9.7.05

O dia seguinte.

O dia seguinte comecou normal, a nao ser pelos noticiarios na TV repetindo as cenas dos ataques exaustivamente. O underground voltou a funcionar, mas ninguem quis arriscar e arrumou outras maneiras de se transportar: a pe', de onibus, de bike, de taxi. Se nao fosse pelos inumeros policiais nas estacoes e pelas manchetes dos jornais mostrando as fotos dos desaparecidos, um turista qualquer iria achar que a cidade nem saiu dos eixos. Mas alguma coisa ainda para no ar. Um clima estranho, meio pesado, de medo. Ou talvez deve ser eu, que nao consegui evitar uma certa depre batendo depois dos eventos de ontem. Parece que nao deu tempo de absorver o choque, nao deu tempo de lamentar os (ate' agora) mais de 50 mortos. Tony Blair foi firme ao declarar que terrorismo nenhum ia mudar a vida dos Britanicos, que ninguem ia parar pra entrar em panico porque a vida tinha que continuar. Mas me pareceu errado sair pra trabalhar, encher a cara, ignorar o quanto a vida e' fragil. Dai' sai' de casa hoje com uma nuvenzinha negra em cima da cabeca, observando as expressoes das pessoas nas ruas, nos trens, nos bares. Pode parecer que todo mundo estava com a mesma cara, mas eu tenho certeza que cada Londrino, de qualquer nacionalidade ou fe', tem agora um cicatriz no coracao. Eu, pelo menos, to sentindo a minha.

1 comment:

LUIZ ALBERTO MACHADO said...

Excelente este seu espaço. Adorei visitá-la, curtir os posts e, com certeza, voltarei sempre.
Beijabrações