15.12.06

Rock'n'Roll



Saí triste e eufórica da excelente peça "Rock'n'Roll", de Tom Stoppard, hoje a noite. Me fez ainda mais consciente do tempo passando rápido, voando, e do quanto esses anos, os meus 20 e poucos, 20 e tantos, são e serão os anos que eu vou lembrar o resto da vida com nostalgia. Desde os 17 anos, desde quando eu começei a ter sonhos de uma vida menos ordinária, eu tenho consciência da passagem do tempo. De que o momento é agora, que ser jovem significa isso tudo, e que passa num piscar de olhos. For fuck's sake, isso foi a 7 anos atrás. Foi a 4 anos atrás que eu resolvi jogar pro alto minha vidinha confortável em Curitiba a procura de liberdade e criatividade. E no entanto, só agora, 24 anos depois, é que estou finalmente experimentando liberadade criativa. SÓ AGORA, nesse período em que eu parei de fazer planos, estou descobrindo e desenvolvendo uma identidade própria. Sem a mídia, sem a família, sem os amigos, sem a nacionalidade, sem a cultura, sem NADA nem NINGUÉM me ditando o que fazer da minha vida. Eu não me identifico com a cultura brasileira, nem a americana, nem a inglesa, nem nenhuma, e não me importo com isso. Eu não sei mais o que meus amigos, o que a minha família, o que os meus chefes, pensam de mim, e não me importo com isso. A alguns anos atrás eu comecei a aprender do que eu não gosto. Esse ano eu comecei a aprender o que eu gosto. E não tem sensação melhor do que essa.

E voltando a peça, que fala sobre o rock como instrumento de reação política, da invasão da Checoslovákia nos anos 60/70, do gênio de Syd Barret e dos intelectuais de Cambridge, do eterno debate entre o valor da razão e do coração, eu pensei em como nossos tempos são outros. São fúteis e superficiais e efêmeros. Naquela época, nos anos 60 e 70, a música era um porto seguro, um muro de lamentações, uma parede onde se segurar e se proteger da opressão da sociedade. Política e cultura andava de mãos dadas, uma alimentava a outra. Hoje... hoje, nada. Hoje bandas não tem valor, fama é um questão de sorte do que a consequência de um propósito, música está em todo lugar e não tem impacto nenhum. Isso me deixa triste. Mas saber que eu estou aqui, no meio do turbilhão criativo, tendo a oportunidade de, talvez, fazer alguma diferença, me deixa feliz.

E assim sigo, triste, feliz, triste, feliz, triste, feliz......

2 comments:

Ilma said...

Falou e disse !!Faco das suas as minhas palavras!! Ilma

Theo said...

Olá! Brasileira em Londres! Depois de uma bela peça ainda continua triste e feliz, triste e feliz!! Por que tanta variação no humor!? Você tem uma excelente vida, então fique bem feliz e abaixo os sentimentos estranhos, pois assim, viverá muito melhor e será realizada mentalmente!
Bjs.