15.12.06

Rock'n'Roll



Saí triste e eufórica da excelente peça "Rock'n'Roll", de Tom Stoppard, hoje a noite. Me fez ainda mais consciente do tempo passando rápido, voando, e do quanto esses anos, os meus 20 e poucos, 20 e tantos, são e serão os anos que eu vou lembrar o resto da vida com nostalgia. Desde os 17 anos, desde quando eu começei a ter sonhos de uma vida menos ordinária, eu tenho consciência da passagem do tempo. De que o momento é agora, que ser jovem significa isso tudo, e que passa num piscar de olhos. For fuck's sake, isso foi a 7 anos atrás. Foi a 4 anos atrás que eu resolvi jogar pro alto minha vidinha confortável em Curitiba a procura de liberdade e criatividade. E no entanto, só agora, 24 anos depois, é que estou finalmente experimentando liberadade criativa. SÓ AGORA, nesse período em que eu parei de fazer planos, estou descobrindo e desenvolvendo uma identidade própria. Sem a mídia, sem a família, sem os amigos, sem a nacionalidade, sem a cultura, sem NADA nem NINGUÉM me ditando o que fazer da minha vida. Eu não me identifico com a cultura brasileira, nem a americana, nem a inglesa, nem nenhuma, e não me importo com isso. Eu não sei mais o que meus amigos, o que a minha família, o que os meus chefes, pensam de mim, e não me importo com isso. A alguns anos atrás eu comecei a aprender do que eu não gosto. Esse ano eu comecei a aprender o que eu gosto. E não tem sensação melhor do que essa.

E voltando a peça, que fala sobre o rock como instrumento de reação política, da invasão da Checoslovákia nos anos 60/70, do gênio de Syd Barret e dos intelectuais de Cambridge, do eterno debate entre o valor da razão e do coração, eu pensei em como nossos tempos são outros. São fúteis e superficiais e efêmeros. Naquela época, nos anos 60 e 70, a música era um porto seguro, um muro de lamentações, uma parede onde se segurar e se proteger da opressão da sociedade. Política e cultura andava de mãos dadas, uma alimentava a outra. Hoje... hoje, nada. Hoje bandas não tem valor, fama é um questão de sorte do que a consequência de um propósito, música está em todo lugar e não tem impacto nenhum. Isso me deixa triste. Mas saber que eu estou aqui, no meio do turbilhão criativo, tendo a oportunidade de, talvez, fazer alguma diferença, me deixa feliz.

E assim sigo, triste, feliz, triste, feliz, triste, feliz......

11.12.06

Doll Parts

I want to be the girl with the most cake,
I fake it so real, I am beyond fake,
And someday you will ache like I ache.

So long

Lá se vai mais uma. Eu definitivamente não sirvo pra ter amizades femininas. Elas nunca duram muito tempo.

4.12.06

Letargia

Definitions of lethargy on the Web:

- a state of comatose torpor (as found in sleeping sickness)
- inanition: weakness characterized by a lack of vitality or energy
- languor: inactivity; showing an unusual lack of energy; "the general appearance of sluggishness alarmed his friends"


ok, here's the deal. Faz quase 5 meses que eu me formei e parece que isso aconteceu décadas atrás, de tão desconectada eu estou daquela época. Parece que foi um sonho longo e ruim, daqueles que grudam na memória quando deveriam mesmo é ter se desmaterializado e esquecido no momento que se acorda. Assim tem sido os últimos 5 meses de 2006: não sei se finalmente levei um beliscão e acordei de um sonho ruim, ou se finalmente tomei uma pancada na cabeça e fui colocada pra dormir. Porque por mais que os dias andam passando rápido, eu me movimento em slow motion. Quando eu penso na tese que eu escrevi lá longe em abril, eu mal consigo acreditar que fui eu que escrevi aquelas 50 páginas. Eu mal lembro como escrever textos acadêmicos, mesmo que tudo o que eu tenha escrito nos últimos 5 anos foram os malditos textos acadêmicos. Minha paisagem cerebral (mental landscape?) reduziu de velocidade. Tenho lido pouquíssimo, mas mesmo assim, esse pouquíssimo tem sido absurdamente inspirador. The Master & Margarita me tomou uns belos 3 meses e meio, mas as imagens das criaturas infernais beijando o joelho de Margarita durante o baile estão vivíssimas na minha cabeça. The Bell Jar da Sylvia Plath tem descido em doses remediais, mas cada capítulo parece estar espelhando a minha própria experiência pós-sonho-ruim, mesmo que tenha sido escrito a quase 50 anos atrás. Eu sou a Esther, sentada embaixo da figueira, vendo cada um dos figos encorpados e suculentos, recheados de possibilidades, caírem no chão e apodrecerem. É quase desesperador, e ao mesmo tempo letárgico. Por outro lado, desde que eu acordei, ou fui dormir, eu estou tomando meu próprio tempo pra absorver as coisas. Antes eu vivia com pressa: lia um livro por semana, via um filme atrás do outro, nunca ouvia mais de uma vez os zilhões de discos copiados no Ipod, me matriculava em um curso mais errado que o outro - e não sentia o impacto verdadeiro de nada. Sempre com pressa, tentando processar cada vez mais informação, sem ter efeito nenhum. Deve ser por isso que aos 24 anos eu estou exausta.

Deve ser por isso que faz quase meio ano que eu estou vagando, algo em torno de 140 dias respondendo a perguntas como: "e aí, o que você vai fazer da vida?" com: "não sei, e você?", sem realmente prestar atenção na resposta seguinte. Minhas maiores façanhas até agora tem sido empilhar revistas fashion no chão do quarto e acumular pontos no Dance Mat, aqueles tapetes com quadrados e setas coloridas que você liga no Playstation e fica saltitando em cima seguindo a rotina de passinhos. Meu passatempo favorito tem sido passar tardes inteiras assistindo as special features dos DVDs, onde diretores e roteiristas explicam como foi o processo de criação de suas devidas obras.

Ando de saco cheio de seguir regras. Tudo o que eu procuro agora é inspiração.

28.11.06

Quentin Tarantino knows it



Nos comentários do DVD "True Romance", um dos meus filmes que estão sempre rodando no background enquanto eu tento fazer com que minha vida tenha algum sentido, Quentin Tarantino diz que "as a writer, when you finish a piece of work, you should almost feel embarassed by it a little bit, because you're just revealing yourself. People who read it are gonna know too much about you."

Então tem mais gente que se sente assim.

Jack Kerouac em entrevista com Steve Allen



É tão raro hoje em dia ver isso. Autores que são levados a sério pela energia e paixão que possuem do que pela habilidade literária em si. Autores jovens que falam de seu trabalho altamente autobiográfico sem medo de soar pretencioso ou parecer bobo. Auto-promoção cool, com o host do programa tocando piano enquanto entrevista. Bons tempos.

Kerouacs da vida hoje em dia são autores de blogs.

Courtney Love Pelada





eu nunca fui muito fã da Courtney Love, mas depois que ela resolveu posar nua pra revista superglossy POP, confesso que mudei minha opinião. Abismei total. Em tempos de photoshop escancarado, fazia tempo que eu não via um ensaio tão sexy e tão estiloso, ultra-rock'n'roll - e completamente 'au naturel'. Se um dia eu fizer fotos pelada, quero elas assim.

A entrevista, by the way, também foi interessante. Você sabia que Love nunca tinha cheirado pó até os (what?) 35? Ou que ela foi trabalhar de stripper em Tókio ao 13 anos e só conseguiu sair do país deportada? Ou que o grande amor da vida dela foi (what?!) Edward Norton? Ou que quem fez ela largar os entorpecentes foi o (hein!?) Mel Gibson?

Adoro o povo do rock.

23.10.06

Dente do siso

Mudei.

Não, sério, mudei mesmo. De casa, e de atitude.

Ontem acordei com a parte de trás da gengiva doendo e vi que meu dente do siso resolveu dar o ar da graça. Em inglês dente do siso se chama "wisdom teeth", ou "dente da sabedoria", e apesar de toda a dor que desce da minha cabeça e vai até o final do pescoço, não pude deixar de perceber que se for verdade esse nome, o dente veio na hora certa.

Comparada com os 4 últimos anos, essa foi a mudança de casa mais tranquila de todas (ignorem o post anterior). Enquanto em tempos outrora eu passava noites e mais noites em claro me preocupando se 1) ia encontrar o apartamento certo 2) na época certa, 3) se iam aceitar meus papéis, 4) se ia arrumar fiador, 5) se ia ter dinheiro pra pagar o depósito e os subsequentes aluguéis, e 7) se ia ter tempo e energia pra fazer a mudança, esse ano foi tudo feito da maneira mais smooth possível, e o mais incrível, sem a ajuda nenhuma de terceiros. Foi simples assim: um dia acordei, me dirigi ao prédio do lado, e gostei (muito) do que vi. Duas semanas depois imprimi três pedaços de papel e pronto. Peguei a chave e dois dias depois trouxe (bom, J. e D. trouxeram) todas as minhas coisas usando duas malas e duas caixas de papelão. Hoje estou instalada confortavelmente no melhor flat que eu já morei fora do Brasil, completamente stress-free.

Deve ter sido resultado da tal mudança interna sobre a qual eu havia conversado com o C. semana passada. Ele estava comentando o quanto estava se sentindo mais tranquilo e menos preocupado do que sempre esteve em toda a vida, e eu percebi que estava passando pela mesma experiência. "Sabe de uma coisa? Esse ano eu percebi que eu definitivamente não sou e nunca vou ser perfeito e o melhor de tudo - eu não só aceitei como ando curtindo essa idéia," disse ele enquanto limpava o balcão do bar. Eu não pude deixar de dar um sorrisinho compreensivo, do tipo "sei exatamente do que vc está falando", porque eu realmente sabia. Depois de 24 anos de tentativas frustradas, planos que não deram em nada, e expectativas em vão, hoje em dia eu raramente perco um fio de cabelo sofrendo por antecipação.

Foi uma atitude que deve ter se desenvolvido e se enraizado aos poucos depois que meus planos no começo do ano pra depois da universidade - mais uma vez - foram por água abaixo, e eu decidi que pelo resto do ano eu ia deixar as águas rolarem da maneira mais livre possível. E por incrível que pareça, as coisas começaram a acontecer.

"Ah, se eu soubesse que a solução para grande maioria dos meus problemas era simples assim!", falei pro C. Ele fez uma cara de interrogação, mas eu estava tentando explicar que no fim das contas meu problema não eram os planos que nunca se concretizavam. O problema era eu.

Então foi assim que eu parei de me cobrar tanto e passei a prestar atenção no que no fundo, no fundo, eu não queria. Isso mesmo. No fundo, mas não muito no fundo, as coisas não aconteceram porque eu mesma não queria que acontecessem. Simples assim. Reconhecendo isso, foi um pulo pra eu começar a parar de arrumar desculpas pra ser quem eu sou. I am what I am - and most of the time now, I like it.

Hoje continuo sofrendo - mas agora a dor é puramente física.

Bendito dente do siso.

20.10.06

>:/

existem poucas coisas no mundo que eu odeie com força, e uma delas certamente é fazer mudança. Estou mudando de casa e meu sangue está em ebulição. No mundo ideal, toda vez que chegasse esse momento eu pularia num jatinho particular, me mandaria pra um cenário paradisíaco qualquer e esperaria os outros encaixotar, transportar e organizar minha vida de uma casa pra outra enquanto eu tomo mojitos debaixo de um sol forte. Sozinha, porque namorados encrenqueiros e teimosos merecem sofrer.

18.10.06

Imatura, moi?

Well, well. Back to blogging world. Nada de maravilhoso tem acontecido nas últimas semanas - ou talvez meu lado londrino esteja se desenvolvendo com FULGOR nos últimos tempos, o lado cínico-vi-de-tudo-nada-me-impressiona-mais. Incluindo quadros e esculturas de pessoas se masturbando em poses variadas (cortesia da Frieze Art Fair, a maior feira de arte contemporânea da Europa, e diga-se de passagem, a mais divertida - fotos em breve), e Madonna e seu mais novo filhote serem assediados pela imprensa britânica a dois blocos do escritório onde estou temporarimente estagiando. Tá, na verdade eu não VI a dupla em si, mas só de saber de que o circo todo está acontecendo aqui do lado já conta.

E como eu sempre menciono aqui nesse blog, um dia minha vida está de pernas pro ar, no outro, bom, não está mais. Até começar o estágio a três semanas atrás eu estava convencida que tinha voltado repentinamente pra 1998 (minha fase raver, pra quem não sabe). Em três meses percorri a rota de todos os clubs/festas/bares/festivais que eu devia ter ido em um período de três anos e nunca fui - e no final, um ou dois botecos entraram pra lista "permanent hangouts." Obviamente nenhum super-club com mega sound system se salvou, nem festas hypes povoadas por gente-que-vira-o-olho. Ambos certamente não receberão a graça da minha presença EVER AGAIN. A beleza de Londres é essa: você pode se dar ao luxo de evitar sair nos mesmos lugares porque SEMPRE tem outras alternativas.

Mas aí o estágio começou e como diz minha amiga L., entrei pro "mundo dos normais". O que significa acordar as 7 da manhã, enfrentar uma jornada de 1 hora espremida dentro de trens, comer sanduíches em frente ao computador e voltar pra casa as 5.30 mais uma vez espremida dentro do trem, exausta demais pra fazer qualquer outra coisa que não seja grudar a bunda no sofá e assistir Sex and the City (também conhecida como 'a minha novela') até apagar... pra começar tudo de novo no outro dia. Nada excitante. Pela primeira vez em meses eu tenho esperado ansiosamente pelo fim de semana.

Como sempre, continuo procurando por satisfação permanente nos lugares errados, mas cada vez me importando menos se não encontro, até porque "satisfação permanente" é algo que provavelmente não existe. Mas também, como sempre, nunca me canso de tentar me enveredar por novos caminhos pra ver se dessa vez vai, e assim foi que resolvi voltar pra faculdade pra fazer cursos... de moda. Yeap, resolvi tentar transformar meu hobbie de ler a Vogue e peregrinar por lojas de departamento luxuosas em trabalho. Uma decisão pra lááááá de distante da minha decisão do início do ano de estudar/trabalhar com política, mãããããsssss.... Pelo menos agora vou tentar fazer uma coisa que eu gosto de verdad ao invés de tentar fazer o que eu achava que os outros gostariam que eu fizesse. Sinceramente não sei se vai dar em alguma coisa, ou se vai ser mais um nome no meu variadíssimo e longo CV (isso não é bom), mas como diz J., vamo aí.

Other than that... Consegui arrumar energias pra ver o filme Little Miss Sunshine - um retrato hilário de uma família muito parecida com a do meu digníssimo namorado - e terminar de ler a obra-prima que é The Master and Margarita. Você sabia que a música "Love & Destroy" do Franz Ferdinand foi inspirada na cena em que Margarita voa sobre Moscow a caminho do baile de Satã? Wikipedia é tudo.

26.9.06

Drunk Shakespeare


Essa é típica do humor inglês. Depois que o fundador da Royal Shakespeare Company declarou que Shakespeare sofria do "mal da manhã de segunda-feira" - ou mais conhecido como "ressacão do inferno" - críticos especialistas declararam que também o trabalho do bardo sofria com o mal. Enquanto a maioria de nós mortais pensava secretamente com nossos botões "não entendi bulhufas do que ele quis dizer", agora é possível mencionar em alto e bom som que realmente Shakespeare escreveu mesmo um bando de frases sem-sentido - porque encheu os cornos na noite anterior. John Sutherland, crítico do Guardian, foi ainda mais além: chamou a peça Macbeth de "um autêntico oceano de merda." Heh.

25.9.06

Cicarelli na Praia

então a última fofoca do mundo virtual é a trepada da Cicarelli na praia. Só fiquei sabendo ontem, e pra ser bem honesta, não achei absolutamente nada demais. Tá certo que o cara tava querendo se aparecer, andando de barraca armada na frente dos amigos, mas fora isso, achei a coisa mais normal do mundo. Celebridades também sentem tesão, ué. E se ela for esperta, ela ainda vai se dar bem: é só dar uma de Paris Hilton, se fazer de desentendida e embolsar milhões de reais com a nova fama.

By the way, já tem muita gente se aproveitando da tal da fama. Nem adianta procurar no YouTube por "Cicarelli dando na praia" porque vc vai achar tudo, menos a cena em si.

21.9.06

Mossy @ TopShop

Kate Moss vai criar uma coleção pra TopShop. Oh, god. Vou começar a tomar aulas de kung-fu. Me preparar pro lançamento.

20.9.06

CSS

ah, até esqueci de avisar: o J. foi no show do CSS no meu lugar (lucky bastard) e o videozim que ele fez da primeira música tá lá no meu Tubo. Diz que a Lovefoxx tomou uma chuva de garrafas de água. Mas diz que o povo gostou, mesmo assim.

19.9.06

Ando demais com a cabeça na lua pra conseguir escrever aqui. Dar update constante em um blog requer uma mente organizada e uma rotina mais ainda, repleta de eventos, pessoas, assuntos, e tempo. Não que minha vida não esteja assim - repleta. O problema é que está "repleta" demais, e não consigo parar, pensar, absorver e repassar tudo o que tem acontecido. Ou talvez seja o excesso de substâncias tóxicas que anda debilitando minha capacidade de comunicação.

Anyway, ontem mesmo cheguei a conclusão que sim, vou ficar em Londres, no matter what. Depois de três anos, só agora que eu estou sentindo que finalmente assentei, que me adaptei ao ritmo e lifestyle da cidade - só agora I'm feeling a true londoner. Alcóol e nicotina demais, horas dormidas de menos, livros lidos pela metade dentro de trens e ônibus, números de telefone anotados em inúmeras cadernetas, rostos novos toda semana, rostos conhecidos/amigos uma vez por ano, fashion que se auto-destrói em 6 meses, unhas descascadas, cabelos desgrenhados, bandas/peças/filmes da semana, baterias de gadgets sempre acabando, Ipods entupidos, se virar em mil pra pagar o aluguel sempre astronômico, viver de sushi de mercado e Coca Diet, reclamar do tempo, do transporte, e dos dias que passam rápido demais. Uma cidade cheia de ups & downs - mais downs do que ups - que só aprende a amar quem sobrevive a tal "fase da adaptação," aquela da depressão, desgosto e ansiedade.

It's rock'n'roll, but I like it.

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Enquanto as coisas vão entrando nos eixos - SE É que um dia vão entrar - arrumei um estágio na acessoria de imprensa dessa empresa de cosméticos. Pelo menos vou poder contrabalançar a rotina rock'n'roll da cidade com tardes servindo de guinea pig no Spa da empresa.

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Maggie O'Pharell. Almodóvar. Kasabian. Kurt Geiger.

Esses são os nomes que andam absorvendo minhas horas de hedonismo essa semana.

6.9.06

+ music

O Tio Gil Barbara aka devils conseguiu capturar com perfeição o meu ideal atual de uma balada FUN nesse podcast roqueiro. Tá pronto pra vir tocar nos pulgueiros de Shoreditch e Brick Lane, tio!

aliás, minha última contribuição pro rau tá lá também . Vaza.

Extra, Extra!

E quando a gente acha que não tem mais espaço na cidade pra mais outra publicação gratuita, eis que surge thelondonpaper. Jornal gratuito a la Metro (sem ser linkado com o xaropíssimo e retrógrado Daily Mail), com a diferença de ser divertido, moderninho e stilish. Aliás, as páginas de moda são um luxo. E o melhor, o jornal sai todinho na internet, pra vocês aí que quiserem saber o que anda rolando na capitaR de enteressante.

music, music, music


Outro álbum roubado (esse do cyberspace mesmo, desculpa aê) que eu anda no repeat faz umas duas semanas é o 4, dos - quem diria - Los Hermanos. Eu não sei porque raios eu tinha preconceito contra esses cariocas - deve ser por causa daquele hit "Ana Júlia" que fez os caras subirem - mas aí resolvi ler a matéria de capa da music issue da Jungle e eu gostei do que li:

"O brasileiro coloca tudo na mesma prateleira, não tem hierarquia. Isso é uma inocência valiosa, esse descompromisso, essa mistura é o que há de mais brasileiro. Nós não temos nenhuma obrigação de ser mais brasileiros do que já somos. As coisas boas têm essa incoerência, têm signos que se contradizem", disse Rodrigo Amarantes. O que foi o suficiente pra me convencer a roubar o álbum e escutar, por que eu sou fã de incoerência e de não ser mais brasileira do que já sou.

Que álbum lindo. Melancólico, romântico, destemido, auto-suficiente, esperto. Virei fã e se deus quiser os moços vão se apresentar pela primeira vez em Londres no aniver de 4 anos da Jungle.

***

Outra notícia que veio do céu é minha diva querida Marisa Monte se apresentando no Barbican final do mês. Tó lá, bee.

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E tinha mais alguém que eu queria falar sobre, mas sendo 3 da manhã, já esqueci.

(18 minutos madrugada adentro...)

Ah, lembrei. Aqueles hypados que atendem pelo nome de CSS (Tired of Being Sexy, segundo a divulgação britânica), que tem uma vocalista que tinha um fotolog super visitado lá por 2002, e que canta puxando um R americanizado irritante, também vão dar as caras por aqui, em três shows. Até hoje só ouvi as duas músicas que estão no espaço deles, gostei pouco, e vou deixar pra ouvir o resto no aniversário da revista NME, na terça.

4.9.06

The Book.

Ontem, tcha-na-na-nam, comecei a escrever o livro. O LIVRO. O maldito livro que a 5 anos eu venho carregando na minha cabeça, que vive me cutucando, me deixando frustrada, que anda acabando com a minha auto-estima. Tinha terminado de escrever uma matéria, e milagrosamente não tive vontade de desligar o computador correndo e me jogar no (maravilhoso, fofo e imeeeenso) sofá (de couro preto, super sexy e style, nhaaami) . Levantei, peguei uma taça de vinho e escrevi o primeiro parágrafo. Escrevi primeiro em inglês, depois em português, e constatei que em inglês fica melhor e mais fluido, mas acho que em português vai ser mais libertador. Português será então. Terminei o primeiro parágrafo, achei que ficou um lixo, e anunciei na sala my new endeavour, onde meus flatmates esperavam acordados (eram 3 da manhã) pelo táxi que ia levar D. ao aeroporto. Pobre D., tinha chegado do Japão a apenas algumas horas e ainda meio tonto de jet lag conseguiu balbuciar "que coisa mais boêmia isso", referindo-se ao ato de escrever livro e tomar vinho na madrugada, antes de voltar a desmaiar no sofá (o outro, feio, pequeno e de pano beige). Fechei o arquivo, virei a quarta taça (branco, alemão, barato, e suavemente adocicado - ou como dizia o crítico da seção de vinhos do Observer, "a party pleaser") e me joguei no sofá sexy pelo resto da madrugada. Não sei quando vou abrir o tal do arquivo de volta.

1.9.06

superficial

Uma amiga minha, da época que eu morei nos States, chegou ontem em Londres depois de passar três meses trabalhando em um campo de refugiados no Zâmbia. Eu me senti estúpida. Como eu ia contar pra ela que estava pensando em fazer uma pós em fashion, quando ela passou esse tempo todo em meio a pessoas que mal tem o que comer, quanto mais vestir?

"Nossa, thais, ontem eu tava louca pra ir na TopShop, minha loja favorita, e quando cheguei lá comecei a chorar. Tudo isso é tão superficial, perdeu a graça." Minha cara ficou assim -> {:^|

Em vez disso, desatei a falar da fotógrafa que eu havia entrevistado no dia anterior, que trabalha pra Anistia e cobriu a guerra na favela da Rocinha. Porque aqui desse lado do hemisfério, é difícil não ser um pouco - ás vezes mais do que necessário - superficial.

Cabeçadas

Acho que já é hora de voltar aqui. Ando sentindo falta de expôr em público minhas jornadas falhas, meus defeitos de caráter, e mau-gosto cultural. Minhas empreitadas que nunca levam a lugar nenhum. Antes eu tinha vergonha de dizer que as coisas não tinham dado certo, que foi tempo perdido, ou que frustração estava evaporando por todos os poros do meu corpo. Hoje, quer saber: foda-se. Levanto os dois dedos pra quem se importa ou acha ruim. Ando frustrada sim, mas não ando desanimada. Pra ser bem sincera, ando bem feliz até. Desde que eu finalmente reconheci que o rabo é meu e eu não devo satisfações pra ninguém do que faço com ele, parece que um peso saiu das minhas costas. Ando até tendo novas idéias, coisa rara nos últimos, hm, três anos.

Argh, os últimos três anos. É terrivelmente desolador olhar pra trás e constatar que se pudesse, faria ABSOLUTAMENTE tudo diferente. Não ter planos pro futuro dá nisso: fico só analisando o passado. E meu sangue ferve quando lembro de episódios estúpidos, que eu poderia muito bem ter evitado. Por que é que eu não abri a boca quando devia? Ou corri atrás do que eu achava interessante em vez de seguir a cabeça dos outros? AHHHHH! Tem dias que eu tenho vontade de me estapear.

Maaas, como todo mundo responde cada vez que eu desando a falar sobre isso, "o importante é que você aprendeu com teus erros." Tá, tá. Bollocks pra isso. Queria mesmo é que existisse um jeito de eu apagar essas memórias, ou que uma máquina no tempo me transportasse de volta com essa mesma consciência de hoje pra eu poder mudar tudo. Arrependimento não mata, mas dá vontade de bater a testa na parede.

Que aliás, eu bati. Não de propósito, e não na parede. Fui me abaixar pra tirar as roupas da máquina de lavar, ainda meia dormindo, e dei com a cabeça na pia da cozinha. Bizarro esse negócio, eu sei. Não o de bater a cabeça, o de a máquina de lavar roupa ser embaixo da pia da cozinha. Meia hora depois ainda fui pegar um dos gatos do chão pra cortar a unha dele - tem sofá novo em casa - e dei outra cabeçada. Dessa vez na testa do J. que tentou pegar o gato ao mesmo tempo. Passei uma semana com um calombo arroxeado um pouco acima da sobrancelha esquerda.

***

Desde que eu roubei o CD da Lily Allen lá da redação da Jungle, não consigo parar de escutar. Eu não tinha entendido o hype todo em cima da menina, só sabia que era outro fenômeno vindo do MySpace. Agora entendi tudo. Não só a voz da moça é boa, mas as letras são excelentes. É uma arrancada sarcástica, desbocada e debochada atrás da outra, todas atiradas de uma maneira suave mas não menos certeira. E todas narram a rotina e os percalços de viver em Londres. Eu me reconheci em pelo menos 5 músicas. Em tempos como esses em que a música pop anda descabeçada e sem graça, Lily Allen é mais do que bem vinda. To Hell with Paris Hilton.

10.8.06

Ree-invention

Eu já sei que quando eu começo abandonar a parada é porque o tédio bateu forte né. Então, sabe o que isso significa né. Que vai ter que rolar outras daquelas mudanças, né.

"Roupagem Nova", "Reinvention", you name it. Coisa que eu faço em algum setor da minha vida que estiver mais boring, uma vez por ano, pelo menos.

O bom dessa época de não ter planos é que ando descobrindo o que EU realmento curto. Antes os outros sempre tiveram prioridade. No more.

Então vou fazer uma faxina e a hora que tiver limpo, eu dou um toque. Té daqui a pouco.

29.7.06

Rraurl

Estou começando a colaborar com o site pioneiro dos amigos Gaía e Gil, hoje o maior site de música eletrônica e alternativa do Brasil. O primeiro texto saiu hoje: cobertura do festival Lovebox Weekender aqui de Londres. Confere lá.

27.7.06

GraduAAANNda


Ufa. Tanta coisa aconteceu nessas últimas semanas, e tão pouco tempo pra se blogar. Mas o mais importante mesmo foi a minha formatura. Foi meio esquisito, se comparada com as formaturas do Brasil. Mais informal em certos aspectos - não tinha dress code (teve gente se formando de chinelos havaianas e tênis Converse) não tinha fotógrafo tirando fotos da turma - e mais busy. Foram mais ou menos 400 alunos se formando no horário da manhã, então a passagem pelo palco pra pegar o canudo era menos dramática (mas eu não deixei de dar uns pulinhos bestas). O mais memorável foi o discurso do reitor, que numa tentativa de reafirmar o calibre da universidade, passou a listar todos os famosos que saíram de lá (John Galliano, Alexander McQueen, Stella McCartney, Jimmy Shoo - só o povo fashion - Pierce Brosnan, Tim Roth, Syd Barret, etc etc etc. Não lembro de ele ter citado nenhum jornalista... anyway.) Mas foi legal. Minha mãe ficou emocionada de ver a filha se formando do lado de onde a Lady Di foi velada (vá entender), e eu fiquei aliviada de não ter que fazer mais small talk com o 50% de gente chata da minha turma.

Acho que tá na hora de mudar aquela descriçãozinha do blog ali do lado.

11.7.06

Paris

Voltamos pra Paris esse final de semana, depois de dois anos. Duas semanas rodando Londres foi mais do que suficiente pra deixar todo mundo meio de saco cheio, e já que a cidade-luz fica a duas horas e meia de trem, resolvemos aproveitar a chance. Pulamos num Eurostar (viajar de trem é TÃO melhor do que de avião) e chegamos no sábado a tarde, a tempo de fazer a rota básica dos monumentos (torre eiffel, sacre coeur, notre dame, arco do triunfo) antes de assistir a final da Copa. Foi coincidência, claro, mas foi uma das mais satisfatórias. No final de tarde de domingo fomos parar no Quartier Latin, numa área cheia de restaurantes e bares italianos, todos sendo aterrorizados pela torcida francesa que se acumulava nas ruas. Como a maioria dos estabelecimentos tinha colocado várias TVs ligadas na partida, a francesada toda se reuniu ás centenas em frente dos italianos, e durante o jogo inteiro tivemos que assistir em silêncio ouvindo gritos de "ALLEZ LES BLEUS!"... até a expulsão fenomenal do ídolo Zizou. Aí foi a vez dos poucos italianos (e nós) chutar o pau da barraca e gritar "ALLEZ ZIZOU!". No último pênalti, achamos melhor não arriscar (ninguém queria sair morto dali) e só deu pra gente apertar a mão um do outro e dar os parabéns. Pelo menos os "bleus" sentiram o que a gente sentiu em 98.

Fora isso, saí da cidade com um sentimento meio de vazio. Descobri que não gosto de "repetir" viagens. Se vou voltar pra uma cidade, que seja pra explorar outros lados, ter outras experiências. Eu tenho uma fascinação com a cultura francesa, principalmente com as mulheres. Elas são cheias dos mini-rituais, das pequenas tradições, desde a maneira como se vestem, até como comem, como andam na rua, como pensam. A minha vontade dessa vez era ter explorado a cidade dos franceses, não dos turistas. De ter descoberto lojinhas vintage, de comprar baguete fresquinha no mercado, de andar pelas feiras de rua, de passar a tarde enfiada em uma galeria, de ler e ver o movimento num dos cafés com mesinhas na rua. O que eu consegui foi sentar por algumas horas no Jardin de Luxemburg tomando vinho em taça de plástico, e tomar sopa de cebola num bistrôzinho em Montmartre. Mas foi tudo muito rápido, e o calor (e o fedor) dentro dos metrôs também não ajudou muito... fica pra próxima.

3.7.06

Ando ausente...

... porque meus dias estão contados. Estou com a sensação de que a vida como ela é agora, do jeito que eu estabeleci, vai mudar. "Sensação" é um... como se fala mesmo quando a palavra que se usa ameniza o sentido forte que uma expressão tem? Eufemismo! Isso, "sensação" é um eufemismo, porque meus dias estão realmente contados, de acordo com o Home Office. Tenho 3 meses e meio, mais ou menos, até meu visto vencer e eu ter que desmanchar meu mundinho por aqui. Eu quase não tenho móveis, mas vou ter que arrumar uma casa nova pras centenas de livros e dvds e quadros e sapatos que acumulei em quatro anos de vida fora. Provavelmente, a casa nova desses companheiros vai ser um amontoado de caixas de papelão, dentro de um depósito úmido e frio - e isso me corta o coração só de pensar. Uma parte da minha história aqui na Europa encaixotada, a outra parte arquivada dentro de hard-drives e servidores. Milhares de fotos, músicas, arquivos .doc, blogs-fotologs-sites. Porque eu deixei de escrever diários de papel quando eu descobri que internet servia pra documentar minha vida de uma maneira mais interativa.

Meu gatos, Nick e Quincas, também vão ter que esquecer por um tempo a vidinha aconchegante que levam. Não, não vou botar eles dentro de uma caixa de papelão e guardar num depósito, mas vou enfiar os dois dentro de uma caixa transportadora e vou carregar eles comigo. Pra onde? Boa pergunta. Depois de tanta peregrinação, impossível ficar num lugar só pra sempre. Voltar pro Brasil é uma opção, assim como continuar na Europa é outra. As opções são muitas, mas todas vagas, incertas, flutuantes. Daqui a três meses e meio vou ter que engolir o choro, olhar pra trás com orgulho de ter terminado mais uma fase da vida, e botar o pé na estrada mais uma vez, dessa vez, e pela primeira vez, sem planos concretos, sem saber aonde vai dar. Eu, meus bichanos, e aquele que eu escolhi (me escolheu?) pra se aventurar juntos pelo mundo.

***

Enquanto isso, dedico meu tempo a aproveitar a melhor estação do ano na terra da neblina. Com a minha mãe aqui, tenho desculpa de sobra pra ver de volta cada um dos monumentos, das praças, dos parques, dos bairros boêmios, dos pubs enfumaçados, das praias de pedra e água gelada, da fauna que se veste de acordo com a área que frequenta (moderninhos em Shoreditch, punks e góticos em Camdem, white trash em Essex, madames em Chelsea, engravatados em Canary Wharf, manos em Brixton, brasileiros... em tudo que é lugar). Tenho assistido muitos filmes, lido muitos livros, tirado muitas fotos, entornado muito alcóol, e conversado por horas e horas e horas sobre futebol, moda, cirurgia plástica e a situação política na China, dentro dos trens, dos bares, na frente do rio. E eu queria estar falando em detalhes de cada uma dessas pequenas experiências, indicado tudo o que eu tenho visto/comido/experimentado, mas tenho medo de olhar pro calendário e ver que os dias ensolarados do meu possivelmente último verão em Londres passaram rápido demais, na frente do computador.

Mas eu volto aqui. Eu sempre vou voltar.

26.6.06

By the way...

... a greve dos professores terminou duas semanas atrás e meu resultado final saiu. Me formei com 2.1, a segunda nota máxima (algo como ter tirado B, numa escala de A a F). Tô satisfeita. Agora só falta a cerimônia de graduação, mês que vem.

Falando em acabar a palhaçada...

...minha mãe chega amanhã. heh. Estou preparando pra acordar a turista dentro de mim, porque vai rolar some serious sightseeing na capital.

"Sleeping Giant" :P

Tô pensando em parar de assistir os jogos da Inglaterra. Não só porque o futebol é entediante, mas porque não deve existir uma torcida mais xarope do que a inglesa. Por que diabos eles precisam cantar o hino nacional de 10 em 10 minutos, e tão alto que chega a apagar a voz do narrador? E por que raios o narrador tenta amenizar a situação quando o time inglês faz uma cagada atrás da outra com "that's a lovely kick"? Tomara que Portugal mande logo Beckham e companhia pra casa semana que vem, assim já acaba essa palhaçada.

Salmonela em chocolate?

Saiu nos jornais de domingo que a marca de chocolates Cadbury, a maior de UK, teve que tirar mais de um milhão de chocolates das prateleiras depois que foi detectado resíduos de salmonela nos chocolates, uma bactéria que ataca o estômago e causa febre, vomito, diarréia e dores no corpo. Mais de 50 pessoas foram parar no hospital por causa do bug. Fiquei encucada. Lembrei que semana passada ganhei dois bombons da marca, e lembro de ter comido meio a contra gosto, porque nem gosto muito desses chocolates. Será que eu fui uma vítimas?

24.6.06

O show do Massive Attack...


... ontem foi tudo o que eu esperava que fosse ser, e melhor, foi tudo o que eu queria que fosse. Chegamos no festival meio tarde já, 6 pm, e pegamos o final do show do rapper (e sexy de plantão) Pharell Williams. A sorte era que a cada show que terminava, a multidão se deslocava em direção aos banheiros e bares e ia abrindo espaço. Foi assim que fomos chegando cada vez mais perto do palco e depois do show do Flaming Lips - que foi uma loucura completa, com direito a super-heróis e papai-noéis no palco, mega balões voando pra tudo que é canto e uma entrada fenomenal do vocalista Wayne Coyne dentro de uma bola de plástico - a gente foi parar na fila do gargarejo e viu o Massive Attack de frente pro palco. Depois de lançar uma coletânea de greatest hits, era óbvio que eles iam acabar tocando exatamente isso, o que me deixou bastante feliz. 'Angel', 'Teardrop', 'Unfinished Sympathy', a maravilhosa 'Safe From Harm', 'Karmakoma', 'Inertia Creeps', todas as músicas com seus vocalistas originais (Elizabeth Fraser na foto acima, Shara Nelson, o magnificente Horacy Andy), incluindo Terry Callier cantando o novo single 'Live With Me'. Mas a surpresa maior foi o fato de não só Robert Del Naja e Daddy G abrirem o show juntos com "Risingson" , ambos estavam na maior das amizades, dando apertos de mão e hi-fives, e trocando olhares de aprovação. Pra quem tem uma história de brigas e desentendimentos bem documentada pela mídia, foi uma revelação que consagrou um dos melhores shows que eu já vi na vida.

Pra ver algum dos melhores momentos, vai clicando nos links. Aquela coisa, resolução e técnica shite (filmar com máquina fotográfica dá nisso), mas o que vale é a intenção né?

23.6.06

Thank god for the internet.

O que seria da gente sem a internet (e conexão broadband). Graças a ela, hoje assistimos o jogo do Brasil com narração do Galvão Bueno... via skype! Ligamos pelo skype pro meu sogro no Brasil, que botou o microfone grudado na caixa de som da TV enquanto a gente botava o laptop aqui no sound system de frente pra tv. Ficou perfeito, sincronizadissimo, e finalmente matamos a vontade de ouvir um grito de gol decente (4 deles!), com músiquinha da copa e tudo. Porque vocês não sabem o que a gente passa aqui com a sem-gracera da narração inglesa.

21.6.06

Sergio Mendes: Timeless


Eu citei o Sérgio Mendes no post anterior, e acabei lembrando que fazia semanas que eu queria baixar o novo álbum dele e sempre esquecia. Baixei ontem e achei uma maravilha: virou a trilha sonora de verão da semana. Eu tinha lido uma entrevista com o cara num jornal de domingo a tempos e tinha ficado curiosa pra saber o resultado da união de uma lenda da música brasileira com o Will I Am do Black Eye Peas, que é um grupinho mestre em fazer hits pop grudentos e enjoativos. E diz que foi simples assim: um dia Will bateu na porta do brasileiro carregando uma penca de vinis velhos do músico, disse que ele era a maior influência musical dele e que adoraria fazer uma colaboração com o velho. Deu certíssimo: Will chamou uma constelação de colaboradores do hip hop e soul, incluindo Stevie Wonder, Erikah Baduh, India Aire e John Legend, e juntos deram uma cara novíssima pra clássicos como Mas Que Nada, Bananeira, Surfboard e Samba da Benção. O resultado virou uma salada mista de forró e hip hop (fo-hop!), samba e rap, bossa nova e R&B – uma combinação deliciosa das culturas africanas que influenciaram tanto a música americana quanto a brasileira. Genial.

19.6.06

To de molho...

... pela primeira vez em anos. Peguei um daqueles vírus gástricos, que a gente nunca acha que pega até, bom, pegar. E por ignorância, por não lavar a mão antes de comer quando num dia se passa a mão nos mesmos corrimãos, maçaneta de porta, etc etc que milhões de londrinos passam também. E foi no meio do jogo do Brasil que uma febre absurda começou, um frio descontrolado, tremedeira, uma dor insuportável nas pernas e na cabeça, e todo mundo achando que as lágrimas nos olhos e o arrepio na pele eram de emoção. Como dizia o Sérgio Mendes, mas que nada. Saí carregada, e fui parar no walk-in centre pra tomar soro. Agora tô em casa de molho pelos próximos três dias.

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Daí com tempo sobrando resolvi finalmente criar minha conta no YouTube. É tão mais legal poder mostrar videozinhos pros amigos do que fotos! Postei dois pra inaugurar: um da comemoração do primeiro gol do Brasil contra a Austrália, e um dos meus gatos Nick & Quincas em uma de suas lutinhas diárias.

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Continuo assistindo as três partidas de futebol diárias - ou pelo menos parte delas, enquanto faço outras coisas. Pelo menos uma coisa importante até agora eu aprendi a entender (além de agora saber explicar impedimento, corta-luz, bola invertida na intermediária, e saber quem joga no Chelsea/Barcelona/Lyon/Real Madrid), e a verdade é que o cérebro feminino se difere do masculino por ser o que se chama de multi-tasking: mulher fica entediada com futebol porque não consegue manter a atenção por muito tempo nos jogos. Tem que fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Mulher fala no telefone, escreve email, cozinha no fogão e lê o jornal enquanto corre atrás do filho pequeno, tudo ao mesmo tempo. Homem, em geral, tem uma visão mais simplista das coisas: concentra numa atividade e só naquilo.

Tirando a copa do mundo, onde a qualidade do futebol faz com que qualquer desatento vire fã de jogadas memoráveis (e talvez a Champions League, e a European Cup), normalmente tem que ser bastante "concentrado" pra sacar daonde está vindo o talento, quem é que consegue dominar a bola com sabedoria e raça. E mulher, bom, mulher gosta de se dividir em 10 e prestar atenção em tudo um pouco (isso é uma generalização enoooorme, mas ando vendo que funciona na maioria dos casos).

Dito isso, futebol é um esporte, como já disse antes, deveras interessante, e se eu não virar fã de verdade, pelo menos vou ter desmistificado essa idéia de que mulher não entende de futebol.

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Aliás, lendo a revista Men's Health do namorado (tô falando que eu entrei numas de entender o universo masculino), uma pesquisa feita por uma rede de sport pubs revelou que 59% das mulheres sabiam explicar a regra do impedimento, comparado com só 54% dos homens. E depois falam que futebol é coisa de macho...

11.6.06

Fever Pitch

Football Craze Mode: On.

Começou a febre. Aqui, menos que no Brasil claro, a Copa é um evento de fazer parar a rotina de todo mundo - ou melhor, de fazer parar a rotina dos homem ingleses, porque inglesas se interessam no máximo pelos modelitos fashion das esposas dos jogadores. Os ingleses são obcecados com futebol, só que diferente do Brasil onde o esporte une a nação num patriotismo de fazer inveja aos americanos em época de guerra, aqui futebol transforma os ingleses num bando de animais enjaulados, prontos pra destruir o primeiro infeliz que cruzar o caminho deles. Parece que é só o Beckham tentar encostar na bola que a testosterona dos machões ingleses explodem - e aí misture uma dose cavalar de hormônios com inúmeras pints de cerveja, e pronto: aí que você vê daonde que surgem os Hooligans. Tô tentando acompanhar os jogos de casa (quando a inglaterra joga) e o resto em pubs menores onde a concentração de grupos de homens vestindo a camisa da cruz vermelha é menor. Nos jogos do Brasil vou me unir á comunidade mesmo. Tá cheio de festa/bar/pubs brazucas com comida, bebida e bateria de escola de samba, e não vejo a hora da Seleção entrar em campo na terça.

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E pela primeira vez EVER, tô assistindo TODOS os jogos. Três por dia, o namorado tá adorando. É agora ou nunca que eu aprendo a entender de futebol.

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Incrível como andar com a camisa canarinha pela cidade, principalmente nessa época, faz as pessoas arregalar os olhos. As pessoas te abordam, com o sorriso aberto, te respeitam.

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Na falta do que comemorar, os ingleses ficam reprisando na TV o gol contra do Gamarra - atribuindo ao Beckham, of course. Uns com muito, outros com tão pouco...

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O blog da soninha está imbatível na cobertura da copa. Não só porque ela faz análise de primeira, mas porque ela conta todas as curiosidades e faz observações ótimas de quem saiu do Brasil faz pouco tempo e tudo é novidade. Fora os bastidores da cobertura que eu sempre quis saber e ninguém nunca fala. Vai lá depois.

5.6.06

I'm On Stand By.

Semana de muita reflexão. Nada tem acontecido de concreto, nothing exciting anyway. Casa->Trabalho->Casa, com uma saidinha ou outra pra tomar um drink a noite, ou uma espreguiçada no gramado de um parque se o tempo ajuda. Tenho lido o jornal de cabo a rabo, incluindo o caderno de esportes, que eu nunca antes tinha sequer pensado em abrir. E sabe de uma coisa? Futebol é um esporte invariavelmente interessante. E agora, em época de Copa do Mundo, esse hábito novo tem transformado pra melhor meus bate-papos com seres do sexo masculino, que ficam meio surpresos quando eu saio com uma frase tipo: "você viu aquele drible brilhante que o Ronaldinho fez em cima do John Terry aos 34 minutos do segundo tempo no jogo do Barcelona contra o Chelsea na Champions League?" É bom ter assuntos diferentes, principalmente quando o tema central das minhas conversas com os outros é: "E aí, o que você pretende fazer de agora em diante?"

Aquela preguiça/cansaço/tédio tem começado a se enraizar com força e enquanto me deixo levar, tento entender os motivos. Não precisa de nenhuma sessão de terapia freudiana pra entender o que está acontecendo. Simplesmente, o meu senso de objetivo acabou com a entrega da monografia. Enquanto eu estava fazendo essa faculdade, eu tinha o tempo ao meu favor: falta três anos ainda, falta dois, falta 10 meses, tenho tempo pra decidir o que vai acontecer quando eu terminar. Terminou e ainda não acendeu nenhuma lâmpadazinha em cima da minha cabeça, não tive nenhum momento "Eureka!". Eu ainda não abandonei aquela idéia adolescente de que só vale a pena viver/fazer as coisas se tiver paixão.

O problema é que eu não tenho paixão por nada em particular. Eu gosto MUITO MUITO de várias coisas. Tenho paixão talvez por encontrar uma paixão. Conta?

Não paixão no sentido romântico, you silly. Essa parte, graças a deus, tá resolvida e acertada, até que enfim. A paixão que eu falo tem a ver com objetivos, com idealismo, com a urgência de abraçar o mundo e escalar paredões, de sentir que vale a pena suar e se entregar. A paixão que eu senti quando eu aprendi a ler aos 5 anos, quando descobri o ballet aos 12, quando descobri o mundo clubber aos 16, quando resolvi sair do Brasil aos 20. Foi tudo em nome do coração que batia mais forte no peito, da adrenalina de saber que desafios e novidades requerem um fervor quase religioso pra serem conquistados.

Costumo pensar que tenho sorte, mais do que determinação. Se conquistei alguma coisa nessa vida, foi por entusiasmo por algo novo e interessante, invés de trabalhar duro. Eu nunca trabalhei duro por algo que eu não acreditei que valesse a pena. E o que me deprime mais é saber que a vida até pode ser feita de paixões, mas as paixões secam o tempo todo - e se não viram amor, não vão a lugar algum. Parece imaturo pensar assim a essa altura do campeonato, parece que ouço a eterna frase "Minha filha, se preocupe em assegurar o seu futuro e depois você faz o que gosta" ressoando em repeat mode no background. Mas não consigo me mover direito sem esse combustível.

Na minha cabeça não tenho planos no momento, mas como as pessoas precisam o tempo todo que você demonstre que sabe o que vai fazer no futuro, os "planos" são o seguinte: juntar o máximo de dinheiro que eu conseguir e conhecer o resto do mundo, ajudar pessoas em situações menos privilegiadas, aprender outra língua, escrever um livro/um filme, estudar mais um degree, e quem sabe, no final de tudo isso, voltar pra casa que eu ainda não tenho e arrumar um emprego fixo que satisfaça minhas carências financeiras e emocionais, construir um ninho e uma família, e viver em paz comigo mesma.

Bonito né? Isso pra mim é que é ter planos concretos.

29.5.06

Barcelona

Ok, então vamos lá.

Barcelona é uma cidade apaixonante. Mais apaixonante do que todas as que eu já visitei ou morei (e até que posso dizer isso com uma certa autoridade, afinal já morei/visitei 12 metrópoles/cidades fora do Brasil nos últimos 4 anos). É lógico que o fato de eu ter ido passar 4 dias fazendo festa com duas amigas influenciou muito, mas a cidade em si tem vários aspectos que eu procuro: sol, calor, praia, cultura forte, povo cabeça aberta, educado e gente fina, noite que ferve até altas horas, comida fresca e temperada, arquitetura deslumbrante, e um time de futebol de dar orgulho (muito graças aos brasileiros, mas vá lá). A imagem que eu tive foi a de um Brasil melhorado - apesar de que andar sem prestar atenção na bolsa não é costume como em outras cidades da Europa, mas nada que brasileiro não esteja preparado e acostumado.

Ficamos em dois albergues durante a viagem, minha primeira vez. Absolutamente recomendável: os dois albergues eram pequenos, mas limpos e aconchegantes, pareciam mais a casa de alguém do que um hotel. Todo mundo se reunia na sala fim de tarde pra se conhecer, abrir a geladeira e fazer um snack, ou usar os computadores. E todo dia tinha gente nova. Nos dois consegui bookar quartos private pra três, o que ajudou muito na hora de se arrumar pra sair, de ficar batendo papo depois da balada, de dormir sem ter gente entrando e saindo do quarto.

E as baladas foram o melhor de tudo. Os espanhóis começam tarde como os brasileiros, e por ordem passam por barzinho, lounge, clubinho, club, clubão, after - tudo na mesma noite. Todo mundo vai seguindo o roteiro, vai se encontrando depois nos mesmos lugares, e quem não quer ir o resto do povo arrasta. Depois a gente se tocou que o fato de sermos três mulheres ajudou a conhecer outras pessoas (não foram só homens, tá), e ajudou a conseguir privilégios, mas prefiro também pensar que os espanhóis são abertos a gente nova e querem incluir todo mundo na diversão. Aí também me lembrou da época boa das festas no Brasil, quando o que importava era conhecer mais gente interessada na mesma coisa, não excluir - como parece que está acontecendo hoje em dia.

De dia era praia. De novo, mais gente cabeça aberta e, diga-se de passagem, muito bonita. Na ponta sul (acho que era sul) de Barceloneta muitos gays e mulheres topless, todo mundo deitado na areia e só um bar servindo drinks e tocando tech-house all day long. Mas não ficamos só lá. Por recomendação ( e tudo funcionou por recomendação - em quase nenhum momento precisei apelar pro guia), fomos pra uma praia a 30 min da cidade, Sitges. Uma cidadezinha minúscula e tortuosa, com uma comunidade gay bastante afluente. Acho que fomos na época certa: a temperatura estava quente, mas agradável (23º C), e não tinha muito turista.

Só fizemos sightseeing no último dia, e foi o que me deixou meio frustrada. Não tem como ver ou apreciar todos os monumentos da cidade, e só as obras lisérgicas de Gaudí são de tirar o fôlego. Depois do Duomo de Milão, a Sagrada Família foi a igreja mais absurda e interessante que eu já vi na vida, mas tem que ver com calma - é detalhe demais.

Depois de 4 dias cheguei em Londres completamente exausta (acho que não dormimos mais do que três horas por manhã), mas feliz. E ainda vou voltar, muitas vezes, pra lá.

Atrasilda

O problema de blogar (pelo menos pra mim) é esse: se não posto as coisas no "calor do momento", quando ainda estou empolgada com o assunto e querendo publicar os pequenos insights que eu tive offline, acaba perdendo a graça. A diversão de blogar é essa mesma - a da rapidez, a da primeira impressão, mesmo que essa primeira impressão seja "errada", ou inaccurate (de novo ando com dificuldade pra achar as palavras equivalentes em português). Blogs têm mais é que refletir (ao menos uma palhinha) da personalidade do autor, tem que ser pessoal pra ser válido. Pra mim, se eu pensar demais, já vira meio que um trabalho, já perde a graça. Posts pensados, editados, pesquisados demais precisam estar num site jornalístico, não num blog pessoal.

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Isso foi só pra justificar a fonte secando por aqui. Eu acho um saco quando autores começam a justificar a falta de posts, by the way. Não quer escrever, não escreve, oras bolas. Já existe muito motivo nesse mundo pra sentir culpa, blogs não deviam MESMO ser mais um.

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Mas vou justificar só um pouquinho: ando muito cansada por esses dias. Não sei se isso é deficiência de vitaminas, ou se é o corpo que não aguenta mais o tranco de baladas fortes (nem me lembro a última vez que passei 3 dias seguidos pirando o cabeção), e uma semana depois ainda estou me recuperando. Graças a deus hoje, segunda, é feriado, e se não fosse pelos dois dias seguidos descansando em casa, até hoje eu ia estar meio fora da casinha. (Ando meio culpada, porque fiz três entrevistas e escrevi uma matéria completamente zumbi).

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Vou tentar voltar a postar no ritmo normal, e contar o que passou, porque foi muito legal.

26.5.06

Show do Radiohead...


... foi o primeiro highlight da semana. Foi absolutely unbelievable. Como Thom Yorke havia prometido, esse show não ia ter um set list cheio de hits mas sim uma desgustação das inúmeras surpresas que a banda guarda a sete-chaves dentro do armário. E pelo que a gente constantou ali, o próximo álbum vai ter mais ou menos as mesmas proporções de guitarras e strings eletrônicos - o que na minha opinião, quando o assunto é eletrônico, Yorke e companhia são mestres em criar atmosferas darks, melancólicas, sombrias, típico de quem é neurótico até dizer chega.

E ver os caras tocar de perto é uma experiência do outro mundo. Eu não sabia se devia me mexer muito ali na pista, na frente do palco, com medo de perder cada uma das expressões esquizóides de Yorke - e ao mesmo tempo, queria mesmo era pegar uma almofada, deitar no chão e deixar cada uma das tracks sublimes contruir uma bolha em volta da minha cabeça. Viagem, eu sei, mas o show dos caras era viagem assim mesmo. A platéia fica estática, num silêncio aterrador - a não ser por um minuto quando um mané tentou quebrar o clima gritando baboseiras e Yorke parou tudo e falou "SHUT UP YOU CUNT." Todo mundo aplaudiu.

Faltou o set list. Mais detalhes na sequência, que eu preciso me mandar de novo - a correria ainda não acabou.

Next: Barcelona.

Ufa!

Foi falar em rollercoaster-lifestyle que veio uma semana de matar. Aconteceu tanta coisa (balada, viagem, freelas, trampo) que não deu tempo de respirar, de dormir, de comer. E chegou quarta eu tava com as pernas bambas, dormindo em pé nos trens, sem noção se eu estava mesmo acordada ou dormindo. Só consegui voltar ao normal hj, uma semana e meia depois. Então acho melhor escrever uma coisa de cada vez. Vai subindo.

17.5.06

As novas

Posts esporádicos = falta de tempo. Tem dias que não acontece nada, mas tem diiiiasss... que eu chego no final com olheiras. Rollercoaster lifestyle. Eu prefiro assim.

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Como não podia deixar de ser, rolou um drama básico antes de entrega oficial da monografia. A amiga encarregada de fazer a revisão enviou o arquivo corrigido de volta no domingo a noite, o que me mandou madrugada adentro corrigindo o que tava errado. Quase de manhã envio por email pro serviço de encadernação (iam me cobrar uma fortuna pelo serviço no mesmo dia mais entrega em casa), e o que acontece? O serviço atrasa. Ligo a noite desesperada "cadêêêê a minha monografia?", e o moço bem belo no telefone diz que não vai dar pra ficar pronta até uma hora antes do meu prazo final - e que eu ainda vou ter que buscar. Desespero, pânico, medo. Eu conheço o transporte Londrino, sempre rola "signal failures" e a jornada que devia levar 20 minutos acaba levando 1hr e meia. Prefiro não arriscar, e aceito a proposta do namorado de encadernar usando espiral e capa plástica, lá no trampo dele mesmo. Dez da noite e a gente enfiando página por página na máquininha. Ficou parecendo uma apostila, longe de ser o livro preto de capa dura com letras douradas que devia ser. Fazer o quê, melhor engolir o orgulho e não perder o prazo do que ficar a ver navios. No dia seguinte, o moço da encadernação liga, 2 da tarde. Nem atendo. Prefiro não descer do salto e xingo a mãe do desgraçado - por email. Diz ele que as monografias estão lá me esperando. Vão esperar sentadas.

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Saiu a matéria de Balneário na Jungle desse mês. Dá pra ler aqui, mas aquele site me atazana - ele não chega aos pés da lindeza que é a revista de papel. A desse mês, especial sobre a Copa, tá linda, toda ilustrada, edição de colecionador.

Ah, e como a matéria foi escrita em fevereiro, acabou saindo no meio do roteiro de baladas os falecidos Galeras e Kiwi. Verão que vem o roteiro vai ser outro.

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Falando em edição especial, viram a do jornal The Independent editada pelo Bono? Eu comprei e fiquei de cara. A chamada de Capa dizia "No News Today" com ilustração do absurdo Damien Hirst. O jornal inteiro foi especial, com matérias sobre a África e o G8, e colaborações da estilista Stella McCartney e da Secretária de Estado americana Condollezza Rice (falando sobre música!). Só sendo o Bono pra ter uma agenda de contatos dessa.

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Maridón tá em Cannes já . Ligou de frente do teatro onde o Da Vinci Code vai abrir o festival (não sabe se vai conseguir entrar pra ver o filme porque os ingressos - bookados na hora - estão sendo disputados a tapa pela mutlidão) e disse que já viu a Mônica Bellucci e o Samuel L. Jackson dando entrevista na rua. Que inveja.

10.5.06

Agora que o sol saiu de verdade...

... ando com menos vontade e paciência pra ficar na frente do computador. De uns dias pra cá ando dando menos atenção pra vida virtual, preferindo ler o jornal no trem, caminhar na beira do rio, tomar café/drinks com as amigas, fazer programinhas românticos com o maridón, sair de casa e ver ao vivo e em cores a banda, o dj, a peça, o filme, o ator, o escritor. Incrível como a luz inspira. Pelo jeito só volto a blogar com mais intensidade quando o inverno me chutar de volta pra toca.

Agora, vou viver um pouco que amanhã eu não sei.

Ah, by the way, tô lendo um cRássico russo: The Master and Margarita, de Mikhail Bulgakov . Sátira da boa, de soltar risadinhas abafadas.

9.5.06

Palhaçada

Era só o que faltava. Eu já sabia que desde o começo do ano o sindicato dos professores universitários britânicos está se recusando a dar notas nos nossos trabalhos em protesto contra a falta de um aumento salarial. Quando perguntei em Março pra uma professora o que estava acontecendo que a gente não tinha recebido nenhuma nota a meses, ela explicou da greve e disse que não tinha data certa de quando o protesto iria acabar. Daí me veio na cabeça na hora: "Isso significa que vocês não vão dar notas pras nossas monografias?". Ela respondeu: "Isso significa que talvez você nem receba seu diploma." Há.

Na hora entrei em pânico, mas meus colegas disseram que isso era absurdo e muito difícil de acontecer. 'Imagine só, tem 400 mil alunos se formando esse ano, ce acha que não vai rolar a maior pressão em cima dos professores? Eles são minoria."

Só que hoje sai no jornal que o sindicato rejeitou uma proposta de aumento e recomenda que os professores não sigam em frente com os exames finais desse ano. Palhaçada. Não é como se eles tivessem passando fome (um professor full-time ganha por volta de £35 mil por ano, algo em torno de 133 mil reais). Quem devia reclamar éramos nós, estudantes internacionais, que viemos de outro país e pagamos um absurdo por ano pra não ganhar o tal diploma. Palhaçada. Alguma coisa vai ter que acontecer.

Bad Behaviour


Uma pesquisa revelou que a Grã-Bretanha é o país com o maior número de gente mal-educada e agressiva da Europa. Finalmente. Essa idéia de que britânicos são gente chic e refinada (seguindo o estereótipo do filme do Woody Allen, Match Point), só existe dentro dos "portões" de Chelsea.

Vou viajar ...

... de novo. E de novo pra Espanha. Vou passar quatro dias em Barcelona com duas amigas, enquanto o maridón passa uma semana no Festival de Cannes (sortudo). Aproveitar enquanto posso, néam?

7.5.06

Never Let Me Go - Kazuo Ishiguro


Falando em ler, tô feliz que pelo menos agora tô podendo voltar aos poucos para os meus queridos romances. Acho que desde o começo do ano tava sem ler nada de ficção, e resolvi retomar o hábito em Mallorca. Escolhi "Never Let Me Go" (Não Me Abandone Jamais" em português), de Kazuo Ishiguro, que desde o ano passado está na mídia como um dos melhores romances do ano passado.

Pelo que li sobre Ishiguro, ele é mestre em recapturar memórias de infância e retratar todas as nuances mais sutis dos relacionamentos humanos. E aqui ele consegue repetir a fórmula muito bem ao transportar o leitor para um mundo que se revela fascinante para uma criança que está para o descobrir. Mas o que me incomodou um pouco foi o que parece ser falta de atenção com o background que ele escolheu pra situar a história.

A história é sobre três estudantes que crescem juntos numa espécie de internato no interior da Inglaterra. A diferença é que esses estudantes são clones. Ishiguro imagina um mundo onde clones são criados com a única função de doar os próprios órgãos vitais assim que atingirem a idade adulta. Eles jamais saem das instituições que vivem ou se relacionam com pessoas "normais" até os 16 anos (com excessão dos guardiões), e quando saem são como animais enjaulados que de repente são soltos na selva: continuam vivendo em uma prisão mental.

Isso é o que faz o livro ser "unputdownable", como dizem por aqui dos livros que você não consegue parar de ler. Ishiguro te impulsiona a continuar lendo ao levantar uma questão que todos nós uma vez ou outra enfrentamos: o de tomar uma atitude e se rebelar contra aquilo que nos é imposto. Mas não há respostas simples. Kathy, Tommy e Ruth, os três amigos-clones centrais na história quase não procuram alternativas pra vida que levam ou o destino que os espera mesmo as oportunidades aparecendo a todo momento. Ao invés disso, preferem se agarrar às memórias e a solidez de seus relacionamentos, e são gratos por terem tido uma existência plena e rica culturalmente até o momento de começar o inferno das doações.

Mas esse não é um livro sci-fi. Ishiguro não se preocupa em discutir problemas de ética, direitos humanos, ou mesmo ciência. No book club do Guardian, ele explica que já tinha a história mais ou menos formada na cabeça, mas precisava de um background que enfatizasse o que é ser humano e o que significa ter alma.

É um livro bastante interessante e por mais que eu fico feliz por ter lido numa época que eu mesma tenho passado por uma fase de questionamento profundo sobre o que significa viver uma vida rica e plena. Recomendo.

Preguica

Não sei direito o que tá acontecendo, mas ando exausta ultimamente. Preguiça de pensar, de tomar decisões, de correr atrás. Parece que as férias em Mallorca deram a largada pra fase preguicite-aguda que me assola entre uma e duas vezes por ano. Quando só dá vontade de ficar lendo, vendo filme, dormindo, olhando pro teto por dias e dias sem fim. A merda é que cada vez menos vou poder fazer isso sem me sentir culpada. Antes eu tinha desculpa, agora...

5.5.06

Recebi...

...o feedback da monografia ontem. De primeira, meu advisor curtiu e disse que "apart from a few grammar mistakes and typos, there's no need for dramatic changes." Phew. Menos uma preocupação.

3.5.06

Como nao debochar...

... quando Garotinho entra em greve de fome em protesto contra a perseguição da imprensa brasileira? Quando a esposa Rosinha responde com "Infelizmente, aqueles que debocham não conhecem o peso da mão justa do meu Deus", eles tão pedindo né? Daqui a pouco o casal vai fazer o que, chamar os jornalistas de "feios e malvados"? E depois ainda quer concorrer a presidência. Que horror.

Brasil-sil

E a paixão da revista DJ pelo Brasil continua: na capa dessa semana tá o alemão Sven Vath com a bandeira verde-amarela pintada no olho. Não li a matéria ainda, mas parece que os editores descobriram que o Skol Beats é também o festival mais quente do planeta. Yeah, yeah.

Esqueci de falar...

... que antes de viajar finalmente vi OutFoxed, o filme que esculacha o canal de TV mais hipócrita do planeta, Fox News. Eu não sabia se ria ou se chorava (ou se chorava de tanto rir) quando o comentarista do canal Bill O'Reilly mandava os entrevistados calarem a boca quando eles não concordavam com o ponto de vista dele. E cada vez que o slogan "Fair and Balanced" e "We Report, You Decide" aparecia na tela, só faltava eu cair da cadeira. O problema não é a emissora de Rupert Murdoch ser explicitamente republicana: o problema é eles serem partidários e tentarem disfarçar usando truques estúpidos como os slogans, como se eles tivessem lidando com uma audiência de crianças de 5 anos.

E o pior é que eu não percebi a manipulação toda na época que eu morei nos EUA - a época do começo da guerra do Iraque. E pelo visto, o resto da população americana também não.

De novo, esse é um documentário que segue a linha esquerdista, o que prova que a fórmula de Michael Moore de mexer com a opinião pública dá muito certo e vai ser cada vez mais usada pelos anti-bush da vida (vide o filme ambiental de Al-Gore e o doc sobre Guantánamo Bay de Winterbottom).

O colega Fernando Duarte...

... correspondente do Globo em Londres, explica porque a situação dos latinos no Reino Unido não vai melhorar se não tiver a cooperação dos brasileiros, que continuam sem se misturar.

2.5.06

Orkut eh pra quem lembra...

Eu gosto do Orkut por causa disso: depois de um aniversário nada muito cheerful, entro lá e tem 60 mensagens de parabéns, a maioria de gente querida que eu nem imaginava que lembrava de mim. Quem dera poder dar uma festa e ver todo mundo aparecer. Quem sabe um dia.

1.5.06

Mallorca


Fomos pra Mallorca na época errada. Quer dizer, de acordo com as tradições, chegamos em Mallorca pelo menos 45 anos e duas semanas mais cedo. Os 45 anos são a diferença de idade entre nós e a maioria esmagadora dos turistas, e as duas semanas são o tempo que faltava pra temperatura subir o suficiente pra se deitar na praia de bikini. Não deu pra fazer isso até o último dia. Então entre ficar vagando no meio da terceira idade que dominava o hotel (ou será que ficamos hospedados num asilo de frente pro mar?), resolvemos alugar um carro e fugir pras montanhas. E foi a melhor decisão que podíamos ter tomado.

Não me entenda mal, Mallorca é uma ilha lindíssima e enorme - muito maior que Florianópolis. A água do mar é transparente, a areia da maioria das praias é branca, e as montanhas, nossa, as montanhas são de tirar o fôlego (literalmente - passei mal pelo menos duas vezes com a altura e o excesso de curvas). A comida é absurda (fiz como prometi: comi Paella TODO santo dia), a Sangria é doce, o povo é gente fina e educado - e eles não falam espanhol. Falam Mallorquín, um dialeto vindo do Catalão, que parece que lembra o francês uma hora, o espanhol em outra, mas não dá pra entender nada. Mas o entusiasmo durante as narrações dos jogos de futebol é parecido com o brasileiro, e já é suficiente (digo isso porque quase toda a noite assistimos o Barcelona jogar no barzinho).

E Mallorca, além de ser uma ilha para quem é mais velho ou já tem família, é uma ilha pra quem curte esporte. Ver aqueles centenas de ciclistas subindo e descendo praias e montanhas me deu até uma vergonha. Eu passando mal, sem ar, subindo as montanhas DE CARRO, enquanto os tiozinhos subiam DE BIKE, sem sequer alterar a respiração. Se essa viagem me ensinou alguma coisa, foi que eu preciso voltar a mexer, se eu quiser chegar na idade deles com a mesma disposição física.

As fotos e a história toda vai continuar aparecendo no fotolog. Qualquer coisa, vai lá.

25.4.06

Finito!

Ou quase. Entreguei ontem a primeira versão da monografia. Agora é esperar uma semana pelo feedback, alterar o que for preciso, encadernar e já era. Tava me sentindo meio culpada por ter ficado até as 4 da manhã dando os retoques finais, mas foi chegar na faculdade de manhã e pelo menos metade da minha sala tava na biblioteca, rodeados de livros e escrevendo. It felt good :P

*

Então amanhã to zarpando pra Palma de Mallorca. O tempo não está lá aquela maravilha de quente (22ºC), mas pelo menos vai ser um bom descanso. Só quero comer paella e tomar sangria na beira da praia.

**

Amanhã tô virando 2.4 - o tempo voa.

20.4.06

Well done, Al Gore.

Acho que todo mundo devia assistir esse filme.

Bored as hell

Jesus. Ainda bem que eu não vou fazer um mestrado logo na sequência. Duas semanas dentro de casa slaving away em cima dessa monografia e eu estou muito, MAS MUITO entediada. Escrever monografias é muito, mas muito chato.

18.4.06

Menos bundas, please.

Santa ironia. A sociedade britânica anda me afetando de maneira bastante intensa, parando pra pensar. Se eu fosse fazer uma retrospectiva e botar na balança a pessoa que eu era a três anos atrás e a pessoa que eu sou hoje, hmm, quanta diferença (a voz continua a mesma). De jovem libertária e desafiadora (a favor de drogas, sexo livre, 'tecnêra', all those things), ando me movendo gradualmente a uma posição mais, ahn, conservadora. Eu mesma ando surpresa com as minhas próprias opiniões.

Um exemplo? A história da semana passada sobre fundamentalistas islâmicos queimando cópias da Playboy em Jacarta. Não, não achei nada legal, até porque a Playboy da Indonésia não tem nem fotos de mulher pelada, mas me fez pensar na disparidade de padrões entre aqui e lá. Aqui nós somos inundados com imagens de mulheres peladas o tempo todo e em tudo que é lugar. Abre-se o jornal, lá estão elas. Ou melhor, nem precisa abrir. Jornais como o Daily Star e o Daily Sports estampam imagens de bundas e peitos em tamanhos desproporcionais na capa mesmo. Uma ida ao supermercado ou á um café, e dezenas de peitos e bundas nas capas das inúmeras lads mags (revistas masculinas) te recepcionam logo na entrada. Liga-se a TV e lá estão Jordan (na foto ali em cima) e Chantelle, dois dos ídolos maiores (e põe maior nisso) das adolescentes que imaginam que o tamanho do peito é diretamente proporcional ao sucesso profissional e inversamente proporcional ao tamanho do cérebro. Até nas livrarias, adivinha quem está em segundo lugar na lista dos livros mais vendidos? De novo a biografia (a segunda em menos de três anos) da 'abundante' Jordan, aka Katie Price, dessa vez contando sobre como é arrumar marido dentro de um reality show.

Vinda de um país onde toda propaganda de cerveja carrega bundas cada vez maiores e onde meninas sonham em entrar no Big Brother pra virar capa da Playboy ao sair do programa, eu não deveria estar incomodada com esse tipo de "liberalismo." Mas quando a rede de supermercados Sainsbury's anunciou que ia começar a cobrir as tais revistas masculinas com um filme plástico depois que clientes reclamaram do excesso de exposição de 'soft-porn', eu me peguei comemorando.

No site de debates do Guardian 'Comment is Free' , muita gente condenou a decisão e chamou isso de censura. Não é censura, é respeito ao espaço de quem não está afim de ser confrontado com imagens de "air-bags" ao ir comprar leite pro café da manhã . As revistas continuam lá, a venda pra quem quiser comprar, só não vão estar estar enfiadas na tua cara. Um leitor disse que qualquer mídia com teor sexual deveria estar disponível pra aqueles que "procuram" por elas ao invés de estarem expostas em prateleiras de lugares frequentados por crianças de 6 anos. Não poderia concordar mais. Se o sexo não estivesse tão exposto a ponto de virar banal hoje em dia, teríamos muito mais espaço pra outros assuntos mais relevantes e interessantes, e menos problemas de auto-estima.

E isso faz de mim uma senhora conservadora? Não sei. Mas sei que o Brasil bem que poderia começar a pensar no assunto também.

14.4.06

Preconceito?



Tá rolando uma briga bem interessante entre os jornais. O Guardian, no começo da semana, ficou mordido com a crítica que o The Sun fez ao príncipe William por ter se vestido de Chav numa festa de encerramento do primeiro termo do nobre no exército. "Chavs" , pra quem não sabe, são a representação mais baixa e repugnante da classe trabalhadora (ou pobre) britânica. Vivem vestidos de abrigos da Nike, ou qualquer outra marca esportiva famosa, não se separam de suas imitações baratas de bolsas Louis Vuitton e acessórios (principalmente bonés) da Burberry, e costumam empilhar correntes e brincos dourados no pescoço e nas orelhas. As mulheres normalmente colecionam piercings espalhados pelo rosto e costumam prender o cabelo num coque tão puxado que o rosto chega a esticar, enquanto os homens costumam colecionar tatuagens mal-acabadas. Ambos moram em apartamentos do governo (council houses), e costumam ter mais de 50% do já limitado vocabulário composto de palavrões. Não têm o hábito de estudar ou trabalhar, mas são especialistas em arrumar briga na saída do pub, fumar até cair os dentes, e produzir filhos (quanto mais melhor) antes dos 14 anos. São (minha definição) os sanguessugas do governo.

Pois bem, o The Sun insinuou, não, afirmou que era um absurdo o príncipe se rebaixar ao nível da escórgia nacional. O Guardian foi lá e disse que não entendeu como o tablóide teve coragem de publicar um artigo que ofende a maioria dos próprios leitores (o The Sun é o jornal mais vendido do país, e a leitura de cabeceira de classe proletária), e condenou a volta do "esnobismo", o hábito da classe privilegiada de rir da cara da classe mais baixa. Ontem, o The Times, rebateu a crítica do Guardian (que aliás, é um jornal com a linguagem menos acessível e o público mais alto-nível de todos), dizendo que absurdo mesmo era achar que os Chavs são produtos da própria sociedade e sentir pena de um grupo de pessoas que na verdade escolheu ser o que são - incetivados pelo próprio governo, que cobre o cidadão de benefícios mal o primeiro obstáculo aparece. O Times, que é um jornal de direita, anti-blair, terminou dizendo que, quer saber, tem que rir da cara deles mesmo - pra não chorar.

Achei ótimo. Da minha parte, sou a favor do argumento mais conservador do Times. Eu moro num bairro que tem metade da população composta de Chavs: é só dar uma passeadinha na high-street, a rua principal, e fica difícil não esbarrar em um dos inúmeros carrinhos de bebês sendo empurrados por meninas que mal saíram da puberdade, ou não ver grupos de moleques bebendo as 10 da manhã e acendendo cigarros dentro do ônibus, onde sabem que é proibido fumar. É impossível sentir pena deles, principalmente sabendo que esse é um grupo de pessoas que têm oportunidades que ninguém num país de terceiro mundo têm, e mesmo assim, escolhem tirar proveito só daquilo que os convém. Por isso a infinidade de filhos e a rejeição ao trabalho: pais desempregados recebem dinheiro do governo por tempo indeterminado.

O Reino Unido é um país que só prospera, com uma taxa de desemprego baixíssima, com escolas disponíveis pra todos: qualquer um, principalmente cidadãos, que quiser arrumar trabalho e estudo, consegue. Não é falta de oportunidades: é preguiça mesmo.

Sou anti-Chav total.

12.4.06

Banda nova

Não é a toa que eu ando meio desligada do mundinho eletrônico. O rock britânico anda, well, R-O-C-K-I-N-G. Sai uma banda melhor que a outra todo mês! Hoje mesmo de manhã tava lendo o jornal com a tv ligada no Channel 4 music e passa o vídeo dessa banda chamada The Fratellis . A música era Creepin' Up the Backstairs, e apesar de o som seguir a linha new-punk dos Artic Monkeys/Libertines/toda-a-nova-escola-indie-britânica, eu não consegui parar de mexer o pézinho. Eles estão juntos desde 2004, e pelo visto estão despontando pra fama só agora. O primeiro EP acabou de sair semana passada, mas seguindo a estratégia dos próprios Monkeys de gerar recomendações boca-a-boca até a mídia descobrir e cair em cima, os singles estão disponíveis no Myspace e no site da banda.

Fiz a minha parte: não é a toa que esse blog se chama Word of Mouth. :)

By the way, eles vão tocar dia 21 no KOKO em Camdem Town , na noite da revista NME. Achei que é meu dever comparecer na noite e comprei ingressos (por míseras 5 libras). Antes que eles fiquem famosos.

11.4.06

Deu no NY Times...

"Aproximadamente onze milhões dos mais de 15 milhões de usuários registrados no Orkut informam residir no Brasil – uma figura fantástica, dado que as estimativas dizem que apenas 12 milhões de brasileiros acessam a Internet de casa."

Hm. E quem disse que precisa ter Internet em casa pra estar no Orkut? Eu lembro que na minha penúltima ida ao Brasil em 2004, eu estava no supermercado comentando com um amigo a chamada de capa da Superinteressante sobre a mania do site, quando o menino do caixa levantou a cabeça e falou com olhos brilhando: "Vocês também tem Orkut? Entrem na comunidade de Balneário!"

Eu até tentei convidar uns gringos pra entrar, mas aqui o Orkut não bate o MySpace. Lá quase não tem brasileiro.

E isso que tem muito brazuca no Orkut que diz ser do Zaire ou do Nepal.

via No Mínimo.

10.4.06

It's the First Day of the Rest of Your LIfe

Fim de semana meio aéreo, depois da rejeição. Por incrível que pareça, parece que a carta foi um chute no traseiro, mandando eu parar de olhar lá na frente e fazer o que tem que ser feito agora. Agora. Tenho duas semanas pra entregar o primeiro draft da monografia, que está pela metade e completamente out of focus. Á gota d'água foi passar a noite em claro, revirando na cama enquanto revirava a tese na cabeça. Acordei, entre mais um pouco em pânico e liguei pro meu orientador. Man, I can't fuck it up now, help me out. Não ajudou muito, só disse que eu devia relaxar e pensar nas evidências. Tudo é evidência. Good luck, see you in a fortnight. Don't fuck it up.

8.4.06

:/

Não deve existir uma coisa pior do que receber uma notícia ruim quando se está de ressaca. Acordar de manhã com a cabeça explodindo e achar uma carta no chão da porta da frente. Dor de cabeça em cima de dor de cabeça.

Pois bem, a LSE não me aceitou pra fazer o mestrado. Fui rejeitada. Segunda derrota do ano, e mal começou abril.

Nem estou assim chateada, na verdade. Eu sou acostumada a receber nãos o tempo todo. O problema é que pela primeira vez em anos eu não tenho um plano B. Na verdade o mestrado já era o plano B, o que significa que eu não tenho um plano C. Pela primeira vez em o que, 8 anos, eu não sei o que me aguarda no futuro. Não sei o que vai acontecer daqui pra frente, se vou, se fico, se faço ou não faço. Não é nem questão de fazer ou não: é questão de O QUE fazer e AONDE.

Meu futuro é um papel em branco. Sensação esquisita essa. Não sei se é ruim ou bom ainda.

7.4.06

Quem disse que politica e techno nao se misturam? :P

Há! É por isso que eu acredito no poder da blogosfera: o professor de direito Glenn Reynolds , o blogueiro mais influente dos Estados Unidos (e provável que do mundo), o cara que ajudou na queda e renúncia de políticos (caso Trent Lott) e âncoras (caso Dan Rather da rede CBS) extremamente poderosos, é também, adivinhe só, produtor de techno . Em entrevista a revista Wired em 2004, ele fez uma lista dos sites que mais visitava, e entre portais de política e notícias, lá no meio tinha isso:

Mix magazine
www.mixmag.net
Most of my readers don't know I'm a dilettante techno musician . Mix keeps me up on what's happening in the UK club scene - new music, new DJs, what Rob Tissera likes for breakfast - plus I get a free CD with each issue.


Quem diria. Um dos maiores intelectuais do mundo político da atualidade lê a revista mais vassourada do mundo clubber - e ainda chama de "Mix". Muito interessante.

Ta' aberta a temporada...

...de planejamento de verão. Foi só a temperatura subir um pouquinho (13º C! woo-hoo!), já sai todo mundo pra rua de chinelos com aquele sorrisão na cara. E já começa as preparações pra temporada quente: passa tão rápido que o negócio é tentar aproveitar o máximo e encaixar o maior número de viagens/gigs/eventos/festivais/pic-nic-no-parque que der, senão quando ver, lá vem o céu cinzento de volta.

Eu resolvi começar a temporada mais cedo. Vou me jogar na ilha de Mallorca, na Espanha , pro meu aniversário fim do mês. Depois de terminar essa monografia, tô achando que eu vou merecer um breakzinho.

6.4.06

Club pra ingles ver

A DJ magazine dessa quinzena publicou a própria lista dos 50 clubs mais quentes do planeta (não saiu no site, uma pena). O Warung ficou em 19º lugar, caindo 16 posições desde novembro do ano passado quando a MixMag decidiu que o club itajaiense era o terceiro melhor do mundo. Não que a revista não decidisse puxar o saco do que pra mim é um dos clubs mais elitistas do mundo (R$ 200 de entrada em noite só com residentes no line-up, vai cagar) - saiu chamada na capa (Paraíso encontrado!) e matéria de duas páginas com o repórter contando as vantagens de ficar hospedado na mansão que Gustavo Conti divide com Leozinho, virando "caipRinhas" e babando na mulherada. Esse povo do Warung sabe mesmo como fazer um marketing pra inglês ver.

A lista da revista também não é lá muito confiável, anyway. 600 djs votaram nos clubs favoritos de cada, e ao ver que vinte dos cinquenta clubs escolhidos são britânicos, é de se perguntar se eles não andaram puxando a brasa pra sardinha deles. Certos lugares pra lá de cheesy como o KissdaFunk em Leeds e o Air de Birmingham, casa da festa blubber Godskitchen ficaram a frente do clubinho-cool Herbal, e a instituição parisiense que e' o Rex ficou em último. E no top 10, quatro são espanhóis véios de guerra (Amnésia, Pacha, Space, anyone?), e a santa trindade clubber ficou com a Fabric, o The End e a Turnmills, nessa ordem. Esse última categoria não chego a discordar - o The End continua sendo favoritíssimo pour moi, mais por causa da Trash nas segundas, e da Chew the Fat uma vez por mês.

Outro club brazuca que entrou pra lista foi o D-Edge paulista, em 34º, "por causa do mega-equalisador na parede."

5.4.06

We Media em Londres


A segunda versão do fórum global We Media, sobre novas tecnologias no mundo da comunicação vai acontecer aqui, em maio. Vai reunir todos os grandes players da área no momento: blogueiros Americanos (incluindo Jeff Jarvis do Buzzmanchine, Dan Gillmor do Bayosphere e David Sifry do Technorati ) jornalistas e chefões das maiores empresas de mídia do mundo (BBC, Reuters, you name it), e vão discutir em dois dias todas os aspectos do mundo tecnológico que andam abalando o mundo jornalístico: blogs, podcasts, flickrs, gadgets, youtubes, e principalmente o uso de tudo isso pelo cidadão comum.

Imagine se eu já não fiquei com os dedos coçando aqui. Todos os caras que eu ando cobrindo na minha monografia vão estar lá ao vivo e em cores, e anda vão estar dando updates no meu tema. Pequeno porém: custa módicos $795 (mais ou menos £400) pra participar. Alguém aí se habilita a financiar uma pobre estudante a participar da conferência?

Adivinha quem e' esse figura da foto?


Dica: já concorreu a presidência 3 vezes (e vai concorrer esse ano de novo: e' brasileiro e não desiste nunca!) e costumava ser a diversão do horário eleitoral sempre que vociferava o próprio nome no final de cada discurso.

4.4.06

Fim de carreira


Ando me divertindo com a maneira que os jornais andam destruindo Sharon Stone e essa última tentativa desesperada da loira se firmar como sex-symbol-depois-de-véia em Instinto Selvagem 2. O Sunday Times foi particularmente impiedoso: não só disse que aos 48 Stone não está em forma pra alguém dessa idade, mas sim pra alguém com dinheiro pra fazer plástica, ainda chamou a moça de "uma imitação brilhosa, retocada, e levantada de uma deusa do sexo que não consegue mais ser sexy." Disse ainda que uma época eles chegaram a acreditar que a loira tinha talento, como em Casino. Hoje em dia, só dá mesmo é pra rir da cara da coitada.

Ui. Depois dessa eu enfiava uma faca no peito e me aposentava. :P

"And I Thank Yoooouuu....

... for bringuing me heeeeere, for showing me hoooooome..."



Ainda tá soando alto aqui o show do Depeche Mode de ontem a noite. Confesso que eu não estava arrancando os cabelos de empolgação - e a primeira vista o público também parecia não estar, de tão civilizado e uniforme que era - até o vocalista David Gaham arrancar a camisa e chacoalhar as tatuagens pelo palco enquanto cantava "Personal Jesus." Mas esse não foi o ápice do show, que foi bastante equilibrado entre hits clássicos e novidades. Pra mim, a melhor parte foi quando o guitarrista Martin Gore, de saia de couro e asas nas costas, pegou o microfone e cantou a lindíssima "Home" , do álbum Ultra de 97 (o momento da foto aí de cima, tirada com o celular). Aí eu até sentei, hipnotizada com a finesse da voz dele, pela letra da música e pelos beats super sexy. Não adianta, eu sou uma eterna sucker por melodia, baladeira no último (no sentido de gostar de "balada = música melódica", não de "balada = festa/noite"). Aliás, todos os momentos que o Gore assumiu os vocais foram mais memoráveis do que as investidas performáticas de Gaham.

O mais irônico foi que no fim das contas esse foi um show mais pra se assistir do que dançar. Além de o set list ter sido quase igualmente dividido entre hits de pista e baladas cheias de reflexões sobre o lado dark da vida, no palco os telões se posicionavam cada hora de uma maneira diferente, mostrando a banda em contexto com grafismos e imagens referentes a letra da música que tocava.

E Gaham, hm, só dava ele.

Bem bom.

Aliás, falando em show civilizado, explico: não só uma grande porcentagem da platéia já tinha passado ou estava beirando os 40 (Depeche Mode não é da minha época, menino!), mas também foram uns exemplos de educação. Quando todo mundo se levantou das cadeiras, e eu e a minha comparsa de 1 metro e meio Santie perdemos quase que a visão total do palco, um casal girafa perguntou se a gente não queria trocar de lugar com eles. Quando ainda assim não funcionou, dois funcionários viram nossa situação, chamaram a supervisora e conseguiram lugares pras duas nanicas na arquibancada, do lado do palco.

A educação britânica ainda me surpreende.

1.4.06

Ainda to com a pulga atras da orelha...

... com essa questão imigratória sendo debatida essa semana no Congresso Americano. Á primeira vista, acho bastante interessante a idéia do Presidente Bush de criar um programa de trabalho temporário que vá legalizar os mais de 11 milhões de imigrantes ilegais no país (acho que pela primeira vez na vida eu concordo com uma proposta vinda dele) - ainda que ao mesmo tempo planeje reforçar as bordas com o México. Por outro lado, é óbvio que isso está no interesse das mega-corporações de contratar trabalhadores por salários absurdamente módicos, fazendo o trabalho que Americanos não querem fazer, e do governo de embolsar as taxas que esse povo todo deixa de pagar.

Não sei direito ainda até que ponto isso vai trazer benefícios ou consequências a longo prazo e para qual dos lados. Sei que a proposta de legalizar é infinitamente melhor do que criminalizar imigrantes sem papéis como alguns republicanos querem - os que não param pra pensar que se isso acontecer, a economia Americana desaba. E pelo menos isso vai acabar com o medo generalizado que assola a vida dos ilegais. Quando morei nos EUA, eu convivi com dezenas de brasileiros e latinos em geral que viviam em constante alerta, estagnados em sub-empregos em condições desumanas, sendo mal-tratados e engolindo porque não tinham a liberdade de sair e procurar outro lugar mais decente. Tinham que dar graças a deus de ter achado alguém que os desse algum trabalho e não se importasse com os documentos falsos, por mais que os horários fossem absurdos e o salário insignificante. Isso sim tem que acabar.

Brasileiro tem em tudo que e' canto...

... ate' no espaço . E não é que o Coronel Marcos Pontes aportou mesmo na Estação Espacial Internacional? E ainda levou uma bandeira do Brasil e uma camiseta da seleção - pra ajudar o Brasil a ganhar a copa. Heh.

Transamerica

Acabei de chegar do meu cinema favorito, o Greenwich Picture House. Nessa época onde tudo é massificado e corporativo, é ótimo ter cinemas locais e independentes, com uma programação mais autônoma. Lá sempre rola sessões vespertinas de filmes antigos (de Breakfast at Tiffany's a Back to the Future), e vez ou outra rola festivais temáticos e open-session com diretores. Bato cartão quase toda semana.

Vi Transamerica, o filme onde a desperate housewife Felicity Huffman encarna um transexual que descobre ser pai de um adolescente uma semana antes de se submeter a uma operação de mudança de sexo. A história é ótima, sem apelar um minuto pro lado melodramático, e cheia dos momentos hilários sem cair no clichê gay. Aliás, por mais que o filme repita a fórmula de road trip gay (Priscilla, Wong Foo), esse não é um filme sobre sexualidade como é sobre família e aceitação. E por mais que eu ache que a voz de Huffman não convence como sendo masculina, todo o resto estava impecável: os trejeitos, os costumes, a fachada. Achei bem bom.