25.2.06

Ambition?



Acho que anda faltando um pouco de ambição na redação da Veja. Não esperaram nem a matéria da Time entrar no esquecimento coletivo e já botaram os tradutores da revista em ação. Sera' que e' a época de carnaval que faz os repórteres ter preguiça de trabalhar? Ou sera' que eles acham que Brasileiro nao lê em inglês?

23.2.06

books and languages

"Adora Svitak loves to read and write. Over the past 18 months she has had a 296-page book published and written 400 short stories and nearly 100 poems. Typing at 80 words a minute, she has produced 370,000 words while reading up to three books a day. The last novel she finished was Voltaire's Candide. Not bad for an eight-year-old."

Gosh. And I thought I was an avid reader. But hey, I had a huge pile of comic books when I was 6.

***


"Almost two in three Britons are unable to speak a language other than English, in effect the worst record in Europe."

Right. Like this is even news. Wouldn't want to know what the results of a research in America would be. From all my British colleagues (I don't think I actually have proper British friends), none of them ever thought about learning another language. It's always the same: "English is the most spoken language in the world! Why should I bother?" Funnily enough, most of my foreign friends are in the grips of learning a third or fourth language now. Yes, people, learning another language is fun!

ps: nevermind that I just dropped out of my weekly French class. Too many things in my head at the moment. But i promise I will compensate as soon as I hand in my bloody dissertation.

21.2.06

we've got culture


As they say, you've got to be distant to understand the value of what belongs to you. Or that is how my life has been characterised so far. I've said that on my MA personal statement, and I see even better now how true this is after the Barbican decided to bring the Tropicália movement to its headquarters. Only by being away from home that I came to understand how rich and groundbreaking my own culture is. LCC News recently sent me there to review the exhibition, and frankly, I've felt ashamed that I, as a Brazilian citizen, born and bred in the tropical land itself, don't know much about my own culture. It took the British to teach me the importance of it. And I'm truly amazed at the artwork, the music, the philosophy behind it, the films. Last week I download the album Tropicália ou Panis et Circenses, and even though I practically know all the songs, for the first time I've enjoyed it and understood why they were important. I was wrong when I said Brazilians don't have any culture. We do. We just don't appreciate it.

15.2.06

2+1

Ontem, dois motivos pra comemorar:

1- Era Valentine's Day, o dia dos namorados, e esse coisinha fofinha ai' da foto foi o meu presente. O nome dele e' Quincas Borba. Desde o colegial que eu quero dar esse nome pra um bichinho de estimacao, e veio a oportunidade.

2- Foi aprovada a lei banindo o cigarro em qualquer espaco publico fechado, inclusive pubs, bares e clubs. Por mais que eu seja uma esporadica fumante social - e olhe la': do ano passado pra ca' consegui parar de fumar no bar da faculdade e no trampo, e ate' quando tomo uma ou outra taca de vinho - to achando o maximo poder entrar em um pub e nao sair no minuto seguinte com o cabelo fedendo. Lembro quando baixou a lei nos Estados Unidos; era surreal ir pra balada sem fumar e voltar com o o cheiro do perfume intacto. Aqui, so' vai entrar em vigor no verao de 2007, mas ate' la', aposto que muita gente vai estar se preparando pra largar o vicio. Vai ser uma mudanca enorme no comportamento do britanico, acostumado a tomar uma pint e fumar um ciggie nas horas de folga. Quero ver quem vai ter coragem de ficar saindo no frio toda hora pra acender um.


E um motivo pra se preocupar: enviei meus papeis pra graduate admissions da LSE. Agora e' sentar e rezar.

11.2.06

The Graduate

Acho que nao comentei aqui, mas esse ta' sendo o ano da decisao. Eu me formo em julho e a pergunta que nao quer calar - e que todo mundo na face da terra resolveu ou ainda vai me perguntar - e' "e ai, o que voce vai fazer quando se formar?"

A resposta ainda e': nao sei.

Sao varias as possibilidades, e a ordem, por enquanto, ta' assim:

1. Fazer um mestrado direto na sequencia.

2. Tentar arrumar um emprego na area por aqui.

3. Ir pra Franca me aprofundar no idioma por um tempo.

4. Ir de volta pros USA acompanhar o namorado em uma possibilidade de emprego.

4. Voltar pro Brasil e tentar arrumar um emprego na area em SP.

5. Dar um jeito de arrumar o tal do passaporte europeu e assim ficar livre pra ir e vir.

Dentro de cada uma dessas possibilidades, tem outras tantas, mas e' melhor nao discutir os detalhes porque e' burocracia demais. No momento, to botando fe' mesmo e' nesse mestrado. So' falta escrever o tal do personal statement - que nao e' dificil, mas ter que analisar tua vida de tras pra frente pra justificar tua escolha e' algo que requer no minimo disposicao mental. E aja cabeca pra fazer uma retrospectiva a essa altura do campeonato...

10.2.06

Esse Caetano e' hilario...

Tava dando uma rodada pelos blogs do povo do Globo (um exercicio de paciencia, mas tudo bem), quando achei isso no blog do Jorge Bastos Moreno: diz que o Caetano Veloso ficou furiosA quando saiu na IstoE' Gente que ele tava em Salvadore de mao dada com uma mina e ainda por cima, tomando banho no mar de cueca. Tanto foi a indignacao do cantor com a falta de cuidado da impressa colunista brasileira que ele foi la' e botou toda a raiva num email. Olha so' o que saiu:

"Fiquei chocado com a falsidade das
informações. Ali é dito que apareci de mãos dadas
com uma nova namorada no ensaio do Cortejo Afro, em
Salvador, que tomei banho de mar de cueca e que fui
levar presente para Iemanjá.[...]Não cheguei de mãos
dadas com ninguém àquele local. [...]Se eu tivesse uma
nova namorada e fosse com ela a um lugar público,
vocês teriam oportunidade de reunir evidências.

No dia seguinte, fui a uma praia
distante, com um grupo de amigos que não incluía a
moça em questão, usando uma sunga de jérsei
azul-rei, de marca Blue Man, com etiqueta na parte interna e
um bordado da marca no lado esquerdo da parte da
frente. É um sungão, não é uma cueca. Já fui à praia de
cueca centenas de vezes, nos anos 70. Iria de novo se
quisesse. Mas não o fiz em Salvador agora e detesto
ler que fiz o que não fiz. [...]

Tudo bem, eu sei que vocês vivem de entreter seus
leitores com histórias sobre pessoas famosas. E eu
sou famoso (e estava com alguns amigos célebres naquela
praia). Mas ao menos esperem histórias acontecerem.
Tenham respeito por mim. Tenho 63 anos e uma longa vida de
trabalho com música popular.


Caetano Veloso
"


Que isso hein, colegas? Chequem seus fatos com mais exatidao.

:D

Bollocks, but it's fun

Saiu uns reviews meus no site do jornal da facul. E uma materia sobre estudantes com filhos. So' pra quem le em ingles. :)


*

Outra indulgencia da minha parte: tem um revistinha em Balneario Camboriu chamada Up Pocket, que e' na verdade um mistura de coluna social dos modernos da area, mais materinhas de moda, musica e entretenimento. Eu, bem metida (e pensando na minha amiga Isa com quem eu vivo trocando fofoquinhas do mundo futil londrino), fui la' e perguntei se o dono, Coninck Jr, nao queria uma coluninha de moda direto de Londres. Topou. Tai' a minha primeira correspondencia internacional :PPPP

pena que a revista nao tem versao online. Mas quem sabe eu nao boto aqui o besteirol todo.

9.2.06

the sun shines...

Tem feitos dias maravilhosos de sol, acreditem ou nao. E o melhor, ja' ta' anoitecendo uma hora mais tarde, la pelas 5 e pouco. Incrivel como parece que a produtividade aumenta quando o sol nao so' brilha, como brilha por mais tempo.

Dai' tenho aproveitado pra tirar da gaveta um dos planos que eu tinha pra 2006: acordar mais cedo e caminhar. Eu moro num condominio de frente pro rio tamisa, cheio de espacos enormes pra se exercitar, parques, um pier, e uma vista linda (pro centro financeiro da cidade, mas ja' e' alguma coisa). Com o sol brilhando a toda, apesar do vento gelado, consegui ate' arrancar o maridon mais cedo da cama e arrastar ele pra caminhada. Ja' estamos no segundo dia e os planos sao comecar a correr. Vamos ver ate' quando isso vai durar.

***

Quando acho que as coisas na faculdade estao indo bem, aparece uma reuniao pra estragar todo meu entusiasmo. Parece que tenho escrito horrores, e nao vejo o menor resultado. Nao ter feedback e' uma merda. Como eu vou poder melhorar se eu nao sei o que os outros pensam do que eu escrevo?

***

Tem dias que eu estou super otimista em relacao a essa coisa toda de jornalismo. Tem dias que eu so' quero me enfiar num buraco e sumir.

***

Vi ontem The New World, o fime sobre a Pocahontas com o Colin Farel. Nao sei direito ainda o que eu achei. A falta de dialogos, o excesso de voiceovers, e a edicao meio jumpy fez o filme ser muito dificil de acompanhar. A sala apertada e a tela minuscula do Odeon em Wardour Street tambem nao ajudaram. Pelo menos umas 6 pessoas levantaram no meio do filme e sairam da sala. Mas o mais interessante e' que, por mais que eu quase tenha dormido half way through (eu tava tao cansada), certas partes do filme nao saem da minha cabeca. Foram varias as sequencias enigmaticas, onde nao ha' demostracoes tipicas de paixao entre os protagonistas (nao ha' uma cena de sexo, ou mesmo um beijo, entre Farel e Q'Orianka Kilcher - o nominho dificil) e apesar de eu gostar quando as coisas ficam subtendidas, achei que aqui ficou subtendido talvez um pouco demais, a ponto de as coisas ficarem meio sem sentido. Ou talvez eu deva assistir o filme de novo pra conseguir absorver todo o leque nao-transparente de emocoes que existem nesse filme.

Ponto positivo pra trilha sonora, though. Intrigante e por isso mesmo, excellente.

***

Tenho que voltar a pensar mais na minha monografia. Ou melhor, deixar de pensar, e comecar a escrever.

7.2.06

vai virar guerra

E diz que sabado vai rolar duplo protesto em Trafalgar Square: de um lado, muculmanos em suporte do movimento Unite Against Islamophobia, e do outro, o que parece ser um grupo de aliados ao BNP, o partido britanico "branco", famoso pelas demosntracoes de xenofobia.

Claro, se e' que a policia metropolitana vai permitir isso.

No minimo, vai dar pra tirar otimas fotos.

Ops



Looks like fellow Brazilian journo Rinat got herself into trouble. Her blog just became the target of flame comments after she made the unfortunate mistake of posting a picture of herself wearing a Hamas scarf, while covering the Palestinian elections. It wouldn't be so weird if she wasn't an Israeli jewish journalist...

Flags



O jornal The Guardian levantou uma questao bastante relevante a respeito da causa dos Cartoons Muculmanos: com todos esses protestos acontecendo nos paises do Oriente Medio, voce ja' se perguntou daonde e' que eles conseguiram tantas bandeiras da Dinamarca pra queimar em tao pouco tempo?

Nao e' possivel que as lojas de bandeiras em Jakarta tivessem centenas em estoque, so' em caso de a Dinamarca virar o foco de atencao dos protetos.

Mas e' possivel que os protestos nao tenham sido nada espontaneos, uh?

1.2.06

films, films, films




So far, so good.

Voltei super ativa pro jornal da facul, escrevendo horrores. O forte desse termo vao film reviews, pelo visto, porque tenho agendado uma serie de screenings de filmes coming up, com direito a comes e bebes e super soundsystem so' pra jornalista. Ah se eu ainda fosse remunerada... bom demais pra ser verdade.

Mas pelo menos tenho ido ao cinema 4 vezes por semana, e ate' agora, janeiro e fevereiro tiveram uma safra bastante decente. Jarhead, Brokeback Mountain, Proof (sou so' eu, ou parece que esse ano todos os filmes tem o boniton do Jake Gyllenhaal no casting?), Hidden, Good Night and Good Luck, Lady Vengeance.

Logico que sempre existem os lowlights: Shopgirl e Casanova poderiam ter passado despercebido.

Vou comecar a postar por aqui mesmo o que eu tiver escrito, ou pelo menos o link dos textos. Porque escrever duas resenhas do mesmo filme, uma em cada lingua, fica cansativo demais.

30.1.06

Back to Reality 200.6

Demorei ne'. Pra variar. E' que as ferias no Brasil foram taaao relax, tao brainless, que nem com a minha monografia eu me preocupei. Foi so' alegria: pai, mae, amigos queridos, praia, cerveja gelada, pescaria, dormidas na rede, pouca balada, e uma ida historica ao motel :) Passou voando, como sempre passa tudo que e' gostoso demais pra ser verdade, e here I am, de volta ao frio caotico de Londres.

Talvez tenha sido as ferias, talvez tenha sido a consciencia repentina de que esse talvez seja meu ultimo ano residindo na capital inglesa, mas voltei com a cabeca limpa e com vontade de fazer as coisas da maneira certa. Os ultimos meses de 2005 foram absolutamente shitty, e eu fiz uma promessa secreta pra mim mesma de que esse ano eu iria ficar de bem com a vida. Chega de mal-humor. To viajando de nao achar que essa e' a melhor epoca da minha vida.

Afinal, so' nessa cidade acontecem coisas que te fazem rir. Por exemplo, agora mesmo, sentadas aqui do lado na Borders, estao duas fans de meia-idade do A-HA, de camiseta, buque de flores e tudo, esperando nervosamente pela chance de chegar perto de seus idolos as 5 da tarde na HMV, a super loja de cds na Oxford Street. E elas desceram de la' da Escocia, hoje mesmo, so' pra ver a banda que elas amam desde os anos 80. Eu sei porque elas vieram falar comigo quando eu olhei de canto de olho. Mal podiam conter a propria excitacao.

30.11.05

Life is About Constant Longing

Ainda no assunto do livro abaixo, semana passada no trem li isso na pagina 81:

"As far as friendships and relationships go, I've never gone in for visits and constant phone calls. The daily emotional weather report makes everything bland and cheap. Your feelings can seem so fragile and unlikely, why not keep them strange and beautiful instead of sharing them with anyone who'll listen. I think people should learn to spend more time in their heads, they should come to their own terms."

Eu sou bastante assim. Escritinho do jeito que ta' ali em cima. Eu nao sou de fazer ligacoes diarias, de comprar presentinhos, de narrar minha rotina detalhe por detalhe constantemente. Eu nao consigo dar atencao ou receber atencao demais. Eu tenho reservas de energias muito limitadas e que se esgotam em minutos de uma conversa sem sentido. Eu costumo esperar as pessoas me contatarem ou me convidarem, e dependendo de onde vem o convite, recebo e me jogo de bracos abertos. Mas depois eu preciso engatinhar de volta pra toca, ficar quietinha com meus livros, minhas trilhas sonoras, minhas peliculas, reconstruir minha reserva energetica.

Tem uma palavra pra isso: anti-social.

Obviamente, existem consequencias, e a maior de todas e' quando as pessoas simplesmente cansam de esperar e param de vir atras. Ninguem gosta de pedir o tempo todo. O resultado acaba sendo mais ou menos o que virou a paisagem da minha vida: povoada de pessoas conhecidas e muito interessantes, mas que nao possuem o menor dos lacos emocionais comigo.

Tenho sentido bastante isso nos ultimos tempos. Algumas semanas atras mesmo reconheco que fiquei chocada quando de repente ela comecou a gritar e dar tapas numa mesa (talvez pra reafirmar a forca das acusacoes), dedo em riste e lagrimas borrando a maquiagem.

"Voce nao sabe manter amizades!"

A maioria das pessoas nao reagem dessa maneira 'a minha distancia, mas algumas nao conseguem conter a frustracao. Eu, sendo anti-social, sempre consigo. Nao existe a menor possibilidade de eu fazer uma cena publica, se no final quem vai acabar me ridicularizando sou eu mesmo. Eu tenho um cinismo solido embutido e engatilhado dentro de mim, um mecanismo anti-cliche.

Lembro de ter sido acusada da mesma coisa la' pelos meus 13 anos, quando uma amiga que sempre fazia festinhas em casa e viajava horrores reclamou que eu nunca convidava ela pra um jantar sequer na minha casa ou respondia os cartoes postais que ela enviava. Eu achava que nao tinha necessidade, se a gente ja se via e se falava tantas vezes na escola, na casa dela, na aula de ballet, nas festinhas. Eu ficava grata pelos momentos que passavamos separadas, porque eu podia me desvincular e procurar conhecer um pouco mais sobre mim mesma. Eu, como um ser individual.

Eu nunca achei que as pessoas precisassem estar permanentemente em contato, respirando o mesmo ar, vendo, ouvindo, trocando incessantemente as mesmas informacoes. Certos momentos, em meio a uma festa ou um bate-papo, eu entraria num estado tao profundo de tedio que eu sentia minha garganta dar um no' e meu cranio rachar, liberando minha mente pra um lugar longe, onde felicidade deveria ser inversamente proporcional 'a falta de tedio.

Obviamente, minha amizade com aquela menina nao durou tanto como quase todas as outras nao duraram ao longo dos anos, assim como descobri que mesmo nas capitais mais movimentadas do mundo existe a possibilidade do tedio. So' que agora, ironicamente, ele e' resultado do excesso de momentos de isolamento.

Faltam amigos.

Your Time is Now



Sao poucos os livros que eu tive vontade de reler na vida. Sao tantos os que eu quero ler que eu normalmente acho que vou morrer antes de dar tempo de ler tudo e por isso prefiro nao repetir. Mas uma vez ou outra, rarissimas excecoes cruzam meu caminho - eu diria que em 23 anos, 3 ou 4 desses apareceram - e ai' de-lhe escarafunchar o tal do livro, memorizar paragrafos, sublinhar paginas inteiras, reler, reler, reler. Cold Water, dessa menina Gwendoline Riley, e' um desses. A prosa dessa mina e' tao maravilhosamente minimalista e incisiva, tao contemporanea, que eu tenho vontade de imitar tudo o que ela escreve. Mas o melhor de tudo e' a maneira romantica e apaixonada com que ela representa a frieza e o tedio de Manchester, atraves da rotina repetitiva de uma barmaid que vive de frequentar gigs depois do expediente vende livros e discos nos sebos quando o salario acaba antes do tempo, e cria lacos com os excentricos que frequentam o bar que ela trabalha. E tudo isso faz com que eu me lembre o quao potencialmente romantica e inspiradora a minha rotina cinzenta em Londres pode tambem ser.

29.11.05

blog depression


Ha'. Achei a resposta pro problema da falta de posts por aqui. Alem de S.A.D., ando sofrendo de Blog Depression. E' uma sindrome de humor que afeta blogueiros de todos tipos e idades. Segundo o panfleto, os sintomas sao:

-Perda do tesao pela internet

-Sentimentos de decepcao e auto-critica

-Reclamacoes passivo-agressivas e extensao cada vez maior do intervalo entre posts.

Entre os mais afetados, estao gente como eu - the journalers - ou escrevedores de diarios que de repente se questionam se realmente alguem nesse mundo se importa com questionamentos egocentricos sem sentido. Em alguns casos extremos, a pressao de postar e' tao grande que chega a causar ansiedade severa e resistencia bioquimica (ou esquecer que o blog existe atraves do uso de substancias alteradoras de consciencia.)

A cura? Tirar um break, ignorar estatisticas que revelam um numero cada vez maior de blogs, e largar de ser tao metido a ponto de achar que o mundo sente falta de um diarinho mane' que nem esse.

4.11.05

Winter Blues

Entra ano, sai ano, e eu nunca consigo evitar a crise do inverno. Ando suspeitando de que sofro de S.A.D. ( Seasonal Affective Disorder), ou em bom portugues, "Essa Merda De Inverno Acaba Com Qualquer Humor." Acordar todo dia com ceu cinzento (isso quando nao esta' completamente escuro as 8 da manha), tomar chuva porque a ventania destroi o terceiro guarda-chuva da semana, e ver o dia acabar as 4 da tarde enquanto vc ainda tem zilhoes de coisas pra fazer e nao pode voltar pra casa, deixa qualquer um depre. Ou pelo menos, deixa a minha normalmente bem-humorada pessoa depre.

E nao e' so' isso. Essa epoca do ano e' a mais busy de todas, quando alem de passar frio e tomar chuva, vc anda espremido dentro de trens na ida e na volta, passa o dia inteiro levando bronca e discutindo com os outros porque tem zilhoes de prazos acumulando, fica sem comer direito porque nao da' tempo ou a comida da cantina/area em volta fede, e chega em casa 10 da noite arrasado porque nem tempo da' de sair ou fazer alguma coisa pra se divertir porque no outro dia tem que acordar cedo pra repetir toda a rotina.

Nao e' a toa que a minha vida social e' quase nula. E nao e' a toa que hoje em dia eu venero o sol.

***

Essa semana andei repensando por que em 4 anos "on the move" eu ainda nao consegui achar um canto que eu seja feliz. Uma coisa que eu nunca tinha me dado em conta ate' entao foi que o padrao das cidades que eu morei coincidem. Curitiba, Boston, Londres. As tres tem invernos matadores, sao povoadas de gente fria e esnobe, e sao enormes. Uma mais que a outra, mas ainda assim, pra quem cresceu num vilarejo que nem Balneario Camboriu, todas sao imensas. Por outro lado, as tres sao cheias de atracoes culturais, cheias de gente inteligente e inovadoras, cheias de festas pra tudo que e' gosto, e sou eternamente grata por ter tudo isso ao meu alcance. Mas falta interacao. Falta calor humano. Falta... nao sei o que falta. Talvez seja eu que ando me isolando, que sou fria e esnobe e cinica, que me recuso a ir nas tais festas encontrar gente inteligente e inovadora. Ou talvez seja a falta do sol que me faz querer me enfiar embaixo das cobertas e nao sair mais de la ate' o proximo verao... Nao sei.

So' sei que inverno que vem nao quero mais ter crise nenhuma. Talvez seja a hora de mudar de novo. Dessa vez sem repetir padrao.


***


Por outro lado, so' em Londres vc esbarra na mesma semana com duas lendas do cinema britanico, Mike Leigh e Terry Gilliam, e consegue dedicatorias em livros de dois artistas mundialmente famosos que nem Tracey Emin e Neil Gaiman sao.

So' em Londres vc consegue falar numa conversa que esta' planejando escrever um roteiro / bolar um desenho animado / criar um coletivo artistico, sem parecer pedante/estupido/metido ou sem receber olhares de pena ou choque em troca.

So' em Londres voce chuta paparazzis no meio do caminho pra conseguir ver a Madonna ou o Mickey Rourke entrando no cinema de Leicester Square.


Londres e' RUBBISH, mas ate' que tem seus momentos...

12.10.05

She's Hearing Voices

Ando apaixonada por Jeff Buckley. "Everybody Here Wants You" deve ser umas das musicas mais lindas que eu ja' ouvi na vida.

Ando questionando seriamente minha escolha por jornalismo.

Ando questionando seriamente minhas amizades. Ou melhor, a falta delas. Falta gente com ideias, vontades, visoes, gostos parecidos. Ou pelo menos, gente com tolerancia e com coisas pra ensinar. Gente que me ajude a crescer, que cresca junto, que veja a vida com mais leveza e mais entusiasmo.

Ando mais interessada em rock do que qualquer outra coisa.

Ando interessada em psicologia.

Ando interessada em teatro.

Ando com vontade de produzir alguma coisa artistica. Duas ideias amadurecendo, so' nao sei ainda o formato.

Nao estou interessada em assumir que estou passando por uma mid-20's crisis. Eu ja' passei pela crise dos 12, dos 15, dos 17 e dos 21. Achei que depois dos 21 eu so' ia ter crise de identidade la' pelos 40. It's not fair.

Preciso viajar mais.

Quero ir embora. O problema e', pra onde?

3.10.05

You gotta have Balls.

Alrighty. Back. Juro que dessa vez eu demorei nao porque eu estava me escondendo propositalmente como ja' aconteceu em incontaveis fases desse blog, mas porque a vida de repente deu um rush e o tempo voou. Faz o que, dois meses? Aconteceram coisas legais nessas ultimas semanas.

Fui pra Berlin. Obviamente me apaixonei pela cidade, como sempre acontece toda a vez que eu viajo pra uma cidade europeia. Da' vontade de aprender a lingua e ficar imaginando como seria a minha vida se eu morasse la'. Segundo o que eu vi, seria fantastica: os berlinenses sao tao laid-back, tao relax, de dar inveja em qualquer londrino metido a besta. Saem de jeans e tenis pra balada, leem o jornal no boteco a 1 da manha no domingo, andam de bike pra cima e pra baixo. E sao tao rodeados de historia que chega a ser opressivo pra quem nao esta' acostumado. Um dia vou morar la'.

Antes disso preciso morar em Amsterdam, em Paris, numa praia do sul da Franca e em Verona na Italia. E preciso emprestar algumas das 9 vidas do meu gato Nicholas pra dar tempo de fazer tudo isso.

Que mais... Depois consegui estagio no South London Press, um jornal local. Acho que aprendi mais sobre noticias e a rotina de um jornalista comum do que em todos esses anos estudando a profissao. Foi bom, publiquei coisas, fiz contatos, e questionei seriamente a minha escolha por essa carreira. Talvez eu nunca va' ser realmente feliz sendo uma journo, mas pelo menos essa profissao tem me ensinado licoes de vida que eu jamais aprenderia em outra... acho. Eu tenho mais balls, hoje em dia. Nossa, em comparacao com a menina que nao abria a boca por medo de parecer estupida, eu agora virei um des-bocada. Ta' certo que agora devo passar por estupida mais vezes do que nunca, mas pelo menos eu nao fico na duvida - e nem deixo os outros na duvida, obvio.

Ta'. Voltei a estudar Frances. Serio agora.

Ja' contei que eu sai' da academia? Resolvi comprar um saco de pancadas em vez disso, pra chegar em casa e descontar a ansiedade. Nada como dar umas porradas pra aliviar a tensao.

Ando fazendo amizades legais. Uma amiga nova me apresentou Jeff Buckley e me mostrou o que e' ser uma pessoa livre de verdade, em carne e osso, e so' por isso sou eternamente grata a ela. Ela vive o meu ideal de vida, ainda que em termos diferentes. Ela, sim, tem balls.

Volto pra universidade semana que vem.

Ah, e vou pro Brasil em dezembro, pra ficar uns 20 dias. Viajo no dia 25, propositalmente, pra deixar a data passar em branco. Ainda nao e' esse ano que eu faco as pazes com o Natal.