diga-se de passagem, muito bonita. Na ponta sul (acho que era sul) de Barceloneta muitos gays e mulheres topless, todo mundo deitado na areia e só um bar servindo drinks e tocando tech-house all day long. Mas não ficamos só lá. Por recomendação ( e tudo funcionou por recomendação - em quase nenhum momento precisei apelar pro guia), fomos pra uma praia a 30 min da cidade, Sitges. Uma cidadezinha minúscula e tortuosa, com uma comunidade gay bastante afluente. Acho que fomos na época certa: a temperatura estava quente, mas agradável (23º C), e não tinha muito turista.
Só fizemos sightseeing no último dia, e foi o que me deixou meio frustrada. Não tem como ver ou apreciar todos os monumentos da cidade, e só as obras lisérgicas de Gaudí são de tirar o fôlego. Depois do Duomo de Milão, a Sagrada Família foi a igreja mais absurda e interessante que eu já vi na vida, mas tem que ver com calma - é detalhe demais.
Depois de 4 dias cheguei em Londres completamente exausta (acho que não dormimos mais do que três horas por manhã), mas feliz. E ainda vou voltar, muitas vezes, pra lá.
Barcelona é uma cidade apaixonante. Mais apaixonante do que todas as que eu já visitei ou morei (e até que posso dizer isso com uma certa autoridade, afinal já morei/visitei 12 metrópoles/cidades fora do Brasil nos últimos 4 anos). É lógico que o fato de eu ter ido passar 4 dias fazendo festa com duas amigas influenciou muito, mas a cidade em si tem vários aspectos que eu procuro: sol, calor, praia, cultura forte, povo cabeça aberta, educado e gente fina, noite que ferve até altas horas, comida fresca e temperada, arquitetura deslumbrante, e um time de futebol de dar orgulho (muito graças aos brasileiros, mas vá lá). A imagem que eu tive foi a de um Brasil melhorado - apesar de que andar sem prestar atenção na bolsa não é costume como em outras cidades da Europa, mas nada que brasileiro não esteja preparado e acostumado.
Ficamos em dois albergues durante a viagem, minha primeira vez. Absolutamente recomendável: os dois albergues eram pequenos, mas limpos e aconchegantes, pareciam mais a casa de alguém do que um hotel. Todo mundo se reunia na sala fim de tarde pra se conhecer, abrir a geladeira e fazer um snack, ou usar os computadores. E todo dia tinha gente nova. Nos dois consegui bookar quartos private pra três, o que ajudou muito na hora de se arrumar pra sair, de ficar batendo papo depois da balada, de dormir sem ter gente entrando e saindo do quarto.
E as baladas foram o melhor de tudo. Os espanhóis começam tarde como os brasileiros, e por ordem passam por barzinho, lounge, clubinho, club, clubão, after - tudo na mesma noite. Todo mundo vai seguindo o roteiro, vai se encontrando depois nos mesmos lugares, e quem não quer ir o resto do povo arrasta. Depois a gente se tocou que o fato de sermos três mulheres ajudou a conhecer outras pessoas (não foram só homens, tá), e ajudou a conseguir privilégios, mas prefiro também pensar que os espanhóis são abertos a gente nova e querem incluir todo mundo na diversão. Aí também me lembrou da época boa das festas no Brasil, quando o que importava era conhecer mais gente interessada na mesma coisa, não excluir - como parece que está acontecendo hoje em dia.
De dia era praia. De novo, mais gente cabeça aberta e, diga-se de passagem, muito bonita. Na ponta sul (acho que era sul) de Barceloneta muitos gays e mulheres topless, todo mundo deitado na areia e só um bar servindo drinks e tocando tech-house all day long. Mas não ficamos só lá. Por recomendação ( e tudo funcionou por recomendação - em quase nenhum momento precisei apelar pro guia), fomos pra uma praia a 30 min da cidade, Sitges. Uma cidadezinha minúscula e tortuosa, com uma comunidade gay bastante afluente. Acho que fomos na época certa: a temperatura estava quente, mas agradável (23º C), e não tinha muito turista.
Só fizemos sightseeing no último dia, e foi o que me deixou meio frustrada. Não tem como ver ou apreciar todos os monumentos da cidade, e só as obras lisérgicas de Gaudí são de tirar o fôlego. Depois do Duomo de Milão, a Sagrada Família foi a igreja mais absurda e interessante que eu já vi na vida, mas tem que ver com calma - é detalhe demais.
Depois de 4 dias cheguei em Londres completamente exausta (acho que não dormimos mais do que três horas por manhã), mas feliz. E ainda vou voltar, muitas vezes, pra lá.
Atrasilda
O problema de blogar (pelo menos pra mim) é esse: se não posto as coisas no "calor do momento", quando ainda estou empolgada com o assunto e querendo publicar os pequenos insights que eu tive offline, acaba perdendo a graça. A diversão de blogar é essa mesma - a da rapidez, a da primeira impressão, mesmo que essa primeira impressão seja "errada", ou inaccurate (de novo ando com dificuldade pra achar as palavras equivalentes em português). Blogs têm mais é que refletir (ao menos uma palhinha) da personalidade do autor, tem que ser pessoal pra ser válido. Pra mim, se eu pensar demais, já vira meio que um trabalho, já perde a graça. Posts pensados, editados, pesquisados demais precisam estar num site jornalístico, não num blog pessoal.
***
Isso foi só pra justificar a fonte secando por aqui. Eu acho um saco quando autores começam a justificar a falta de posts, by the way. Não quer escrever, não escreve, oras bolas. Já existe muito motivo nesse mundo pra sentir culpa, blogs não deviam MESMO ser mais um.
---
Mas vou justificar só um pouquinho: ando muito cansada por esses dias. Não sei se isso é deficiência de vitaminas, ou se é o corpo que não aguenta mais o tranco de baladas fortes (nem me lembro a última vez que passei 3 dias seguidos pirando o cabeção), e uma semana depois ainda estou me recuperando. Graças a deus hoje, segunda, é feriado, e se não fosse pelos dois dias seguidos descansando em casa, até hoje eu ia estar meio fora da casinha. (Ando meio culpada, porque fiz três entrevistas e escrevi uma matéria completamente zumbi).
+++
Vou tentar voltar a postar no ritmo normal, e contar o que passou, porque foi muito legal.
***
Isso foi só pra justificar a fonte secando por aqui. Eu acho um saco quando autores começam a justificar a falta de posts, by the way. Não quer escrever, não escreve, oras bolas. Já existe muito motivo nesse mundo pra sentir culpa, blogs não deviam MESMO ser mais um.
---
Mas vou justificar só um pouquinho: ando muito cansada por esses dias. Não sei se isso é deficiência de vitaminas, ou se é o corpo que não aguenta mais o tranco de baladas fortes (nem me lembro a última vez que passei 3 dias seguidos pirando o cabeção), e uma semana depois ainda estou me recuperando. Graças a deus hoje, segunda, é feriado, e se não fosse pelos dois dias seguidos descansando em casa, até hoje eu ia estar meio fora da casinha. (Ando meio culpada, porque fiz três entrevistas e escrevi uma matéria completamente zumbi).
+++
Vou tentar voltar a postar no ritmo normal, e contar o que passou, porque foi muito legal.
26.5.06
Show do Radiohead...

... foi o primeiro highlight da semana. Foi absolutely unbelievable. Como Thom Yorke havia prometido, esse show não ia ter um set list cheio de hits mas sim uma desgustação das inúmeras surpresas que a banda guarda a sete-chaves dentro do armário. E pelo que a gente constantou ali, o próximo álbum vai ter mais ou menos as mesmas proporções de guitarras e strings eletrônicos - o que na minha opinião, quando o assunto é eletrônico, Yorke e companhia são mestres em criar atmosferas darks, melancólicas, sombrias, típico de quem é neurótico até dizer chega.

E ver os caras tocar de perto é uma experiência do outro mundo. Eu não sabia se devia me mexer muito ali na pista, na frente do palco, com medo de perder cada uma das expressões esquizóides de Yorke - e ao mesmo tempo, queria mesmo era pegar uma almofada, deitar no chão e deixar cada uma das tracks sublimes contruir uma bolha em volta da minha cabeça. Viagem, eu sei, mas o show dos caras era viagem assim mesmo. A platéia fica estática, num silêncio aterrador - a não ser por um minuto quando um mané tentou quebrar o clima gritando baboseiras e Yorke parou tudo e falou "SHUT UP YOU CUNT." Todo mundo aplaudiu.
Faltou o set list. Mais detalhes na sequência, que eu preciso me mandar de novo - a correria ainda não acabou.
Next: Barcelona.
Ufa!
Foi falar em rollercoaster-lifestyle que veio uma semana de matar. Aconteceu tanta coisa (balada, viagem, freelas, trampo) que não deu tempo de respirar, de dormir, de comer. E chegou quarta eu tava com as pernas bambas, dormindo em pé nos trens, sem noção se eu estava mesmo acordada ou dormindo. Só consegui voltar ao normal hj, uma semana e meia depois. Então acho melhor escrever uma coisa de cada vez. Vai subindo.
17.5.06
As novas
Posts esporádicos = falta de tempo. Tem dias que não acontece nada, mas tem diiiiasss... que eu chego no final com olheiras. Rollercoaster lifestyle. Eu prefiro assim.
***
Como não podia deixar de ser, rolou um drama básico antes de entrega oficial da monografia. A amiga encarregada de fazer a revisão enviou o arquivo corrigido de volta no domingo a noite, o que me mandou madrugada adentro corrigindo o que tava errado. Quase de manhã envio por email pro serviço de encadernação (iam me cobrar uma fortuna pelo serviço no mesmo dia mais entrega em casa), e o que acontece? O serviço atrasa. Ligo a noite desesperada "cadêêêê a minha monografia?", e o moço bem belo no telefone diz que não vai dar pra ficar pronta até uma hora antes do meu prazo final - e que eu ainda vou ter que buscar. Desespero, pânico, medo. Eu conheço o transporte Londrino, sempre rola "signal failures" e a jornada que devia levar 20 minutos acaba levando 1hr e meia. Prefiro não arriscar, e aceito a proposta do namorado de encadernar usando espiral e capa plástica, lá no trampo dele mesmo. Dez da noite e a gente enfiando página por página na máquininha. Ficou parecendo uma apostila, longe de ser o livro preto de capa dura com letras douradas que devia ser. Fazer o quê, melhor engolir o orgulho e não perder o prazo do que ficar a ver navios. No dia seguinte, o moço da encadernação liga, 2 da tarde. Nem atendo. Prefiro não descer do salto e xingo a mãe do desgraçado - por email. Diz ele que as monografias estão lá me esperando. Vão esperar sentadas.
***
Saiu a matéria de Balneário na Jungle desse mês. Dá pra ler aqui, mas aquele site me atazana - ele não chega aos pés da lindeza que é a revista de papel. A desse mês, especial sobre a Copa, tá linda, toda ilustrada, edição de colecionador.
Ah, e como a matéria foi escrita em fevereiro, acabou saindo no meio do roteiro de baladas os falecidos Galeras e Kiwi. Verão que vem o roteiro vai ser outro.
***
Falando em edição especial, viram a do jornal The Independent editada pelo Bono? Eu comprei e fiquei de cara. A chamada de Capa dizia "No News Today" com ilustração do absurdo Damien Hirst. O jornal inteiro foi especial, com matérias sobre a África e o G8, e colaborações da estilista Stella McCartney e da Secretária de Estado americana Condollezza Rice (falando sobre música!). Só sendo o Bono pra ter uma agenda de contatos dessa.
***
Maridón tá em Cannes já . Ligou de frente do teatro onde o Da Vinci Code vai abrir o festival (não sabe se vai conseguir entrar pra ver o filme porque os ingressos - bookados na hora - estão sendo disputados a tapa pela mutlidão) e disse que já viu a Mônica Bellucci e o Samuel L. Jackson dando entrevista na rua. Que inveja.
***
Como não podia deixar de ser, rolou um drama básico antes de entrega oficial da monografia. A amiga encarregada de fazer a revisão enviou o arquivo corrigido de volta no domingo a noite, o que me mandou madrugada adentro corrigindo o que tava errado. Quase de manhã envio por email pro serviço de encadernação (iam me cobrar uma fortuna pelo serviço no mesmo dia mais entrega em casa), e o que acontece? O serviço atrasa. Ligo a noite desesperada "cadêêêê a minha monografia?", e o moço bem belo no telefone diz que não vai dar pra ficar pronta até uma hora antes do meu prazo final - e que eu ainda vou ter que buscar. Desespero, pânico, medo. Eu conheço o transporte Londrino, sempre rola "signal failures" e a jornada que devia levar 20 minutos acaba levando 1hr e meia. Prefiro não arriscar, e aceito a proposta do namorado de encadernar usando espiral e capa plástica, lá no trampo dele mesmo. Dez da noite e a gente enfiando página por página na máquininha. Ficou parecendo uma apostila, longe de ser o livro preto de capa dura com letras douradas que devia ser. Fazer o quê, melhor engolir o orgulho e não perder o prazo do que ficar a ver navios. No dia seguinte, o moço da encadernação liga, 2 da tarde. Nem atendo. Prefiro não descer do salto e xingo a mãe do desgraçado - por email. Diz ele que as monografias estão lá me esperando. Vão esperar sentadas.
***
Saiu a matéria de Balneário na Jungle desse mês. Dá pra ler aqui, mas aquele site me atazana - ele não chega aos pés da lindeza que é a revista de papel. A desse mês, especial sobre a Copa, tá linda, toda ilustrada, edição de colecionador.
Ah, e como a matéria foi escrita em fevereiro, acabou saindo no meio do roteiro de baladas os falecidos Galeras e Kiwi. Verão que vem o roteiro vai ser outro.
***
Falando em edição especial, viram a do jornal The Independent editada pelo Bono? Eu comprei e fiquei de cara. A chamada de Capa dizia "No News Today" com ilustração do absurdo Damien Hirst. O jornal inteiro foi especial, com matérias sobre a África e o G8, e colaborações da estilista Stella McCartney e da Secretária de Estado americana Condollezza Rice (falando sobre música!). Só sendo o Bono pra ter uma agenda de contatos dessa.
***
Maridón tá em Cannes já . Ligou de frente do teatro onde o Da Vinci Code vai abrir o festival (não sabe se vai conseguir entrar pra ver o filme porque os ingressos - bookados na hora - estão sendo disputados a tapa pela mutlidão) e disse que já viu a Mônica Bellucci e o Samuel L. Jackson dando entrevista na rua. Que inveja.
10.5.06
Agora que o sol saiu de verdade...
... ando com menos vontade e paciência pra ficar na frente do computador. De uns dias pra cá ando dando menos atenção pra vida virtual, preferindo ler o jornal no trem, caminhar na beira do rio, tomar café/drinks com as amigas, fazer programinhas românticos com o maridón, sair de casa e ver ao vivo e em cores a banda, o dj, a peça, o filme, o ator, o escritor. Incrível como a luz inspira. Pelo jeito só volto a blogar com mais intensidade quando o inverno me chutar de volta pra toca.
Agora, vou viver um pouco que amanhã eu não sei.
Ah, by the way, tô lendo um cRássico russo: The Master and Margarita, de Mikhail Bulgakov . Sátira da boa, de soltar risadinhas abafadas.
Agora, vou viver um pouco que amanhã eu não sei.
Ah, by the way, tô lendo um cRássico russo: The Master and Margarita, de Mikhail Bulgakov . Sátira da boa, de soltar risadinhas abafadas.
9.5.06
Palhaçada
Era só o que faltava. Eu já sabia que desde o começo do ano o sindicato dos professores universitários britânicos está se recusando a dar notas nos nossos trabalhos em protesto contra a falta de um aumento salarial. Quando perguntei em Março pra uma professora o que estava acontecendo que a gente não tinha recebido nenhuma nota a meses, ela explicou da greve e disse que não tinha data certa de quando o protesto iria acabar. Daí me veio na cabeça na hora: "Isso significa que vocês não vão dar notas pras nossas monografias?". Ela respondeu: "Isso significa que talvez você nem receba seu diploma." Há.
Na hora entrei em pânico, mas meus colegas disseram que isso era absurdo e muito difícil de acontecer. 'Imagine só, tem 400 mil alunos se formando esse ano, ce acha que não vai rolar a maior pressão em cima dos professores? Eles são minoria."
Só que hoje sai no jornal que o sindicato rejeitou uma proposta de aumento e recomenda que os professores não sigam em frente com os exames finais desse ano. Palhaçada. Não é como se eles tivessem passando fome (um professor full-time ganha por volta de £35 mil por ano, algo em torno de 133 mil reais). Quem devia reclamar éramos nós, estudantes internacionais, que viemos de outro país e pagamos um absurdo por ano pra não ganhar o tal diploma. Palhaçada. Alguma coisa vai ter que acontecer.
Na hora entrei em pânico, mas meus colegas disseram que isso era absurdo e muito difícil de acontecer. 'Imagine só, tem 400 mil alunos se formando esse ano, ce acha que não vai rolar a maior pressão em cima dos professores? Eles são minoria."
Só que hoje sai no jornal que o sindicato rejeitou uma proposta de aumento e recomenda que os professores não sigam em frente com os exames finais desse ano. Palhaçada. Não é como se eles tivessem passando fome (um professor full-time ganha por volta de £35 mil por ano, algo em torno de 133 mil reais). Quem devia reclamar éramos nós, estudantes internacionais, que viemos de outro país e pagamos um absurdo por ano pra não ganhar o tal diploma. Palhaçada. Alguma coisa vai ter que acontecer.
Bad Behaviour
Uma pesquisa revelou que a Grã-Bretanha é o país com o maior número de gente mal-educada e agressiva da Europa. Finalmente. Essa idéia de que britânicos são gente chic e refinada (seguindo o estereótipo do filme do Woody Allen, Match Point), só existe dentro dos "portões" de Chelsea.
Vou viajar ...
... de novo. E de novo pra Espanha. Vou passar quatro dias em Barcelona com duas amigas, enquanto o maridón passa uma semana no Festival de Cannes (sortudo). Aproveitar enquanto posso, néam?
7.5.06
Never Let Me Go - Kazuo Ishiguro
Falando em ler, tô feliz que pelo menos agora tô podendo voltar aos poucos para os meus queridos romances. Acho que desde o começo do ano tava sem ler nada de ficção, e resolvi retomar o hábito em Mallorca. Escolhi "Never Let Me Go" (Não Me Abandone Jamais" em português), de Kazuo Ishiguro, que desde o ano passado está na mídia como um dos melhores romances do ano passado.
Pelo que li sobre Ishiguro, ele é mestre em recapturar memórias de infância e retratar todas as nuances mais sutis dos relacionamentos humanos. E aqui ele consegue repetir a fórmula muito bem ao transportar o leitor para um mundo que se revela fascinante para uma criança que está para o descobrir. Mas o que me incomodou um pouco foi o que parece ser falta de atenção com o background que ele escolheu pra situar a história.
A história é sobre três estudantes que crescem juntos numa espécie de internato no interior da Inglaterra. A diferença é que esses estudantes são clones. Ishiguro imagina um mundo onde clones são criados com a única função de doar os próprios órgãos vitais assim que atingirem a idade adulta. Eles jamais saem das instituições que vivem ou se relacionam com pessoas "normais" até os 16 anos (com excessão dos guardiões), e quando saem são como animais enjaulados que de repente são soltos na selva: continuam vivendo em uma prisão mental.
Isso é o que faz o livro ser "unputdownable", como dizem por aqui dos livros que você não consegue parar de ler. Ishiguro te impulsiona a continuar lendo ao levantar uma questão que todos nós uma vez ou outra enfrentamos: o de tomar uma atitude e se rebelar contra aquilo que nos é imposto. Mas não há respostas simples. Kathy, Tommy e Ruth, os três amigos-clones centrais na história quase não procuram alternativas pra vida que levam ou o destino que os espera mesmo as oportunidades aparecendo a todo momento. Ao invés disso, preferem se agarrar às memórias e a solidez de seus relacionamentos, e são gratos por terem tido uma existência plena e rica culturalmente até o momento de começar o inferno das doações.
Mas esse não é um livro sci-fi. Ishiguro não se preocupa em discutir problemas de ética, direitos humanos, ou mesmo ciência. No book club do Guardian, ele explica que já tinha a história mais ou menos formada na cabeça, mas precisava de um background que enfatizasse o que é ser humano e o que significa ter alma.
É um livro bastante interessante e por mais que eu fico feliz por ter lido numa época que eu mesma tenho passado por uma fase de questionamento profundo sobre o que significa viver uma vida rica e plena. Recomendo.
Preguica
Não sei direito o que tá acontecendo, mas ando exausta ultimamente. Preguiça de pensar, de tomar decisões, de correr atrás. Parece que as férias em Mallorca deram a largada pra fase preguicite-aguda que me assola entre uma e duas vezes por ano. Quando só dá vontade de ficar lendo, vendo filme, dormindo, olhando pro teto por dias e dias sem fim. A merda é que cada vez menos vou poder fazer isso sem me sentir culpada. Antes eu tinha desculpa, agora...
5.5.06
Recebi...
...o feedback da monografia ontem. De primeira, meu advisor curtiu e disse que "apart from a few grammar mistakes and typos, there's no need for dramatic changes." Phew. Menos uma preocupação.
3.5.06
Como nao debochar...
... quando Garotinho entra em greve de fome em protesto contra a perseguição da imprensa brasileira? Quando a esposa Rosinha responde com "Infelizmente, aqueles que debocham não conhecem o peso da mão justa do meu Deus", eles tão pedindo né? Daqui a pouco o casal vai fazer o que, chamar os jornalistas de "feios e malvados"? E depois ainda quer concorrer a presidência. Que horror.
Brasil-sil
Esqueci de falar...
E o pior é que eu não percebi a manipulação toda na época que eu morei nos EUA - a época do começo da guerra do Iraque. E pelo visto, o resto da população americana também não.
De novo, esse é um documentário que segue a linha esquerdista, o que prova que a fórmula de Michael Moore de mexer com a opinião pública dá muito certo e vai ser cada vez mais usada pelos anti-bush da vida (vide o filme ambiental de Al-Gore e o doc sobre Guantánamo Bay de Winterbottom).
O colega Fernando Duarte...
... correspondente do Globo em Londres, explica porque a situação dos latinos no Reino Unido não vai melhorar se não tiver a cooperação dos brasileiros, que continuam sem se misturar.
2.5.06
Orkut eh pra quem lembra...
Eu gosto do Orkut por causa disso: depois de um aniversário nada muito cheerful, entro lá e tem 60 mensagens de parabéns, a maioria de gente querida que eu nem imaginava que lembrava de mim. Quem dera poder dar uma festa e ver todo mundo aparecer. Quem sabe um dia.
1.5.06
Mallorca

Fomos pra Mallorca na época errada. Quer dizer, de acordo com as tradições, chegamos em Mallorca pelo menos 45 anos e duas semanas mais cedo. Os 45 anos são a diferença de idade entre nós e a maioria esmagadora dos turistas, e as duas semanas são o tempo que faltava pra temperatura subir o suficiente pra se deitar na praia de bikini. Não deu pra fazer isso até o último dia. Então entre ficar vagando no meio da terceira idade que dominava o hotel (ou será que ficamos hospedados num asilo de frente pro mar?), resolvemos alugar um carro e fugir pras montanhas. E foi a melhor decisão que podíamos ter tomado.
Não me entenda mal, Mallorca é uma ilha lindíssima e enorme - muito maior que Florianópolis. A água do mar é transparente, a areia da maioria das praias é branca, e as montanhas, nossa, as montanhas são de tirar o fôlego (literalmente - passei mal pelo menos duas vezes com a altura e o excesso de curvas). A comida é absurda (fiz como prometi: comi Paella TODO santo dia), a Sangria é doce, o povo é gente fina e educado - e eles não falam espanhol. Falam Mallorquín, um dialeto vindo do Catalão, que parece que lembra o francês uma hora, o espanhol em outra, mas não dá pra entender nada. Mas o entusiasmo durante as narrações dos jogos de futebol é parecido com o brasileiro, e já é suficiente (digo isso porque quase toda a noite assistimos o Barcelona jogar no barzinho).
E Mallorca, além de ser uma ilha para quem é mais velho ou já tem família, é uma ilha pra quem curte esporte. Ver aqueles centenas de ciclistas subindo e descendo praias e montanhas me deu até uma vergonha. Eu passando mal, sem ar, subindo as montanhas DE CARRO, enquanto os tiozinhos subiam DE BIKE, sem sequer alterar a respiração. Se essa viagem me ensinou alguma coisa, foi que eu preciso voltar a mexer, se eu quiser chegar na idade deles com a mesma disposição física.
As fotos e a história toda vai continuar aparecendo no fotolog. Qualquer coisa, vai lá.
25.4.06
Finito!
Ou quase. Entreguei ontem a primeira versão da monografia. Agora é esperar uma semana pelo feedback, alterar o que for preciso, encadernar e já era. Tava me sentindo meio culpada por ter ficado até as 4 da manhã dando os retoques finais, mas foi chegar na faculdade de manhã e pelo menos metade da minha sala tava na biblioteca, rodeados de livros e escrevendo. It felt good :P
*
Então amanhã to zarpando pra Palma de Mallorca. O tempo não está lá aquela maravilha de quente (22ºC), mas pelo menos vai ser um bom descanso. Só quero comer paella e tomar sangria na beira da praia.
**
Amanhã tô virando 2.4 - o tempo voa.
*
Então amanhã to zarpando pra Palma de Mallorca. O tempo não está lá aquela maravilha de quente (22ºC), mas pelo menos vai ser um bom descanso. Só quero comer paella e tomar sangria na beira da praia.
**
Amanhã tô virando 2.4 - o tempo voa.
20.4.06
Bored as hell
Jesus. Ainda bem que eu não vou fazer um mestrado logo na sequência. Duas semanas dentro de casa slaving away em cima dessa monografia e eu estou muito, MAS MUITO entediada. Escrever monografias é muito, mas muito chato.
18.4.06
Menos bundas, please.
Santa ironia. A sociedade britânica anda me afetando de maneira bastante intensa, parando pra pensar. Se eu fosse fazer uma retrospectiva e botar na balança a pessoa que eu era a três anos atrás e a pessoa que eu sou hoje, hmm, quanta diferença (a voz continua a mesma). De jovem libertária e desafiadora (a favor de drogas, sexo livre, 'tecnêra', all those things), ando me movendo gradualmente a uma posição mais, ahn, conservadora. Eu mesma ando surpresa com as minhas próprias opiniões.
Um exemplo? A história da semana passada sobre fundamentalistas islâmicos queimando cópias da Playboy em Jacarta. Não, não achei nada legal, até porque a Playboy da Indonésia não tem nem fotos de mulher pelada, mas me fez pensar na disparidade de padrões entre aqui e lá. Aqui nós somos inundados com imagens de mulheres peladas o tempo todo e em tudo que é lugar. Abre-se o jornal, lá estão elas. Ou melhor, nem precisa abrir. Jornais como o Daily Star e o Daily Sports estampam imagens de bundas e peitos em tamanhos desproporcionais na capa mesmo. Uma ida ao supermercado ou á um café, e dezenas de peitos e bundas nas capas das inúmeras lads mags (revistas masculinas) te recepcionam logo na entrada. Liga-se a TV e lá estão Jordan (na foto ali em cima) e Chantelle, dois dos ídolos maiores (e põe maior nisso) das adolescentes que imaginam que o tamanho do peito é diretamente proporcional ao sucesso profissional e inversamente proporcional ao tamanho do cérebro. Até nas livrarias, adivinha quem está em segundo lugar na lista dos livros mais vendidos? De novo a biografia (a segunda em menos de três anos) da 'abundante' Jordan, aka Katie Price, dessa vez contando sobre como é arrumar marido dentro de um reality show.
Vinda de um país onde toda propaganda de cerveja carrega bundas cada vez maiores e onde meninas sonham em entrar no Big Brother pra virar capa da Playboy ao sair do programa, eu não deveria estar incomodada com esse tipo de "liberalismo." Mas quando a rede de supermercados Sainsbury's anunciou que ia começar a cobrir as tais revistas masculinas com um filme plástico depois que clientes reclamaram do excesso de exposição de 'soft-porn', eu me peguei comemorando.
No site de debates do Guardian 'Comment is Free' , muita gente condenou a decisão e chamou isso de censura. Não é censura, é respeito ao espaço de quem não está afim de ser confrontado com imagens de "air-bags" ao ir comprar leite pro café da manhã . As revistas continuam lá, a venda pra quem quiser comprar, só não vão estar estar enfiadas na tua cara. Um leitor disse que qualquer mídia com teor sexual deveria estar disponível pra aqueles que "procuram" por elas ao invés de estarem expostas em prateleiras de lugares frequentados por crianças de 6 anos. Não poderia concordar mais. Se o sexo não estivesse tão exposto a ponto de virar banal hoje em dia, teríamos muito mais espaço pra outros assuntos mais relevantes e interessantes, e menos problemas de auto-estima.
E isso faz de mim uma senhora conservadora? Não sei. Mas sei que o Brasil bem que poderia começar a pensar no assunto também.
Vinda de um país onde toda propaganda de cerveja carrega bundas cada vez maiores e onde meninas sonham em entrar no Big Brother pra virar capa da Playboy ao sair do programa, eu não deveria estar incomodada com esse tipo de "liberalismo." Mas quando a rede de supermercados Sainsbury's anunciou que ia começar a cobrir as tais revistas masculinas com um filme plástico depois que clientes reclamaram do excesso de exposição de 'soft-porn', eu me peguei comemorando.
No site de debates do Guardian 'Comment is Free' , muita gente condenou a decisão e chamou isso de censura. Não é censura, é respeito ao espaço de quem não está afim de ser confrontado com imagens de "air-bags" ao ir comprar leite pro café da manhã . As revistas continuam lá, a venda pra quem quiser comprar, só não vão estar estar enfiadas na tua cara. Um leitor disse que qualquer mídia com teor sexual deveria estar disponível pra aqueles que "procuram" por elas ao invés de estarem expostas em prateleiras de lugares frequentados por crianças de 6 anos. Não poderia concordar mais. Se o sexo não estivesse tão exposto a ponto de virar banal hoje em dia, teríamos muito mais espaço pra outros assuntos mais relevantes e interessantes, e menos problemas de auto-estima.
E isso faz de mim uma senhora conservadora? Não sei. Mas sei que o Brasil bem que poderia começar a pensar no assunto também.
14.4.06
Preconceito?
Tá rolando uma briga bem interessante entre os jornais. O Guardian, no começo da semana, ficou mordido com a crítica que o The Sun fez ao príncipe William por ter se vestido de Chav numa festa de encerramento do primeiro termo do nobre no exército. "Chavs" , pra quem não sabe, são a representação mais baixa e repugnante da classe trabalhadora (ou pobre) britânica. Vivem vestidos de abrigos da Nike, ou qualquer outra marca esportiva famosa, não se separam de suas imitações baratas de bolsas Louis Vuitton e acessórios (principalmente bonés) da Burberry, e costumam empilhar correntes e brincos dourados no pescoço e nas orelhas. As mulheres normalmente colecionam piercings espalhados pelo rosto e costumam prender o cabelo num coque tão puxado que o rosto chega a esticar, enquanto os homens costumam colecionar tatuagens mal-acabadas. Ambos moram em apartamentos do governo (council houses), e costumam ter mais de 50% do já limitado vocabulário composto de palavrões. Não têm o hábito de estudar ou trabalhar, mas são especialistas em arrumar briga na saída do pub, fumar até cair os dentes, e produzir filhos (quanto mais melhor) antes dos 14 anos. São (minha definição) os sanguessugas do governo.
Pois bem, o The Sun insinuou, não, afirmou que era um absurdo o príncipe se rebaixar ao nível da escórgia nacional. O Guardian foi lá e disse que não entendeu como o tablóide teve coragem de publicar um artigo que ofende a maioria dos próprios leitores (o The Sun é o jornal mais vendido do país, e a leitura de cabeceira de classe proletária), e condenou a volta do "esnobismo", o hábito da classe privilegiada de rir da cara da classe mais baixa. Ontem, o The Times, rebateu a crítica do Guardian (que aliás, é um jornal com a linguagem menos acessível e o público mais alto-nível de todos), dizendo que absurdo mesmo era achar que os Chavs são produtos da própria sociedade e sentir pena de um grupo de pessoas que na verdade escolheu ser o que são - incetivados pelo próprio governo, que cobre o cidadão de benefícios mal o primeiro obstáculo aparece. O Times, que é um jornal de direita, anti-blair, terminou dizendo que, quer saber, tem que rir da cara deles mesmo - pra não chorar.
Achei ótimo. Da minha parte, sou a favor do argumento mais conservador do Times. Eu moro num bairro que tem metade da população composta de Chavs: é só dar uma passeadinha na high-street, a rua principal, e fica difícil não esbarrar em um dos inúmeros carrinhos de bebês sendo empurrados por meninas que mal saíram da puberdade, ou não ver grupos de moleques bebendo as 10 da manhã e acendendo cigarros dentro do ônibus, onde sabem que é proibido fumar. É impossível sentir pena deles, principalmente sabendo que esse é um grupo de pessoas que têm oportunidades que ninguém num país de terceiro mundo têm, e mesmo assim, escolhem tirar proveito só daquilo que os convém. Por isso a infinidade de filhos e a rejeição ao trabalho: pais desempregados recebem dinheiro do governo por tempo indeterminado.
O Reino Unido é um país que só prospera, com uma taxa de desemprego baixíssima, com escolas disponíveis pra todos: qualquer um, principalmente cidadãos, que quiser arrumar trabalho e estudo, consegue. Não é falta de oportunidades: é preguiça mesmo.
Sou anti-Chav total.
12.4.06
Banda nova
Não é a toa que eu ando meio desligada do mundinho eletrônico. O rock britânico anda, well, R-O-C-K-I-N-G. Sai uma banda melhor que a outra todo mês! Hoje mesmo de manhã tava lendo o jornal com a tv ligada no Channel 4 music e passa o vídeo dessa banda chamada The Fratellis . A música era Creepin' Up the Backstairs, e apesar de o som seguir a linha new-punk dos Artic Monkeys/Libertines/toda-a-nova-escola-indie-britânica, eu não consegui parar de mexer o pézinho. Eles estão juntos desde 2004, e pelo visto estão despontando pra fama só agora. O primeiro EP acabou de sair semana passada, mas seguindo a estratégia dos próprios Monkeys de gerar recomendações boca-a-boca até a mídia descobrir e cair em cima, os singles estão disponíveis no Myspace e no site da banda.
Fiz a minha parte: não é a toa que esse blog se chama Word of Mouth. :)
By the way, eles vão tocar dia 21 no KOKO em Camdem Town , na noite da revista NME. Achei que é meu dever comparecer na noite e comprei ingressos (por míseras 5 libras). Antes que eles fiquem famosos.
Fiz a minha parte: não é a toa que esse blog se chama Word of Mouth. :)
By the way, eles vão tocar dia 21 no KOKO em Camdem Town , na noite da revista NME. Achei que é meu dever comparecer na noite e comprei ingressos (por míseras 5 libras). Antes que eles fiquem famosos.
11.4.06
Deu no NY Times...
"Aproximadamente onze milhões dos mais de 15 milhões de usuários registrados no Orkut informam residir no Brasil – uma figura fantástica, dado que as estimativas dizem que apenas 12 milhões de brasileiros acessam a Internet de casa."
Hm. E quem disse que precisa ter Internet em casa pra estar no Orkut? Eu lembro que na minha penúltima ida ao Brasil em 2004, eu estava no supermercado comentando com um amigo a chamada de capa da Superinteressante sobre a mania do site, quando o menino do caixa levantou a cabeça e falou com olhos brilhando: "Vocês também tem Orkut? Entrem na comunidade de Balneário!"
Eu até tentei convidar uns gringos pra entrar, mas aqui o Orkut não bate o MySpace. Lá quase não tem brasileiro.
E isso que tem muito brazuca no Orkut que diz ser do Zaire ou do Nepal.
via No Mínimo.
Hm. E quem disse que precisa ter Internet em casa pra estar no Orkut? Eu lembro que na minha penúltima ida ao Brasil em 2004, eu estava no supermercado comentando com um amigo a chamada de capa da Superinteressante sobre a mania do site, quando o menino do caixa levantou a cabeça e falou com olhos brilhando: "Vocês também tem Orkut? Entrem na comunidade de Balneário!"
Eu até tentei convidar uns gringos pra entrar, mas aqui o Orkut não bate o MySpace. Lá quase não tem brasileiro.
E isso que tem muito brazuca no Orkut que diz ser do Zaire ou do Nepal.
via No Mínimo.
10.4.06
It's the First Day of the Rest of Your LIfe
Fim de semana meio aéreo, depois da rejeição. Por incrível que pareça, parece que a carta foi um chute no traseiro, mandando eu parar de olhar lá na frente e fazer o que tem que ser feito agora. Agora. Tenho duas semanas pra entregar o primeiro draft da monografia, que está pela metade e completamente out of focus. Á gota d'água foi passar a noite em claro, revirando na cama enquanto revirava a tese na cabeça. Acordei, entre mais um pouco em pânico e liguei pro meu orientador. Man, I can't fuck it up now, help me out. Não ajudou muito, só disse que eu devia relaxar e pensar nas evidências. Tudo é evidência. Good luck, see you in a fortnight. Don't fuck it up.
8.4.06
:/
Não deve existir uma coisa pior do que receber uma notícia ruim quando se está de ressaca. Acordar de manhã com a cabeça explodindo e achar uma carta no chão da porta da frente. Dor de cabeça em cima de dor de cabeça.
Pois bem, a LSE não me aceitou pra fazer o mestrado. Fui rejeitada. Segunda derrota do ano, e mal começou abril.
Nem estou assim chateada, na verdade. Eu sou acostumada a receber nãos o tempo todo. O problema é que pela primeira vez em anos eu não tenho um plano B. Na verdade o mestrado já era o plano B, o que significa que eu não tenho um plano C. Pela primeira vez em o que, 8 anos, eu não sei o que me aguarda no futuro. Não sei o que vai acontecer daqui pra frente, se vou, se fico, se faço ou não faço. Não é nem questão de fazer ou não: é questão de O QUE fazer e AONDE.
Meu futuro é um papel em branco. Sensação esquisita essa. Não sei se é ruim ou bom ainda.
Pois bem, a LSE não me aceitou pra fazer o mestrado. Fui rejeitada. Segunda derrota do ano, e mal começou abril.
Nem estou assim chateada, na verdade. Eu sou acostumada a receber nãos o tempo todo. O problema é que pela primeira vez em anos eu não tenho um plano B. Na verdade o mestrado já era o plano B, o que significa que eu não tenho um plano C. Pela primeira vez em o que, 8 anos, eu não sei o que me aguarda no futuro. Não sei o que vai acontecer daqui pra frente, se vou, se fico, se faço ou não faço. Não é nem questão de fazer ou não: é questão de O QUE fazer e AONDE.
Meu futuro é um papel em branco. Sensação esquisita essa. Não sei se é ruim ou bom ainda.
7.4.06
Quem disse que politica e techno nao se misturam? :P
Há! É por isso que eu acredito no poder da blogosfera: o professor de direito Glenn Reynolds , o blogueiro mais influente dos Estados Unidos (e provável que do mundo), o cara que ajudou na queda e renúncia de políticos (caso Trent Lott) e âncoras (caso Dan Rather da rede CBS) extremamente poderosos, é também, adivinhe só, produtor de techno . Em entrevista a revista Wired em 2004, ele fez uma lista dos sites que mais visitava, e entre portais de política e notícias, lá no meio tinha isso:
Mix magazine
www.mixmag.net
Most of my readers don't know I'm a dilettante techno musician . Mix keeps me up on what's happening in the UK club scene - new music, new DJs, what Rob Tissera likes for breakfast - plus I get a free CD with each issue.
Quem diria. Um dos maiores intelectuais do mundo político da atualidade lê a revista mais vassourada do mundo clubber - e ainda chama de "Mix". Muito interessante.
Mix magazine
www.mixmag.net
Most of my readers don't know I'm a dilettante techno musician . Mix keeps me up on what's happening in the UK club scene - new music, new DJs, what Rob Tissera likes for breakfast - plus I get a free CD with each issue.
Quem diria. Um dos maiores intelectuais do mundo político da atualidade lê a revista mais vassourada do mundo clubber - e ainda chama de "Mix". Muito interessante.
Ta' aberta a temporada...
...de planejamento de verão. Foi só a temperatura subir um pouquinho (13º C! woo-hoo!), já sai todo mundo pra rua de chinelos com aquele sorrisão na cara. E já começa as preparações pra temporada quente: passa tão rápido que o negócio é tentar aproveitar o máximo e encaixar o maior número de viagens/gigs/eventos/festivais/pic-nic-no-parque que der, senão quando ver, lá vem o céu cinzento de volta.
Eu resolvi começar a temporada mais cedo. Vou me jogar na ilha de Mallorca, na Espanha , pro meu aniversário fim do mês. Depois de terminar essa monografia, tô achando que eu vou merecer um breakzinho.
Eu resolvi começar a temporada mais cedo. Vou me jogar na ilha de Mallorca, na Espanha , pro meu aniversário fim do mês. Depois de terminar essa monografia, tô achando que eu vou merecer um breakzinho.
6.4.06
Club pra ingles ver
A DJ magazine dessa quinzena publicou a própria lista dos 50 clubs mais quentes do planeta (não saiu no site, uma pena). O Warung ficou em 19º lugar, caindo 16 posições desde novembro do ano passado quando a MixMag decidiu que o club itajaiense era o terceiro melhor do mundo. Não que a revista não decidisse puxar o saco do que pra mim é um dos clubs mais elitistas do mundo (R$ 200 de entrada em noite só com residentes no line-up, vai cagar) - saiu chamada na capa (Paraíso encontrado!) e matéria de duas páginas com o repórter contando as vantagens de ficar hospedado na mansão que Gustavo Conti divide com Leozinho, virando "caipRinhas" e babando na mulherada. Esse povo do Warung sabe mesmo como fazer um marketing pra inglês ver.
A lista da revista também não é lá muito confiável, anyway. 600 djs votaram nos clubs favoritos de cada, e ao ver que vinte dos cinquenta clubs escolhidos são britânicos, é de se perguntar se eles não andaram puxando a brasa pra sardinha deles. Certos lugares pra lá de cheesy como o KissdaFunk em Leeds e o Air de Birmingham, casa da festa blubber Godskitchen ficaram a frente do clubinho-cool Herbal, e a instituição parisiense que e' o Rex ficou em último. E no top 10, quatro são espanhóis véios de guerra (Amnésia, Pacha, Space, anyone?), e a santa trindade clubber ficou com a Fabric, o The End e a Turnmills, nessa ordem. Esse última categoria não chego a discordar - o The End continua sendo favoritíssimo pour moi, mais por causa da Trash nas segundas, e da Chew the Fat uma vez por mês.
Outro club brazuca que entrou pra lista foi o D-Edge paulista, em 34º, "por causa do mega-equalisador na parede."
A lista da revista também não é lá muito confiável, anyway. 600 djs votaram nos clubs favoritos de cada, e ao ver que vinte dos cinquenta clubs escolhidos são britânicos, é de se perguntar se eles não andaram puxando a brasa pra sardinha deles. Certos lugares pra lá de cheesy como o KissdaFunk em Leeds e o Air de Birmingham, casa da festa blubber Godskitchen ficaram a frente do clubinho-cool Herbal, e a instituição parisiense que e' o Rex ficou em último. E no top 10, quatro são espanhóis véios de guerra (Amnésia, Pacha, Space, anyone?), e a santa trindade clubber ficou com a Fabric, o The End e a Turnmills, nessa ordem. Esse última categoria não chego a discordar - o The End continua sendo favoritíssimo pour moi, mais por causa da Trash nas segundas, e da Chew the Fat uma vez por mês.
Outro club brazuca que entrou pra lista foi o D-Edge paulista, em 34º, "por causa do mega-equalisador na parede."
5.4.06
We Media em Londres
A segunda versão do fórum global We Media, sobre novas tecnologias no mundo da comunicação vai acontecer aqui, em maio. Vai reunir todos os grandes players da área no momento: blogueiros Americanos (incluindo Jeff Jarvis do Buzzmanchine, Dan Gillmor do Bayosphere e David Sifry do Technorati ) jornalistas e chefões das maiores empresas de mídia do mundo (BBC, Reuters, you name it), e vão discutir em dois dias todas os aspectos do mundo tecnológico que andam abalando o mundo jornalístico: blogs, podcasts, flickrs, gadgets, youtubes, e principalmente o uso de tudo isso pelo cidadão comum.
Imagine se eu já não fiquei com os dedos coçando aqui. Todos os caras que eu ando cobrindo na minha monografia vão estar lá ao vivo e em cores, e anda vão estar dando updates no meu tema. Pequeno porém: custa módicos $795 (mais ou menos £400) pra participar. Alguém aí se habilita a financiar uma pobre estudante a participar da conferência?
Adivinha quem e' esse figura da foto?
4.4.06
Fim de carreira
Ando me divertindo com a maneira que os jornais andam destruindo Sharon Stone e essa última tentativa desesperada da loira se firmar como sex-symbol-depois-de-véia em Instinto Selvagem 2. O Sunday Times foi particularmente impiedoso: não só disse que aos 48 Stone não está em forma pra alguém dessa idade, mas sim pra alguém com dinheiro pra fazer plástica, ainda chamou a moça de "uma imitação brilhosa, retocada, e levantada de uma deusa do sexo que não consegue mais ser sexy." Disse ainda que uma época eles chegaram a acreditar que a loira tinha talento, como em Casino. Hoje em dia, só dá mesmo é pra rir da cara da coitada.
Ui. Depois dessa eu enfiava uma faca no peito e me aposentava. :P
"And I Thank Yoooouuu....
... for bringuing me heeeeere, for showing me hoooooome..."

Ainda tá soando alto aqui o show do Depeche Mode de ontem a noite. Confesso que eu não estava arrancando os cabelos de empolgação - e a primeira vista o público também parecia não estar, de tão civilizado e uniforme que era - até o vocalista David Gaham arrancar a camisa e chacoalhar as tatuagens pelo palco enquanto cantava "Personal Jesus." Mas esse não foi o ápice do show, que foi bastante equilibrado entre hits clássicos e novidades. Pra mim, a melhor parte foi quando o guitarrista Martin Gore, de saia de couro e asas nas costas, pegou o microfone e cantou a lindíssima "Home" , do álbum Ultra de 97 (o momento da foto aí de cima, tirada com o celular). Aí eu até sentei, hipnotizada com a finesse da voz dele, pela letra da música e pelos beats super sexy. Não adianta, eu sou uma eterna sucker por melodia, baladeira no último (no sentido de gostar de "balada = música melódica", não de "balada = festa/noite"). Aliás, todos os momentos que o Gore assumiu os vocais foram mais memoráveis do que as investidas performáticas de Gaham.
O mais irônico foi que no fim das contas esse foi um show mais pra se assistir do que dançar. Além de o set list ter sido quase igualmente dividido entre hits de pista e baladas cheias de reflexões sobre o lado dark da vida, no palco os telões se posicionavam cada hora de uma maneira diferente, mostrando a banda em contexto com grafismos e imagens referentes a letra da música que tocava.
E Gaham, hm, só dava ele.
Bem bom.
Aliás, falando em show civilizado, explico: não só uma grande porcentagem da platéia já tinha passado ou estava beirando os 40 (Depeche Mode não é da minha época, menino!), mas também foram uns exemplos de educação. Quando todo mundo se levantou das cadeiras, e eu e a minha comparsa de 1 metro e meio Santie perdemos quase que a visão total do palco, um casal girafa perguntou se a gente não queria trocar de lugar com eles. Quando ainda assim não funcionou, dois funcionários viram nossa situação, chamaram a supervisora e conseguiram lugares pras duas nanicas na arquibancada, do lado do palco.
A educação britânica ainda me surpreende.

Ainda tá soando alto aqui o show do Depeche Mode de ontem a noite. Confesso que eu não estava arrancando os cabelos de empolgação - e a primeira vista o público também parecia não estar, de tão civilizado e uniforme que era - até o vocalista David Gaham arrancar a camisa e chacoalhar as tatuagens pelo palco enquanto cantava "Personal Jesus." Mas esse não foi o ápice do show, que foi bastante equilibrado entre hits clássicos e novidades. Pra mim, a melhor parte foi quando o guitarrista Martin Gore, de saia de couro e asas nas costas, pegou o microfone e cantou a lindíssima "Home" , do álbum Ultra de 97 (o momento da foto aí de cima, tirada com o celular). Aí eu até sentei, hipnotizada com a finesse da voz dele, pela letra da música e pelos beats super sexy. Não adianta, eu sou uma eterna sucker por melodia, baladeira no último (no sentido de gostar de "balada = música melódica", não de "balada = festa/noite"). Aliás, todos os momentos que o Gore assumiu os vocais foram mais memoráveis do que as investidas performáticas de Gaham.
O mais irônico foi que no fim das contas esse foi um show mais pra se assistir do que dançar. Além de o set list ter sido quase igualmente dividido entre hits de pista e baladas cheias de reflexões sobre o lado dark da vida, no palco os telões se posicionavam cada hora de uma maneira diferente, mostrando a banda em contexto com grafismos e imagens referentes a letra da música que tocava.
E Gaham, hm, só dava ele.
Bem bom.
Aliás, falando em show civilizado, explico: não só uma grande porcentagem da platéia já tinha passado ou estava beirando os 40 (Depeche Mode não é da minha época, menino!), mas também foram uns exemplos de educação. Quando todo mundo se levantou das cadeiras, e eu e a minha comparsa de 1 metro e meio Santie perdemos quase que a visão total do palco, um casal girafa perguntou se a gente não queria trocar de lugar com eles. Quando ainda assim não funcionou, dois funcionários viram nossa situação, chamaram a supervisora e conseguiram lugares pras duas nanicas na arquibancada, do lado do palco.
A educação britânica ainda me surpreende.
1.4.06
Ainda to com a pulga atras da orelha...
... com essa questão imigratória sendo debatida essa semana no Congresso Americano. Á primeira vista, acho bastante interessante a idéia do Presidente Bush de criar um programa de trabalho temporário que vá legalizar os mais de 11 milhões de imigrantes ilegais no país (acho que pela primeira vez na vida eu concordo com uma proposta vinda dele) - ainda que ao mesmo tempo planeje reforçar as bordas com o México. Por outro lado, é óbvio que isso está no interesse das mega-corporações de contratar trabalhadores por salários absurdamente módicos, fazendo o trabalho que Americanos não querem fazer, e do governo de embolsar as taxas que esse povo todo deixa de pagar.
Não sei direito ainda até que ponto isso vai trazer benefícios ou consequências a longo prazo e para qual dos lados. Sei que a proposta de legalizar é infinitamente melhor do que criminalizar imigrantes sem papéis como alguns republicanos querem - os que não param pra pensar que se isso acontecer, a economia Americana desaba. E pelo menos isso vai acabar com o medo generalizado que assola a vida dos ilegais. Quando morei nos EUA, eu convivi com dezenas de brasileiros e latinos em geral que viviam em constante alerta, estagnados em sub-empregos em condições desumanas, sendo mal-tratados e engolindo porque não tinham a liberdade de sair e procurar outro lugar mais decente. Tinham que dar graças a deus de ter achado alguém que os desse algum trabalho e não se importasse com os documentos falsos, por mais que os horários fossem absurdos e o salário insignificante. Isso sim tem que acabar.
Não sei direito ainda até que ponto isso vai trazer benefícios ou consequências a longo prazo e para qual dos lados. Sei que a proposta de legalizar é infinitamente melhor do que criminalizar imigrantes sem papéis como alguns republicanos querem - os que não param pra pensar que se isso acontecer, a economia Americana desaba. E pelo menos isso vai acabar com o medo generalizado que assola a vida dos ilegais. Quando morei nos EUA, eu convivi com dezenas de brasileiros e latinos em geral que viviam em constante alerta, estagnados em sub-empregos em condições desumanas, sendo mal-tratados e engolindo porque não tinham a liberdade de sair e procurar outro lugar mais decente. Tinham que dar graças a deus de ter achado alguém que os desse algum trabalho e não se importasse com os documentos falsos, por mais que os horários fossem absurdos e o salário insignificante. Isso sim tem que acabar.
Brasileiro tem em tudo que e' canto...
... ate' no espaço . E não é que o Coronel Marcos Pontes aportou mesmo na Estação Espacial Internacional? E ainda levou uma bandeira do Brasil e uma camiseta da seleção - pra ajudar o Brasil a ganhar a copa. Heh.
Transamerica
Acabei de chegar do meu cinema favorito, o Greenwich Picture House. Nessa época onde tudo é massificado e corporativo, é ótimo ter cinemas locais e independentes, com uma programação mais autônoma. Lá sempre rola sessões vespertinas de filmes antigos (de Breakfast at Tiffany's a Back to the Future), e vez ou outra rola festivais temáticos e open-session com diretores. Bato cartão quase toda semana.
Vi Transamerica, o filme onde a desperate housewife Felicity Huffman encarna um transexual que descobre ser pai de um adolescente uma semana antes de se submeter a uma operação de mudança de sexo. A história é ótima, sem apelar um minuto pro lado melodramático, e cheia dos momentos hilários sem cair no clichê gay. Aliás, por mais que o filme repita a fórmula de road trip gay (Priscilla, Wong Foo), esse não é um filme sobre sexualidade como é sobre família e aceitação. E por mais que eu ache que a voz de Huffman não convence como sendo masculina, todo o resto estava impecável: os trejeitos, os costumes, a fachada. Achei bem bom.
31.3.06
Quem tem boca vai a roma...
... ou pelo menos vira repórter. Li a história desse estudante de jornalismo com uma certa ponta de remorso: como ele, tive pelo menos três grandes oportunidades de ter vendido histórias de cacife (dois ataques terroristas - um em Londres em julho passado e outro no Egito em agosto, mais a morte de Jean Charles de Menezes) e não o fiz. Até hoje não sei direito porque não mexi o traseiro e fui atrás. Consegui cobrir a visita da família Menezes a Londres e vender pra agência BR Press, mas ainda assim podia ter feito mais.
O problema é que ainda não sei se sirvo mesmo pra ser repórter. Gosto de escrever, opinar, estudar, analisar - mas não sei até que ponto gosto/tenho talento de ir pra rua caçar estórias.
Ainda bem que jornalismo não é só isso. Vá saber o que o futuro me aguarda.
O problema é que ainda não sei se sirvo mesmo pra ser repórter. Gosto de escrever, opinar, estudar, analisar - mas não sei até que ponto gosto/tenho talento de ir pra rua caçar estórias.
Ainda bem que jornalismo não é só isso. Vá saber o que o futuro me aguarda.
Consegui...
29.3.06
Argh, 2.
Soninha foi censurada. A Folha de S. Paulo, host do blog da vereadora, proibiu a moça de discutir sobre política lá. Pode qualquer coisa: música, futebol, o ar que se respira, mas política em si não. Por deus.
Que que adianta lutar por um país mais democrático e justo se a própria mídia brasileira é autoritária e anti-democrática? A Folha, como quase toda a mídia mainstream brasileira, deve estar é se borrando de medo de imaginar que o cidadão brasileiro possa começar a pensar.
"Vai que eles começam a entender o que a gente escreve aqui e passam a nos criticar?"
Argh.
Que que adianta lutar por um país mais democrático e justo se a própria mídia brasileira é autoritária e anti-democrática? A Folha, como quase toda a mídia mainstream brasileira, deve estar é se borrando de medo de imaginar que o cidadão brasileiro possa começar a pensar.
"Vai que eles começam a entender o que a gente escreve aqui e passam a nos criticar?"
Argh.
28.3.06
Argh.
Senta aí que baixou a véia reclamona aqui.
Tava passeando pelos fotologs hoje, e sempre acabo caindo naquela manezice que e' o Frito_Passa_Mal. Engraçado como o mundo dá voltas. Nas antigas, o povo underground sonhava que "o movimento" se popularizasse. Daí se popularizou, e hoje em dia rave e música eletrônica em geral é coisa de descabeçado, gente que passa mal todo fim de semana, gente que fica 24 horas por dia planejando a próxima balada, em outras palavras, gente chata. Posso estar generalizando, mas e' MUITO raro encontrar gente legal e interessante envolvida nesse meio - ou o povo parou no tempo e fica repetindo a mesma ladainha ano após ano, ou o povo e' deslumbrado. Gente brainless, como diz a minha amiga Isa.
Me fez lembrar que essa semana a comunidade brazuca aqui ainda em polvorosa: pelo menos uns 10 vieram me perguntar se eu não vou me jogar "no INFEQUITÉDGI na Brixton" - traduzindo: Infected Mushroom vão tocar na Brixton Academy, os ídolos-mor do psy e referência máxima do típico brasileiro que vem passar um tempo em Londres atrás de balada. Isso quando não vai parar na Heaven , que costumava ser uma noite tradicional gay, e hoje é templo verde-amarelo. Eu não entendo como esse tipo de coisa acontece, como um monte de mané descobre uma balada, vira febre e estraga. A própria Nag Nag Nag, que antes era referência cool no mundo electro, hoje só dá pirulito-óculosescuro-nikeshocks-gentesuada-e-semcamisa-semordendo, gente que não fala uma palavra de inglês a não se "váibe" e "fullon". You get the picture.
Se eu frequentasse esses lugares ia ter fotos suficiente pra abrir um fotolog concorrente.
Tava passeando pelos fotologs hoje, e sempre acabo caindo naquela manezice que e' o Frito_Passa_Mal. Engraçado como o mundo dá voltas. Nas antigas, o povo underground sonhava que "o movimento" se popularizasse. Daí se popularizou, e hoje em dia rave e música eletrônica em geral é coisa de descabeçado, gente que passa mal todo fim de semana, gente que fica 24 horas por dia planejando a próxima balada, em outras palavras, gente chata. Posso estar generalizando, mas e' MUITO raro encontrar gente legal e interessante envolvida nesse meio - ou o povo parou no tempo e fica repetindo a mesma ladainha ano após ano, ou o povo e' deslumbrado. Gente brainless, como diz a minha amiga Isa.
Me fez lembrar que essa semana a comunidade brazuca aqui ainda em polvorosa: pelo menos uns 10 vieram me perguntar se eu não vou me jogar "no INFEQUITÉDGI na Brixton" - traduzindo: Infected Mushroom vão tocar na Brixton Academy, os ídolos-mor do psy e referência máxima do típico brasileiro que vem passar um tempo em Londres atrás de balada. Isso quando não vai parar na Heaven , que costumava ser uma noite tradicional gay, e hoje é templo verde-amarelo. Eu não entendo como esse tipo de coisa acontece, como um monte de mané descobre uma balada, vira febre e estraga. A própria Nag Nag Nag, que antes era referência cool no mundo electro, hoje só dá pirulito-óculosescuro-nikeshocks-gentesuada-e-semcamisa-semordendo, gente que não fala uma palavra de inglês a não se "váibe" e "fullon". You get the picture.
Se eu frequentasse esses lugares ia ter fotos suficiente pra abrir um fotolog concorrente.
26.3.06
More music, less talk
Agora que não tenho mais nada a fazer pra faculdade a não ser a monografia, resolvi ser mais ativa no lado cultural. Tanta coisa acontecendo de bom nessa cidade, e a preguiçosa aqui nunca vai em nada. Mas ontem botei duas coisas importantíssimas na agenda: comprei ingressos pro show do Radiohead , em maio, e do ,Massive Attack , em junho. E sem apelar pro Ebay ou os cambistas de Tottenham Court Road - acordei cedo e lutei na frente do computador assim que deram a largada. Aqui tem horário certo pra começar a vender ingressos na internet, normalmente ás 9 da manhã. A batalha é tão grande ás vezes que os sites não deixam comprar mais que dois e ainda assim, tem que comprar um de cada vez. E é questão de minutos pros ingressos esgotarem, ainda mais quando são shows mais exclusivos como esse do Radiohead, onde a banda vai road-test as músicas do álbum novo .
A do Massive Attack já vai ser parte de um festival no Hyde Park. Vai ser a primeira vez que vou num festival desde que cheguei - logo aqui, terra dos festivais. Parece que no dia também vão tocar Flaming Lips e Pharell, nada muito apetitoso - mas ver Massive Attack já vai ser uma realização, igual quando vi o último show do Orbital, uma das bandas da minha adolescência.
Tô pensando também em ir pra Love Parade em julho , outro sonho teenager. Foda é que com esse meu "desapego eletrônico" não vai ter muita graça como teria 5 anos atrás.
A do Massive Attack já vai ser parte de um festival no Hyde Park. Vai ser a primeira vez que vou num festival desde que cheguei - logo aqui, terra dos festivais. Parece que no dia também vão tocar Flaming Lips e Pharell, nada muito apetitoso - mas ver Massive Attack já vai ser uma realização, igual quando vi o último show do Orbital, uma das bandas da minha adolescência.
Tô pensando também em ir pra Love Parade em julho , outro sonho teenager. Foda é que com esse meu "desapego eletrônico" não vai ter muita graça como teria 5 anos atrás.
Dancinha da pizza, da impunidade, mensalista
Aposto que você também viu a cena que a deputada Ângela Guadagnin protagonizou no plenário essa semana, quando o colega João Magno foi absolvido no caso do mensalão. O foda não é saber que ela vai pagar caro por ter feito essa dancinha - foda é saber que ela certamente vai ser punida muito mais do que se tivesse sido uma dos deputados que receberam o dinheiro de Marcos Valério. Tem alguma coisa muita errada com o senso de julgamento dos brasileiros...
Se não viu ainda, vai lá .
24.3.06
Midia e democracia
Sou super fã do blog da Soninha . Acho o máximo que ela usa um blog pra cobrir assuntos e polêmicas que volta e meia acontecem dentro do plenário (e ela conta tudo que é bafón na íntegra), e ainda consegue gerar uma discussão em torno do assunto através do sistema de comentários. Muita gente que talvez não se interessaria por política acaba entrando no meio pelo tom acessível que ela usa - e claro, pela imagem jovem. Isso é o que eu chamo de mídia democrática.
(by the way, o que ela faz é exatamente o tema do minha monografia - por isso o interesse.)
Falando em mídia e democracia, Soninha anda defendo a idéia de que a mídia brasileira devia ser mais caruda e tomar suas devidas posições , em vez de deixar mensagens embutidas e confundir o público. Disse ela:
"Sim, eu sou do PT. E dou aos que me lêem a chance de avaliar o que escrevo sabendo disso. Dentro dos corretíssimos apelos por transparência nas próximas eleições, eu incluiria um: que a mídia explicitasse suas preferências, como a Carta Capital fez em 2002. Ou como a Folha fez, quando defendeu a cassação de José Dirceu. Que Roberto Civita, por exemplo, declarasse em editorial na Veja: “Alckmin é meu candidato a presidente, e José Serra ao governo do estado”. Não estou deduzindo, não. Eu sei. Fontes seguríssimas. "
Eu também sou super a favor de uma mídia mais partidária. Não tem nada de errado saber de que lado certas pessoas estão, desde que aja espaço pra todo mundo dar opinião de maneira justa (aqui na Inglaterra, as coisas acontecem assim: todo jornal é assumidamente de direita ou esquerda). O problema é que enquanto o sistema de educação no Brasil não ensinar os alunos a questionar o que são servidos - quase sempre empurrados - nunca vai existir democracia. Decorar pra passar na prova não ajuda ninguém, só faz com a que as pessoas tenham preguiça de pensar. A grande maioria dos brasileiros confia cegamente na grande mídia, e ainda tem aquela idéia de que "se saiu na Globo ou na Veja, só pode ser verdade." Nem sempre, meus caros, nem sempre. Se existisse mais diversificação, mais vozes com o mesmo tipo de projeção que certas companhias conseguem, talvez o Brasil fosse um lugar melhor pra se viver.
(by the way, o que ela faz é exatamente o tema do minha monografia - por isso o interesse.)
Falando em mídia e democracia, Soninha anda defendo a idéia de que a mídia brasileira devia ser mais caruda e tomar suas devidas posições , em vez de deixar mensagens embutidas e confundir o público. Disse ela:
"Sim, eu sou do PT. E dou aos que me lêem a chance de avaliar o que escrevo sabendo disso. Dentro dos corretíssimos apelos por transparência nas próximas eleições, eu incluiria um: que a mídia explicitasse suas preferências, como a Carta Capital fez em 2002. Ou como a Folha fez, quando defendeu a cassação de José Dirceu. Que Roberto Civita, por exemplo, declarasse em editorial na Veja: “Alckmin é meu candidato a presidente, e José Serra ao governo do estado”. Não estou deduzindo, não. Eu sei. Fontes seguríssimas. "
Eu também sou super a favor de uma mídia mais partidária. Não tem nada de errado saber de que lado certas pessoas estão, desde que aja espaço pra todo mundo dar opinião de maneira justa (aqui na Inglaterra, as coisas acontecem assim: todo jornal é assumidamente de direita ou esquerda). O problema é que enquanto o sistema de educação no Brasil não ensinar os alunos a questionar o que são servidos - quase sempre empurrados - nunca vai existir democracia. Decorar pra passar na prova não ajuda ninguém, só faz com a que as pessoas tenham preguiça de pensar. A grande maioria dos brasileiros confia cegamente na grande mídia, e ainda tem aquela idéia de que "se saiu na Globo ou na Veja, só pode ser verdade." Nem sempre, meus caros, nem sempre. Se existisse mais diversificação, mais vozes com o mesmo tipo de projeção que certas companhias conseguem, talvez o Brasil fosse um lugar melhor pra se viver.
23.3.06
Diario da Campanha - Resultado
Well, obviamente não fui eleita. Inocente da minha parte pensar que qualquer tentativa de falar sobre política numa universidade de artes, aonde o egocentrismo prevalece acima de tudo, ia fazer alguma diferença. No fim das contas, os candidatos mais populares (leia-se que estavam a mais tempo na universidade, e do sexo masculino), e menos qualificados, levaram a maioria dos votos.
Mesmo eu tendo passado o dia de ontem inteiro no café da minha faculdade tirando vantagem da conexão wireless pra conseguir votos na hora (e mesmo eu tendo comprado uma porrada de votos com chocolate :P) , não funcionou. Rolou até agressão por parte das amigas do meu adversário maior, me chamando de "fucking foreigner." Oh, well. Eu sabia que, sendo uma estrangeira tentando roubar emprego de britânico, ia dar nisso.
Na verdade, eu já tinha noção de que minhas chances eram pequenas, e eu fiquei de boa na hora que saiu os resultado - fui até dar um abraço no vencedor, que quase se debulhou em lágrimas pedindo desculpas pela agressão. Segundo ele, eu já era uma vencedora por ter aparecido do nada (quando todos os candidatos estavam envolvidos com o grêmio de alguma maneira no passado), feito uma campanha enorme e dado minha cara pra bater num país que não é o meu. Ok, aceito suas desculpas.
Mas por mais que eu esteja satisfeita comigo mesma por ter batalhado até o último minuto, mesmo não tendo vencido, eu ainda fiquei com a pulga atrás da orelha com um fator que contribuiu pra definir quem venceu: foram todos homens (a não ser nas posições onde só tinha mulher concorrendo). Meu pai disse no telefone 'Thais, pode ter certeza que mulher nenhuma vai votar em você." Meu namorado disse "Claro que eles ganharam, universidade de artes só tem mulher." No caso da posição pra presidente, foi até ridículo: as duas meninas concorrendo junto com o menino tinha um portfolio muito mais impressionante, uma tendo estudado política e a outra tendo trabalhando pra união desde o começo da faculdade. Não, mas quem ganhou foi o "dude", o bonitón descerebrado que faz a recepção das calouras todo ano uma experiência inesquecível. Na minha categoria foi ridículo: o menino estava claramente atrás do dinheiro, e na equipe dele só tinha mulheres - e foram elas as barraqueiras, as que vieram comprar briga comigo como se eu tivesse querendo "roubar o homem" delas. Medo.
Chega a ser revoltante. Quando contei isso pro meu pai ontem, ele disse: "Thais, não existe nenhuma mulher em cargo de diretoria aonde eu trabalho - por mais que elas sejam qualificadas. Homens tendem a ser mais solidários um com o outro e a gente acaba se ajudando, mulher não. Elas tem ciúme umas das outras, preferem criar obstáculos e dar suporte prum homem na mesma posição."
No fim, todo mundo sai perdendo. As mulheres mais do que homens - como sempre. Triste isso.
Mesmo eu tendo passado o dia de ontem inteiro no café da minha faculdade tirando vantagem da conexão wireless pra conseguir votos na hora (e mesmo eu tendo comprado uma porrada de votos com chocolate :P) , não funcionou. Rolou até agressão por parte das amigas do meu adversário maior, me chamando de "fucking foreigner." Oh, well. Eu sabia que, sendo uma estrangeira tentando roubar emprego de britânico, ia dar nisso.
Na verdade, eu já tinha noção de que minhas chances eram pequenas, e eu fiquei de boa na hora que saiu os resultado - fui até dar um abraço no vencedor, que quase se debulhou em lágrimas pedindo desculpas pela agressão. Segundo ele, eu já era uma vencedora por ter aparecido do nada (quando todos os candidatos estavam envolvidos com o grêmio de alguma maneira no passado), feito uma campanha enorme e dado minha cara pra bater num país que não é o meu. Ok, aceito suas desculpas.
Mas por mais que eu esteja satisfeita comigo mesma por ter batalhado até o último minuto, mesmo não tendo vencido, eu ainda fiquei com a pulga atrás da orelha com um fator que contribuiu pra definir quem venceu: foram todos homens (a não ser nas posições onde só tinha mulher concorrendo). Meu pai disse no telefone 'Thais, pode ter certeza que mulher nenhuma vai votar em você." Meu namorado disse "Claro que eles ganharam, universidade de artes só tem mulher." No caso da posição pra presidente, foi até ridículo: as duas meninas concorrendo junto com o menino tinha um portfolio muito mais impressionante, uma tendo estudado política e a outra tendo trabalhando pra união desde o começo da faculdade. Não, mas quem ganhou foi o "dude", o bonitón descerebrado que faz a recepção das calouras todo ano uma experiência inesquecível. Na minha categoria foi ridículo: o menino estava claramente atrás do dinheiro, e na equipe dele só tinha mulheres - e foram elas as barraqueiras, as que vieram comprar briga comigo como se eu tivesse querendo "roubar o homem" delas. Medo.
Chega a ser revoltante. Quando contei isso pro meu pai ontem, ele disse: "Thais, não existe nenhuma mulher em cargo de diretoria aonde eu trabalho - por mais que elas sejam qualificadas. Homens tendem a ser mais solidários um com o outro e a gente acaba se ajudando, mulher não. Elas tem ciúme umas das outras, preferem criar obstáculos e dar suporte prum homem na mesma posição."
No fim, todo mundo sai perdendo. As mulheres mais do que homens - como sempre. Triste isso.
20.3.06
Diario da Campanha - continua...

E eu achando que ter espalhado cartazes pela universidade foi suficiente. Foi nada. Hoje, primeiro dia da eleição, a competição foi tão fierce que teve até bate-boca. Entre eu e uma amiga de um adversário, que até então estava fazendo campanha de maneira justa. Mas no fim do dia, o meu campus (nosso, na verdade - três dos meus concorrentes estudam no meu campus), estava entupido de cartazes, banners, balões, camisetas... e tudo da concorrência! Sem contar a paródia que fizeram do meu próprio cartaz, colando a cabeça de uma candidata no meu corpo e escrevendo coisas esquisitas em volta.
Minha tática de enviar email usando a database da universidade também não funcionou da melhor maneira: recebi pelo menos meia-dúzia de hate mails mandando eu praquele lugar (o que segundo meu pai é um ótimo resultado, considerando que eu enviei mais de 3 mil emails).
A pressão é absurda, mais do que eu esperava que fosse ser. O negócio vai ser mudar de tática, sair do meu campus e tentar conseguir votos nos outros.
Tem ainda mais dois dias de votação, e eu sinceramente, não vejo a hora disso tudo acabar.
19.3.06
To colaborando...
com o Vida Eletronika, o blog do IFI sobre, ahm, vida no mundo da música eletrônica. Vai lá depois.
que emprego o que...
Esse tipo de coisa só acontece no Primeiro Mundo: essa semana estudantes franceses organizaram uma série de protestos violentos contra uma lei que vai garantir o primeiro emprego a jovens de 18 a 26 anos. A lei não garante estabilidade, o que significa que o empregador pode despedir o contratado a qualquer momento dentro de um período de dois anos - e foi isso que pegou no calo dos estudantes. Por mais que ande super difícil arrumar emprego nessa faixa etária, pra eles é melhor ficar desempregado do que viver dois anos com a perspectiva de ser demitido a qualquer minuto.
Imagine se num país sub-desenvolvido o povo ia reclamar.
Uma semana depois...
Oxi. Essa semana achei que eu ia ter um colapso. Mental, físico, psicológico. É sempre assim nessa época do ano, uma correria fenomenal durante os primeiros meses do ano. Aí passa meu aniversário final de abril e bam!, 4 meses de férias. Na verdade, férias não né, que eu acabo trabalhando full-time o verão todo, dando uma viajadinha ou outra no final de semana pra relaxar.
Anyway, missão cumprida. Minha cara está pendurada nas paredes da universidade inteira, sem excessão. Todos os 14 campus/sedes. Não consegui mandar os 10 mil emails que eu estava planejando, mas consegui enviar pelo menos uns 100 pros alunos que eu conheci pessoalmente pedindo votos (e eu nem tinha percebido como eu conheco bastantinho de gente até... logo eu que fui anti-social por quase todo os dois primeiros anos).
Não consegui dormir direito pelas quatro noites desde que Nick, meu gato mais velho, ficou doente. Foram três idas ao veterinário, várias libras deixadas por lá e muito choro de madrugada por parte do Quincas, meu gato mais novo que sentia falta do irmão mais velho. Uma experiência que me fez lembrar porque eu vou continuar adiando ter filhos o máximo que eu puder.
Não consegui também planejar o aniversário do namorido de maneira decente na terça-feira. Não consegui nem comprar um presente, o que deixou o moço deveras chateado. Mas consegui bookar uma mesa num bar de jazz no soho, em cima da hora, e como não tinha quase ninguém no lugar, a banda acabou tocando quase que exclusivamente pro aniversariante.
Não consegui também aumentar o número de palavras na minha monografia de maneira considerável. Mas pelo menos consegui marcar uma reunião com meu orientador em cima da hora, e pela primeira vez desde que começamos a discutir o assunto, ele conseguiu me dar um conselho que prestasse. Uma conquista vindo de um professor que não usa email e não sabe mexer num celular - e a minha monografia é sobre tecnologia.
No fim das contas, não consegui fazer uma dezena de coisas, mas consegui dar um jeitenho e chegar no final da semana quebrada mas com sensação de dever cumprido.
Agora dá licença que eu vou ali curtir o começo do meu domingo. Eu avisei que domingo era o meu dia favorito da semana.
Anyway, missão cumprida. Minha cara está pendurada nas paredes da universidade inteira, sem excessão. Todos os 14 campus/sedes. Não consegui mandar os 10 mil emails que eu estava planejando, mas consegui enviar pelo menos uns 100 pros alunos que eu conheci pessoalmente pedindo votos (e eu nem tinha percebido como eu conheco bastantinho de gente até... logo eu que fui anti-social por quase todo os dois primeiros anos).
Não consegui dormir direito pelas quatro noites desde que Nick, meu gato mais velho, ficou doente. Foram três idas ao veterinário, várias libras deixadas por lá e muito choro de madrugada por parte do Quincas, meu gato mais novo que sentia falta do irmão mais velho. Uma experiência que me fez lembrar porque eu vou continuar adiando ter filhos o máximo que eu puder.
Não consegui também planejar o aniversário do namorido de maneira decente na terça-feira. Não consegui nem comprar um presente, o que deixou o moço deveras chateado. Mas consegui bookar uma mesa num bar de jazz no soho, em cima da hora, e como não tinha quase ninguém no lugar, a banda acabou tocando quase que exclusivamente pro aniversariante.
Não consegui também aumentar o número de palavras na minha monografia de maneira considerável. Mas pelo menos consegui marcar uma reunião com meu orientador em cima da hora, e pela primeira vez desde que começamos a discutir o assunto, ele conseguiu me dar um conselho que prestasse. Uma conquista vindo de um professor que não usa email e não sabe mexer num celular - e a minha monografia é sobre tecnologia.
No fim das contas, não consegui fazer uma dezena de coisas, mas consegui dar um jeitenho e chegar no final da semana quebrada mas com sensação de dever cumprido.
Agora dá licença que eu vou ali curtir o começo do meu domingo. Eu avisei que domingo era o meu dia favorito da semana.
12.3.06
Marisa de volta!
Finalmente! Essa foi a melhor notícia do domingo: depois de 6 anos sem lançar nada, a minha diva brazuca favorita, Marisa Monte, voltou ! E compensando o atraso, esta' lançando não um, mas DOIS discos: "Universo ao meu Redor" e "Infinito Particular" um mais focado em samba de raiz e outro em bossa nova.
Bah, vou até dormir feliz depois dessa. As músicas dessa mulher serviram de trilha sonora pra alguns dos momentos mais felizes e marcantes da minha vida. Não ouvi nada dos discos novos ainda, mas tenho certeza que ela não vai me decepcionar. Nunca decepcionou.
Relendo...
o meu outro blog antigo, o Clouds , (ando com mania de reler coisas antigas), encontrei esse post no dia 22 de Janeiro de 2005:
"esses dias tinha um anúncio espalhado pela universidade procurando voluntárias que topassem ser fotografadas durante o orgasmo para um projeto do curso de fotografia. Sei. No mínimo a idéia foi criada por um bando de geeks que não conseguem comer ninguém. Fiquei imaginando quem seria a ingênua que ia topar uma dessas, e de graça. Seria mais fácil contratar uma profissional."
No fim das contas, nenhuma menina topou participar do projeto, mas o tal aluno (Derek Mossop) acabou conseguindo reunir um número considerável de homens interessados em ser fotografados no auge do prazer. Eu até cobri o show pro jornal quando eu fui correspondente de arte.
O mais legal do show e' que se você não conhece o background das fotos, você não associa diretamente a imagem com sexo.
***
Aliás, ter sido correspondente/editora de arte do jornal foi um trabalho muito divertido, parando pra pensar. Eu que nunca fui muito próxima das artes visuais, tive oportunidade de conversar com muita gente criativa e interessante, gente apaixonada pelo que faz. Ta' certo que a maioria não batia bem da cabeça, mas hey, todo bom artista e' meio esquisitão também.
"esses dias tinha um anúncio espalhado pela universidade procurando voluntárias que topassem ser fotografadas durante o orgasmo para um projeto do curso de fotografia. Sei. No mínimo a idéia foi criada por um bando de geeks que não conseguem comer ninguém. Fiquei imaginando quem seria a ingênua que ia topar uma dessas, e de graça. Seria mais fácil contratar uma profissional."
O mais legal do show e' que se você não conhece o background das fotos, você não associa diretamente a imagem com sexo.
***
Aliás, ter sido correspondente/editora de arte do jornal foi um trabalho muito divertido, parando pra pensar. Eu que nunca fui muito próxima das artes visuais, tive oportunidade de conversar com muita gente criativa e interessante, gente apaixonada pelo que faz. Ta' certo que a maioria não batia bem da cabeça, mas hey, todo bom artista e' meio esquisitão também.
Mais cinema politico...
... essa semana. Sexta assisti Syriana , o segundo ataque ao governo americano vindo do bonitón George Clooney. Filme meio complicado pelo número grande de personagens envolvidos na história e pela edição, mas interessante all the same por expôr a corrupção dos gigantes do petróleo nos Estados Unidos e no Oriente Médio. Nada que todos nós já não sabemos, mas é ótimo saber que algum poderoso de Hollywood tem balls pra usar a própria influência e fazer alguma diferença.
**
Falando em fazer diferença, tá virando moda por aqui virar Green: reciclar, usar energia renovável, comer comida orgânica produzida localmente, andar de bike em vez de carro. Coisas que qualquer um adotaria se o preço de tudo isso não fosse alto demais. Pra salvar o planeta hoje em dia precisa ter tempo e dinheiro.
**
Domingo virou o meu dia favorito da semana. O único dia que eu posso fazer companhia pros gatos no sofá o dia todo, e sem culpa.
9.3.06
Diário da Campanha
Nossa. Tô absolutamente e-xaus-ta. Passada. Dois dias sem comer ou dormir direito porque acumulou tudo. Além de ter que preparar a publicidade da campanha (nada sofisticado, óbvio - campanha de estudante é tosquera, na base do xerox), ainda tive uns últimos trabalhos pra entregar e assuntos da casa pra resolver. Aí hoje foi o primeiro dia rodando a universidade colando cartaz. Pendurei mais de 100 pôsters e 200 flyers em 4 das 14 sedes. Foi cansativo pra caralho, mas o legal foi andar de mini-bus pelo lado oeste da cidade - o lado chic, em outras palavras - um lado que eu frequento muito raramente. É incrível como andando de trem e metrô, fazendo sempre o mesmo caminho, você acaba esquencendo como a cidade é incrivelmente grande e interessante.
++
Aí passando na frente do Buckingham Palace, levo um susto: tinha dezenas de bandeiras do Brasil hasteadas junto com as Britânicas na avenida que leva ao palácio. Soltei uns "oh my god!" no meio do ônibus e assustei metade do grupo até lembrar que o Lula estava visitando o país essa semana. Incrível como o verdão da bandeira é capaz de despertar até o mais alienado dos patriotas.
++
O mais engraçado é os jornais chamarem Lula de "President Luís da Silva". Quem?
++
Hoje passou na canal 4 o documentário-drama novo do Michael Winterbottom, The Road to Guantanamo - a primeira vez que vejo um filme sair antes na TV pra sair nos cinemas um dia depois. É a história do famoso Tipton Three, os três britânicos azarados que foram ao um casamento no Pakitstão e acabaram enjaulados pelos Americanos na prisão mais polêmica do mundo em Guantanamo Bay, Cuba. Eu estava cansada demais pra assistir qualquer coisa, mas catatônica no sofá, comecei a assistir por preguiça de mudar o canal. Terminei o filme de pé na frente da TV, revoltada, xingando o governo Americano de aberração pra baixo. É óbvio que a visão do Winterbottom é super partidária, esquerdista, michael moore style - mas não deixa de ser persuasivo e humano o apelo que ele faz pra que fechem imediatamente aquela prisão.
Tem que fechar.
Aliás, Winterbottom está mesmo revolucionando a distribuição cinematográfica. O filme também está disponível pra baixar na internet a partir de hoje .
++
Aí passando na frente do Buckingham Palace, levo um susto: tinha dezenas de bandeiras do Brasil hasteadas junto com as Britânicas na avenida que leva ao palácio. Soltei uns "oh my god!" no meio do ônibus e assustei metade do grupo até lembrar que o Lula estava visitando o país essa semana. Incrível como o verdão da bandeira é capaz de despertar até o mais alienado dos patriotas.
++
O mais engraçado é os jornais chamarem Lula de "President Luís da Silva". Quem?
++
Hoje passou na canal 4 o documentário-drama novo do Michael Winterbottom, The Road to Guantanamo - a primeira vez que vejo um filme sair antes na TV pra sair nos cinemas um dia depois. É a história do famoso Tipton Three, os três britânicos azarados que foram ao um casamento no Pakitstão e acabaram enjaulados pelos Americanos na prisão mais polêmica do mundo em Guantanamo Bay, Cuba. Eu estava cansada demais pra assistir qualquer coisa, mas catatônica no sofá, comecei a assistir por preguiça de mudar o canal. Terminei o filme de pé na frente da TV, revoltada, xingando o governo Americano de aberração pra baixo. É óbvio que a visão do Winterbottom é super partidária, esquerdista, michael moore style - mas não deixa de ser persuasivo e humano o apelo que ele faz pra que fechem imediatamente aquela prisão.
Tem que fechar.
Aliás, Winterbottom está mesmo revolucionando a distribuição cinematográfica. O filme também está disponível pra baixar na internet a partir de hoje .
8.3.06
7.3.06
Turismo realidade
Turista gringo que quiser conhecer o Rio e vivenciar a experiência completa agora vai poder se hospedar em hotéis dentro das favelas. Além de vista pro mar, o quarto na pensão da Tia Alzenira inclui vista pro lixo acumulando nas calçadas, pra tiazinha lavando roupa no tanque e para os moleques vendendo cocaína. Com o bônus de traficantes de chinelo Havaiana cumprimentando o "hóspede" na subida do morro.
Tudo por apenas 13 libras!
Tudo por apenas 13 libras!
Vai ser *duro*
A coisa, no fim das contas, vai ser bem maior e mais trabalhosa do que eu imaginava. Quatro pessoas, contando comigo, estão se canditatando pra vaga de acessor de mídia, e vamos ter duas semanas pra fazer uma campanha massiva. E quando eu digo massiva, eu ainda não tinha noção do tamanho até a hora da reunião. São 5 campus e 14 sedes de cada College. 17 mil alunos. Um mini-ônibus vai nos carregar durante 4 dias por todas as sedes da Universidade, pelos quatro cantos de Londres. Vão ter os temíveis question times, onde os alunos vão poder questionar nossas políticas e perguntar porque diabos eles precisam votar na gente. E em meio a essas duas semanas, eu ainda vou ter que achar tempo pra continuar a escrever a monografia. De madrugada, quem sabe. Se no final do mês eu não estiver arrancando os cabelos de cansaço, vai ser o maior achievement. E se eu for eleita, prometo a mim mesma que vou tirar pelo menos duas semanas de férias. Na Tailândia.
***
Mas eu ainda arrumo tempo pra ler bobagens por aí. Sabe aquelas máquinas que se compra refrigerante e salgadinhos nos corredores de empresas, escolas, e estações? Pois a partir desse mês aqui em Londres vai ser possível comprar acessórios e brinquedos sexuais nessas máquinas. Aham, vibradores e géléias térmicas, coisas do tipo. Mas pra privacidade do cliente, as máquinas vão ser instaladas nos banheiros de clubs, bares e até (juro) academias e salões de beleza.
Fiquei imaginando o tal do "cliente", juntando moedas no fim da noite depois de não ter pegado ninguém. E depois dizem que os britânicos são conservadores.
***
Mas eu ainda arrumo tempo pra ler bobagens por aí. Sabe aquelas máquinas que se compra refrigerante e salgadinhos nos corredores de empresas, escolas, e estações? Pois a partir desse mês aqui em Londres vai ser possível comprar acessórios e brinquedos sexuais nessas máquinas. Aham, vibradores e géléias térmicas, coisas do tipo. Mas pra privacidade do cliente, as máquinas vão ser instaladas nos banheiros de clubs, bares e até (juro) academias e salões de beleza.
Fiquei imaginando o tal do "cliente", juntando moedas no fim da noite depois de não ter pegado ninguém. E depois dizem que os britânicos são conservadores.
6.3.06
Governo Chines...
...proibe canais de tv de falar sobre o Oscar do diretor taiwanes Ang Lee. Aparentemente, a sociedade chinesa ainda nao esta' preparada pra lidar com homossexualidade e nenhum dos 1.300 cinemas no pais vao exibir o filme. Surreal.
Oscars e Eleições
Pela primeira vez em anos eu tive vontade de assistir a cerimonia da Academia, e acabou que nenhuma canal aberto britanico cobriu a premiacao live. Eu nao tenho tv a cabo, e nos canais freeview (BBC NEWS 24, Sky News) so' ia passar a cobertura as 9.30 da manha de hoje. Larguei de mao. Entrei no IMDB mesmo. Pra variar, decepção. Crash e Reese Witherspoon eram as ultimas das minhas apostas, e nao mereciam ganhar. Pelo menos George Clooney, Ang Lee e Phillip Seymour garantiram que um cinema mais 'cabeca' esta' prevalecendo sobre blockbusters endinheirados como War of the Worlds e King Kong.
Os Britanicos e' que tem motivo pra comemorar, pelo menos. Wallace & Grommit, The Chronicles of Narnia e Rachel Weisz eram favoritos nas categorias que concorriam, e se deram bem.
Agora, em fashion, que raios se passou pela cabeca da Charlize Theron pra usar aquele laço e-nor-me no ombro? This is the Oscars, my friend! Your pictures are gonna be remembered forever! E a frequentadora de carteirinha J-Lo parece que exagerou nas injecoes de Botox e no fake-tan esse ano. Que nem a Joan Rivers, a apresentadora do E!: ta' tao repuxada que se ela piscar e' capaz de abrir um rombo na testa.
Impecaveis mesmo estavam a Uma Thurman, Naomi Watts e Diane Kruger. Tao impecaveis que pareciam que estavam usando as tres o mesmo vestido em tom pastel. E a pobre Jennifer Aniston, boring como sempre, apareceu sozinha com a mesma cara, mesmo cabelo, mesmo vestido pretinho de anos. O maximo que ela ja' fez pra mudar foi deixar o cabelo sem escova. Nao e' a toa que Mr Pitt se jogou nos bracos do furacao Jolie. Devia ta' morrendo de tedio, o coitado.
***
Mas chega de fofoca. To nervosa. Hoje fecham as nomeações dos candidatos nas eleições da Universidade, e as 5.30pm vai ter um reuniao onde vao ser dadas as direções das campanhas. To curiosissima pra saber quantos se candidataram a minha posicao, e se tem algum outro concorrente estrangeiro como eu. Vao ser duas semanas de guerra. Deus, dai-me forças.
***
Ja' reparou que metade das palavras aqui tem acento e a outra metade nao, ne'? E' que eu fui descobrir esses dias que usando a tecla alt no mac os acentos aparecem, mas a verdade e' que depois de tanto tempo escrevendo assim fico na maior preguica de acentuar. I'll try to get used to it.
Os Britanicos e' que tem motivo pra comemorar, pelo menos. Wallace & Grommit, The Chronicles of Narnia e Rachel Weisz eram favoritos nas categorias que concorriam, e se deram bem.
Impecaveis mesmo estavam a Uma Thurman, Naomi Watts e Diane Kruger. Tao impecaveis que pareciam que estavam usando as tres o mesmo vestido em tom pastel. E a pobre Jennifer Aniston, boring como sempre, apareceu sozinha com a mesma cara, mesmo cabelo, mesmo vestido pretinho de anos. O maximo que ela ja' fez pra mudar foi deixar o cabelo sem escova. Nao e' a toa que Mr Pitt se jogou nos bracos do furacao Jolie. Devia ta' morrendo de tedio, o coitado.
***
Mas chega de fofoca. To nervosa. Hoje fecham as nomeações dos candidatos nas eleições da Universidade, e as 5.30pm vai ter um reuniao onde vao ser dadas as direções das campanhas. To curiosissima pra saber quantos se candidataram a minha posicao, e se tem algum outro concorrente estrangeiro como eu. Vao ser duas semanas de guerra. Deus, dai-me forças.
***
Ja' reparou que metade das palavras aqui tem acento e a outra metade nao, ne'? E' que eu fui descobrir esses dias que usando a tecla alt no mac os acentos aparecem, mas a verdade e' que depois de tanto tempo escrevendo assim fico na maior preguica de acentuar. I'll try to get used to it.
5.3.06
Corinne
Achei a trilha perfeita pra uma tarde de domingo como hoje, de ressaca e melancolia: Corinne Bailey Rae. Her voice is just adorable. To ouvindo pela oitava vez consecutiva "Like a Star." Pra ficar na cama ate' anoitecer de volta.
Vou ter que arrumar tickets pro show dela em abril.
Nas antigas..
andei relendo meus posts antigos no Vida em Pauta, meu primeiro blog, e achei esse post no dia 25.06.02 sobre um trabalho que eu estava fazendo sobre democratização da comunicação pra faculdade (na época, tava no primeiro ano de jornalismo numa particular de Curitiba):
"Eu podia falar que depois do advento dos blogues a comunicação passou a se tornar definitivamente democrática, pois todos agora tem o direito de escrever o que querem e todos tem o direito de ler o que querem. Mas é lógico que vai aparecer uma interrogação em cima da cabeça do meu professor no momento que ele ler o artigo, porque ele não deve ter a mais ínfima noção do que é um weblog. E aí ele vai escrever um comentário dizendo que o assunto é muito mais amplo do que a internet sequer imagina e que eu deveria me aprofundar mais, afinal, nem 1/3 da população mundial tem internet. (esse dado eu chutei. Não sei quantas pessoas no mundo acessam a internet)."
quem diria que 4 anos mais tarde, eu estaria escrevendo uma monografia sobre isso. E em inglês.
***
naquela época eu escrevia melhor em português. Eu era até engraçadinha.
"Eu podia falar que depois do advento dos blogues a comunicação passou a se tornar definitivamente democrática, pois todos agora tem o direito de escrever o que querem e todos tem o direito de ler o que querem. Mas é lógico que vai aparecer uma interrogação em cima da cabeça do meu professor no momento que ele ler o artigo, porque ele não deve ter a mais ínfima noção do que é um weblog. E aí ele vai escrever um comentário dizendo que o assunto é muito mais amplo do que a internet sequer imagina e que eu deveria me aprofundar mais, afinal, nem 1/3 da população mundial tem internet. (esse dado eu chutei. Não sei quantas pessoas no mundo acessam a internet)."
quem diria que 4 anos mais tarde, eu estaria escrevendo uma monografia sobre isso. E em inglês.
***
naquela época eu escrevia melhor em português. Eu era até engraçadinha.
4.3.06
Balneario = Ibiza ?
Eu tinha escrito em janeiro uma materia pra Jungle (que acabou engavetada por "falta de tempo pra revisar" :/) sobre como Balneario Camboriu estava virando uma especie de Ibiza brazuca, nao so' por causa dos clubs e do aparecimento em massa de djs gringos, mas por causa do Kiwi (foto) e do Galeras, quiosque-bares com DJs tocando a beira-mar na vizinha Praia Brava. So' que parece que esse foi o ultimo verao pra eles. A Justica Federal de Itajai' resolveu tirar todos os estabelecimentos comerciais da Praia Brava. Sera' que isso vai afetar o Warung, o tal do terceiro melhor club do planeta?
Technology Updates

Olha que lame que eu sou. Ano passado deve ter sido o ano que eu passei menos tempo na internet - entrava uma horinha por dia pra checar email, ler um ou outro jornal, e uma vez ou outra postar uma foto no fotolog. O que aconteceu foi que agora eu to percebendo o quanto alienada eu fiquei. Por exemplo, faz tempo que eu ouço falar das maravilhas da tecnologia RSS, que e' uma mao na roda pra jornalistas e bloggers em geral, e que nao da' pra viver sem hoje em dia. Mas eu nunca fui atras. E so' essa semana (!) eu li sobre isso num livro (!!) pra monografia, e instalei um RSS reader pra entender como funciona (!!!). E fiquei maravilhada! It's a TIME SAVER! TODOS os links que eu passei a visitar diariamente ficam ali arrumadinhos por categorias, e so' preciso clicar uma vez em cada pra checar os updates de cada um. Fiquei ate' emocionada. Informação mais rapido que isso nao deve existir. Ou existe?
+++
Outra descoberta foi esse programinha que eu posso usar pra postar no blog sem precisar entrar no site em si. Nao e' assim A descoberta, mas e' interessante - ate' porque dependendo do browser que se usa pra acessar o blog, as ferramentas mudam.
+++
Agora tambem to querendo me atualizar em tudo. Proximos planos inclui aprender a fazer filminhos pra postar por aqui, e produzir um podcast.
1.3.06
mais politica, menos tempo
Entao fica assim: por enquanto, esse blog vai ter (pelo menos a maioria dos) posts em portugues. Vou criar outro blog pra postar em ingles, porque fica trabalhoso demais traduzir o tempo todo - apesar de que manter dois blogs tambem nao e' mamata. Mas vou continuar fazendo o possivel pra encaixar esse em algum tipo de comunidade, pra gerar o tal do debate.
---
Falando em debate, fellow blogger Renan escreveu um post a favor do jornalismo opinativo bem interessante, parecido com coisas que tenho lido pra minha tese final. Sou a favor de menos objetividade, mais opiniao. Pelo menos as pessoas saem da inercia e abrem a boca, nem que seja pra mandar o outro parar de falar merda.
-----
E falando em nao dar tempo, alem de estar atrasada com a minha monografia, com textos pro jornal da faculdade e com o unico freelance pago que eu faco (uma newsletter corporativa pra staff da universidade), ainda inventei mais uma: vou me candidatar pro posto de acessora de midia e comunicacao do gremio estudantil. Vou ter que fazer campanha, com poster, santinho, e tudo. Viu que que da' comecar a estudar politica?
---
Falando em debate, fellow blogger Renan escreveu um post a favor do jornalismo opinativo bem interessante, parecido com coisas que tenho lido pra minha tese final. Sou a favor de menos objetividade, mais opiniao. Pelo menos as pessoas saem da inercia e abrem a boca, nem que seja pra mandar o outro parar de falar merda.
-----
E falando em nao dar tempo, alem de estar atrasada com a minha monografia, com textos pro jornal da faculdade e com o unico freelance pago que eu faco (uma newsletter corporativa pra staff da universidade), ainda inventei mais uma: vou me candidatar pro posto de acessora de midia e comunicacao do gremio estudantil. Vou ter que fazer campanha, com poster, santinho, e tudo. Viu que que da' comecar a estudar politica?
Subscribe to:
Posts (Atom)

