28.11.06

Quentin Tarantino knows it



Nos comentários do DVD "True Romance", um dos meus filmes que estão sempre rodando no background enquanto eu tento fazer com que minha vida tenha algum sentido, Quentin Tarantino diz que "as a writer, when you finish a piece of work, you should almost feel embarassed by it a little bit, because you're just revealing yourself. People who read it are gonna know too much about you."

Então tem mais gente que se sente assim.

Jack Kerouac em entrevista com Steve Allen



É tão raro hoje em dia ver isso. Autores que são levados a sério pela energia e paixão que possuem do que pela habilidade literária em si. Autores jovens que falam de seu trabalho altamente autobiográfico sem medo de soar pretencioso ou parecer bobo. Auto-promoção cool, com o host do programa tocando piano enquanto entrevista. Bons tempos.

Kerouacs da vida hoje em dia são autores de blogs.

Courtney Love Pelada





eu nunca fui muito fã da Courtney Love, mas depois que ela resolveu posar nua pra revista superglossy POP, confesso que mudei minha opinião. Abismei total. Em tempos de photoshop escancarado, fazia tempo que eu não via um ensaio tão sexy e tão estiloso, ultra-rock'n'roll - e completamente 'au naturel'. Se um dia eu fizer fotos pelada, quero elas assim.

A entrevista, by the way, também foi interessante. Você sabia que Love nunca tinha cheirado pó até os (what?) 35? Ou que ela foi trabalhar de stripper em Tókio ao 13 anos e só conseguiu sair do país deportada? Ou que o grande amor da vida dela foi (what?!) Edward Norton? Ou que quem fez ela largar os entorpecentes foi o (hein!?) Mel Gibson?

Adoro o povo do rock.

23.10.06

Dente do siso

Mudei.

Não, sério, mudei mesmo. De casa, e de atitude.

Ontem acordei com a parte de trás da gengiva doendo e vi que meu dente do siso resolveu dar o ar da graça. Em inglês dente do siso se chama "wisdom teeth", ou "dente da sabedoria", e apesar de toda a dor que desce da minha cabeça e vai até o final do pescoço, não pude deixar de perceber que se for verdade esse nome, o dente veio na hora certa.

Comparada com os 4 últimos anos, essa foi a mudança de casa mais tranquila de todas (ignorem o post anterior). Enquanto em tempos outrora eu passava noites e mais noites em claro me preocupando se 1) ia encontrar o apartamento certo 2) na época certa, 3) se iam aceitar meus papéis, 4) se ia arrumar fiador, 5) se ia ter dinheiro pra pagar o depósito e os subsequentes aluguéis, e 7) se ia ter tempo e energia pra fazer a mudança, esse ano foi tudo feito da maneira mais smooth possível, e o mais incrível, sem a ajuda nenhuma de terceiros. Foi simples assim: um dia acordei, me dirigi ao prédio do lado, e gostei (muito) do que vi. Duas semanas depois imprimi três pedaços de papel e pronto. Peguei a chave e dois dias depois trouxe (bom, J. e D. trouxeram) todas as minhas coisas usando duas malas e duas caixas de papelão. Hoje estou instalada confortavelmente no melhor flat que eu já morei fora do Brasil, completamente stress-free.

Deve ter sido resultado da tal mudança interna sobre a qual eu havia conversado com o C. semana passada. Ele estava comentando o quanto estava se sentindo mais tranquilo e menos preocupado do que sempre esteve em toda a vida, e eu percebi que estava passando pela mesma experiência. "Sabe de uma coisa? Esse ano eu percebi que eu definitivamente não sou e nunca vou ser perfeito e o melhor de tudo - eu não só aceitei como ando curtindo essa idéia," disse ele enquanto limpava o balcão do bar. Eu não pude deixar de dar um sorrisinho compreensivo, do tipo "sei exatamente do que vc está falando", porque eu realmente sabia. Depois de 24 anos de tentativas frustradas, planos que não deram em nada, e expectativas em vão, hoje em dia eu raramente perco um fio de cabelo sofrendo por antecipação.

Foi uma atitude que deve ter se desenvolvido e se enraizado aos poucos depois que meus planos no começo do ano pra depois da universidade - mais uma vez - foram por água abaixo, e eu decidi que pelo resto do ano eu ia deixar as águas rolarem da maneira mais livre possível. E por incrível que pareça, as coisas começaram a acontecer.

"Ah, se eu soubesse que a solução para grande maioria dos meus problemas era simples assim!", falei pro C. Ele fez uma cara de interrogação, mas eu estava tentando explicar que no fim das contas meu problema não eram os planos que nunca se concretizavam. O problema era eu.

Então foi assim que eu parei de me cobrar tanto e passei a prestar atenção no que no fundo, no fundo, eu não queria. Isso mesmo. No fundo, mas não muito no fundo, as coisas não aconteceram porque eu mesma não queria que acontecessem. Simples assim. Reconhecendo isso, foi um pulo pra eu começar a parar de arrumar desculpas pra ser quem eu sou. I am what I am - and most of the time now, I like it.

Hoje continuo sofrendo - mas agora a dor é puramente física.

Bendito dente do siso.

20.10.06

>:/

existem poucas coisas no mundo que eu odeie com força, e uma delas certamente é fazer mudança. Estou mudando de casa e meu sangue está em ebulição. No mundo ideal, toda vez que chegasse esse momento eu pularia num jatinho particular, me mandaria pra um cenário paradisíaco qualquer e esperaria os outros encaixotar, transportar e organizar minha vida de uma casa pra outra enquanto eu tomo mojitos debaixo de um sol forte. Sozinha, porque namorados encrenqueiros e teimosos merecem sofrer.

18.10.06

Imatura, moi?

Well, well. Back to blogging world. Nada de maravilhoso tem acontecido nas últimas semanas - ou talvez meu lado londrino esteja se desenvolvendo com FULGOR nos últimos tempos, o lado cínico-vi-de-tudo-nada-me-impressiona-mais. Incluindo quadros e esculturas de pessoas se masturbando em poses variadas (cortesia da Frieze Art Fair, a maior feira de arte contemporânea da Europa, e diga-se de passagem, a mais divertida - fotos em breve), e Madonna e seu mais novo filhote serem assediados pela imprensa britânica a dois blocos do escritório onde estou temporarimente estagiando. Tá, na verdade eu não VI a dupla em si, mas só de saber de que o circo todo está acontecendo aqui do lado já conta.

E como eu sempre menciono aqui nesse blog, um dia minha vida está de pernas pro ar, no outro, bom, não está mais. Até começar o estágio a três semanas atrás eu estava convencida que tinha voltado repentinamente pra 1998 (minha fase raver, pra quem não sabe). Em três meses percorri a rota de todos os clubs/festas/bares/festivais que eu devia ter ido em um período de três anos e nunca fui - e no final, um ou dois botecos entraram pra lista "permanent hangouts." Obviamente nenhum super-club com mega sound system se salvou, nem festas hypes povoadas por gente-que-vira-o-olho. Ambos certamente não receberão a graça da minha presença EVER AGAIN. A beleza de Londres é essa: você pode se dar ao luxo de evitar sair nos mesmos lugares porque SEMPRE tem outras alternativas.

Mas aí o estágio começou e como diz minha amiga L., entrei pro "mundo dos normais". O que significa acordar as 7 da manhã, enfrentar uma jornada de 1 hora espremida dentro de trens, comer sanduíches em frente ao computador e voltar pra casa as 5.30 mais uma vez espremida dentro do trem, exausta demais pra fazer qualquer outra coisa que não seja grudar a bunda no sofá e assistir Sex and the City (também conhecida como 'a minha novela') até apagar... pra começar tudo de novo no outro dia. Nada excitante. Pela primeira vez em meses eu tenho esperado ansiosamente pelo fim de semana.

Como sempre, continuo procurando por satisfação permanente nos lugares errados, mas cada vez me importando menos se não encontro, até porque "satisfação permanente" é algo que provavelmente não existe. Mas também, como sempre, nunca me canso de tentar me enveredar por novos caminhos pra ver se dessa vez vai, e assim foi que resolvi voltar pra faculdade pra fazer cursos... de moda. Yeap, resolvi tentar transformar meu hobbie de ler a Vogue e peregrinar por lojas de departamento luxuosas em trabalho. Uma decisão pra lááááá de distante da minha decisão do início do ano de estudar/trabalhar com política, mãããããsssss.... Pelo menos agora vou tentar fazer uma coisa que eu gosto de verdad ao invés de tentar fazer o que eu achava que os outros gostariam que eu fizesse. Sinceramente não sei se vai dar em alguma coisa, ou se vai ser mais um nome no meu variadíssimo e longo CV (isso não é bom), mas como diz J., vamo aí.

Other than that... Consegui arrumar energias pra ver o filme Little Miss Sunshine - um retrato hilário de uma família muito parecida com a do meu digníssimo namorado - e terminar de ler a obra-prima que é The Master and Margarita. Você sabia que a música "Love & Destroy" do Franz Ferdinand foi inspirada na cena em que Margarita voa sobre Moscow a caminho do baile de Satã? Wikipedia é tudo.

26.9.06

Drunk Shakespeare


Essa é típica do humor inglês. Depois que o fundador da Royal Shakespeare Company declarou que Shakespeare sofria do "mal da manhã de segunda-feira" - ou mais conhecido como "ressacão do inferno" - críticos especialistas declararam que também o trabalho do bardo sofria com o mal. Enquanto a maioria de nós mortais pensava secretamente com nossos botões "não entendi bulhufas do que ele quis dizer", agora é possível mencionar em alto e bom som que realmente Shakespeare escreveu mesmo um bando de frases sem-sentido - porque encheu os cornos na noite anterior. John Sutherland, crítico do Guardian, foi ainda mais além: chamou a peça Macbeth de "um autêntico oceano de merda." Heh.

25.9.06

Cicarelli na Praia

então a última fofoca do mundo virtual é a trepada da Cicarelli na praia. Só fiquei sabendo ontem, e pra ser bem honesta, não achei absolutamente nada demais. Tá certo que o cara tava querendo se aparecer, andando de barraca armada na frente dos amigos, mas fora isso, achei a coisa mais normal do mundo. Celebridades também sentem tesão, ué. E se ela for esperta, ela ainda vai se dar bem: é só dar uma de Paris Hilton, se fazer de desentendida e embolsar milhões de reais com a nova fama.

By the way, já tem muita gente se aproveitando da tal da fama. Nem adianta procurar no YouTube por "Cicarelli dando na praia" porque vc vai achar tudo, menos a cena em si.

21.9.06

Mossy @ TopShop

Kate Moss vai criar uma coleção pra TopShop. Oh, god. Vou começar a tomar aulas de kung-fu. Me preparar pro lançamento.

20.9.06

CSS

ah, até esqueci de avisar: o J. foi no show do CSS no meu lugar (lucky bastard) e o videozim que ele fez da primeira música tá lá no meu Tubo. Diz que a Lovefoxx tomou uma chuva de garrafas de água. Mas diz que o povo gostou, mesmo assim.

19.9.06

Ando demais com a cabeça na lua pra conseguir escrever aqui. Dar update constante em um blog requer uma mente organizada e uma rotina mais ainda, repleta de eventos, pessoas, assuntos, e tempo. Não que minha vida não esteja assim - repleta. O problema é que está "repleta" demais, e não consigo parar, pensar, absorver e repassar tudo o que tem acontecido. Ou talvez seja o excesso de substâncias tóxicas que anda debilitando minha capacidade de comunicação.

Anyway, ontem mesmo cheguei a conclusão que sim, vou ficar em Londres, no matter what. Depois de três anos, só agora que eu estou sentindo que finalmente assentei, que me adaptei ao ritmo e lifestyle da cidade - só agora I'm feeling a true londoner. Alcóol e nicotina demais, horas dormidas de menos, livros lidos pela metade dentro de trens e ônibus, números de telefone anotados em inúmeras cadernetas, rostos novos toda semana, rostos conhecidos/amigos uma vez por ano, fashion que se auto-destrói em 6 meses, unhas descascadas, cabelos desgrenhados, bandas/peças/filmes da semana, baterias de gadgets sempre acabando, Ipods entupidos, se virar em mil pra pagar o aluguel sempre astronômico, viver de sushi de mercado e Coca Diet, reclamar do tempo, do transporte, e dos dias que passam rápido demais. Uma cidade cheia de ups & downs - mais downs do que ups - que só aprende a amar quem sobrevive a tal "fase da adaptação," aquela da depressão, desgosto e ansiedade.

It's rock'n'roll, but I like it.

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Enquanto as coisas vão entrando nos eixos - SE É que um dia vão entrar - arrumei um estágio na acessoria de imprensa dessa empresa de cosméticos. Pelo menos vou poder contrabalançar a rotina rock'n'roll da cidade com tardes servindo de guinea pig no Spa da empresa.

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Maggie O'Pharell. Almodóvar. Kasabian. Kurt Geiger.

Esses são os nomes que andam absorvendo minhas horas de hedonismo essa semana.

6.9.06

+ music

O Tio Gil Barbara aka devils conseguiu capturar com perfeição o meu ideal atual de uma balada FUN nesse podcast roqueiro. Tá pronto pra vir tocar nos pulgueiros de Shoreditch e Brick Lane, tio!

aliás, minha última contribuição pro rau tá lá também . Vaza.

Extra, Extra!

E quando a gente acha que não tem mais espaço na cidade pra mais outra publicação gratuita, eis que surge thelondonpaper. Jornal gratuito a la Metro (sem ser linkado com o xaropíssimo e retrógrado Daily Mail), com a diferença de ser divertido, moderninho e stilish. Aliás, as páginas de moda são um luxo. E o melhor, o jornal sai todinho na internet, pra vocês aí que quiserem saber o que anda rolando na capitaR de enteressante.

music, music, music


Outro álbum roubado (esse do cyberspace mesmo, desculpa aê) que eu anda no repeat faz umas duas semanas é o 4, dos - quem diria - Los Hermanos. Eu não sei porque raios eu tinha preconceito contra esses cariocas - deve ser por causa daquele hit "Ana Júlia" que fez os caras subirem - mas aí resolvi ler a matéria de capa da music issue da Jungle e eu gostei do que li:

"O brasileiro coloca tudo na mesma prateleira, não tem hierarquia. Isso é uma inocência valiosa, esse descompromisso, essa mistura é o que há de mais brasileiro. Nós não temos nenhuma obrigação de ser mais brasileiros do que já somos. As coisas boas têm essa incoerência, têm signos que se contradizem", disse Rodrigo Amarantes. O que foi o suficiente pra me convencer a roubar o álbum e escutar, por que eu sou fã de incoerência e de não ser mais brasileira do que já sou.

Que álbum lindo. Melancólico, romântico, destemido, auto-suficiente, esperto. Virei fã e se deus quiser os moços vão se apresentar pela primeira vez em Londres no aniver de 4 anos da Jungle.

***

Outra notícia que veio do céu é minha diva querida Marisa Monte se apresentando no Barbican final do mês. Tó lá, bee.

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E tinha mais alguém que eu queria falar sobre, mas sendo 3 da manhã, já esqueci.

(18 minutos madrugada adentro...)

Ah, lembrei. Aqueles hypados que atendem pelo nome de CSS (Tired of Being Sexy, segundo a divulgação britânica), que tem uma vocalista que tinha um fotolog super visitado lá por 2002, e que canta puxando um R americanizado irritante, também vão dar as caras por aqui, em três shows. Até hoje só ouvi as duas músicas que estão no espaço deles, gostei pouco, e vou deixar pra ouvir o resto no aniversário da revista NME, na terça.

4.9.06

The Book.

Ontem, tcha-na-na-nam, comecei a escrever o livro. O LIVRO. O maldito livro que a 5 anos eu venho carregando na minha cabeça, que vive me cutucando, me deixando frustrada, que anda acabando com a minha auto-estima. Tinha terminado de escrever uma matéria, e milagrosamente não tive vontade de desligar o computador correndo e me jogar no (maravilhoso, fofo e imeeeenso) sofá (de couro preto, super sexy e style, nhaaami) . Levantei, peguei uma taça de vinho e escrevi o primeiro parágrafo. Escrevi primeiro em inglês, depois em português, e constatei que em inglês fica melhor e mais fluido, mas acho que em português vai ser mais libertador. Português será então. Terminei o primeiro parágrafo, achei que ficou um lixo, e anunciei na sala my new endeavour, onde meus flatmates esperavam acordados (eram 3 da manhã) pelo táxi que ia levar D. ao aeroporto. Pobre D., tinha chegado do Japão a apenas algumas horas e ainda meio tonto de jet lag conseguiu balbuciar "que coisa mais boêmia isso", referindo-se ao ato de escrever livro e tomar vinho na madrugada, antes de voltar a desmaiar no sofá (o outro, feio, pequeno e de pano beige). Fechei o arquivo, virei a quarta taça (branco, alemão, barato, e suavemente adocicado - ou como dizia o crítico da seção de vinhos do Observer, "a party pleaser") e me joguei no sofá sexy pelo resto da madrugada. Não sei quando vou abrir o tal do arquivo de volta.

1.9.06

superficial

Uma amiga minha, da época que eu morei nos States, chegou ontem em Londres depois de passar três meses trabalhando em um campo de refugiados no Zâmbia. Eu me senti estúpida. Como eu ia contar pra ela que estava pensando em fazer uma pós em fashion, quando ela passou esse tempo todo em meio a pessoas que mal tem o que comer, quanto mais vestir?

"Nossa, thais, ontem eu tava louca pra ir na TopShop, minha loja favorita, e quando cheguei lá comecei a chorar. Tudo isso é tão superficial, perdeu a graça." Minha cara ficou assim -> {:^|

Em vez disso, desatei a falar da fotógrafa que eu havia entrevistado no dia anterior, que trabalha pra Anistia e cobriu a guerra na favela da Rocinha. Porque aqui desse lado do hemisfério, é difícil não ser um pouco - ás vezes mais do que necessário - superficial.

Cabeçadas

Acho que já é hora de voltar aqui. Ando sentindo falta de expôr em público minhas jornadas falhas, meus defeitos de caráter, e mau-gosto cultural. Minhas empreitadas que nunca levam a lugar nenhum. Antes eu tinha vergonha de dizer que as coisas não tinham dado certo, que foi tempo perdido, ou que frustração estava evaporando por todos os poros do meu corpo. Hoje, quer saber: foda-se. Levanto os dois dedos pra quem se importa ou acha ruim. Ando frustrada sim, mas não ando desanimada. Pra ser bem sincera, ando bem feliz até. Desde que eu finalmente reconheci que o rabo é meu e eu não devo satisfações pra ninguém do que faço com ele, parece que um peso saiu das minhas costas. Ando até tendo novas idéias, coisa rara nos últimos, hm, três anos.

Argh, os últimos três anos. É terrivelmente desolador olhar pra trás e constatar que se pudesse, faria ABSOLUTAMENTE tudo diferente. Não ter planos pro futuro dá nisso: fico só analisando o passado. E meu sangue ferve quando lembro de episódios estúpidos, que eu poderia muito bem ter evitado. Por que é que eu não abri a boca quando devia? Ou corri atrás do que eu achava interessante em vez de seguir a cabeça dos outros? AHHHHH! Tem dias que eu tenho vontade de me estapear.

Maaas, como todo mundo responde cada vez que eu desando a falar sobre isso, "o importante é que você aprendeu com teus erros." Tá, tá. Bollocks pra isso. Queria mesmo é que existisse um jeito de eu apagar essas memórias, ou que uma máquina no tempo me transportasse de volta com essa mesma consciência de hoje pra eu poder mudar tudo. Arrependimento não mata, mas dá vontade de bater a testa na parede.

Que aliás, eu bati. Não de propósito, e não na parede. Fui me abaixar pra tirar as roupas da máquina de lavar, ainda meia dormindo, e dei com a cabeça na pia da cozinha. Bizarro esse negócio, eu sei. Não o de bater a cabeça, o de a máquina de lavar roupa ser embaixo da pia da cozinha. Meia hora depois ainda fui pegar um dos gatos do chão pra cortar a unha dele - tem sofá novo em casa - e dei outra cabeçada. Dessa vez na testa do J. que tentou pegar o gato ao mesmo tempo. Passei uma semana com um calombo arroxeado um pouco acima da sobrancelha esquerda.

***

Desde que eu roubei o CD da Lily Allen lá da redação da Jungle, não consigo parar de escutar. Eu não tinha entendido o hype todo em cima da menina, só sabia que era outro fenômeno vindo do MySpace. Agora entendi tudo. Não só a voz da moça é boa, mas as letras são excelentes. É uma arrancada sarcástica, desbocada e debochada atrás da outra, todas atiradas de uma maneira suave mas não menos certeira. E todas narram a rotina e os percalços de viver em Londres. Eu me reconheci em pelo menos 5 músicas. Em tempos como esses em que a música pop anda descabeçada e sem graça, Lily Allen é mais do que bem vinda. To Hell with Paris Hilton.

10.8.06

Ree-invention

Eu já sei que quando eu começo abandonar a parada é porque o tédio bateu forte né. Então, sabe o que isso significa né. Que vai ter que rolar outras daquelas mudanças, né.

"Roupagem Nova", "Reinvention", you name it. Coisa que eu faço em algum setor da minha vida que estiver mais boring, uma vez por ano, pelo menos.

O bom dessa época de não ter planos é que ando descobrindo o que EU realmento curto. Antes os outros sempre tiveram prioridade. No more.

Então vou fazer uma faxina e a hora que tiver limpo, eu dou um toque. Té daqui a pouco.

29.7.06

Rraurl

Estou começando a colaborar com o site pioneiro dos amigos Gaía e Gil, hoje o maior site de música eletrônica e alternativa do Brasil. O primeiro texto saiu hoje: cobertura do festival Lovebox Weekender aqui de Londres. Confere lá.

27.7.06

GraduAAANNda


Ufa. Tanta coisa aconteceu nessas últimas semanas, e tão pouco tempo pra se blogar. Mas o mais importante mesmo foi a minha formatura. Foi meio esquisito, se comparada com as formaturas do Brasil. Mais informal em certos aspectos - não tinha dress code (teve gente se formando de chinelos havaianas e tênis Converse) não tinha fotógrafo tirando fotos da turma - e mais busy. Foram mais ou menos 400 alunos se formando no horário da manhã, então a passagem pelo palco pra pegar o canudo era menos dramática (mas eu não deixei de dar uns pulinhos bestas). O mais memorável foi o discurso do reitor, que numa tentativa de reafirmar o calibre da universidade, passou a listar todos os famosos que saíram de lá (John Galliano, Alexander McQueen, Stella McCartney, Jimmy Shoo - só o povo fashion - Pierce Brosnan, Tim Roth, Syd Barret, etc etc etc. Não lembro de ele ter citado nenhum jornalista... anyway.) Mas foi legal. Minha mãe ficou emocionada de ver a filha se formando do lado de onde a Lady Di foi velada (vá entender), e eu fiquei aliviada de não ter que fazer mais small talk com o 50% de gente chata da minha turma.

Acho que tá na hora de mudar aquela descriçãozinha do blog ali do lado.